Cassilândia, Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018

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20/05/2018 17:12

Caminhoneiros decidem nem pegar a estrada para aderir a paralisação

Anahi Gurgel e Bruna Kaspary, Campo Grande News
Caminhões estacionado em posto de combustível localizado na saída para São Paulo, na Capital.(Foto: Saul Schramm)Caminhões estacionado em posto de combustível localizado na saída para São Paulo, na Capital.(Foto: Saul Schramm)

A paralisação nacional das empresas transportadoras contra a carga tributária sobre o díesel, prevista para ter início nesta segunda-feira ( 21), começa a repercutir nos caminhoneiros em Mato Grosso do Sul, que preferem nem mais seguir viagem. Na tarde deste domingo (20), dezenas de caminhões vindos de todas as regiões do País lotam pátios dos postos de combustíveis localizados nas saídas de Campo Grande.

O presidente do Sindicargas/MS (Sindicato dos Trabalhadores no Transporte de Cargas de Mato Grosso do Sul), afirmou ao Campo Grande News que a orientação geral aos profissionais é cruzar os braços amanhã.

“Nas rodovias do estado, pecebemos que muitos estão antecipando, para evitar transtorno amanhã. Estamos pedindo para que eles fiquem em suas casas, em postos de combustíveis, para que confrontos não aconteçam”, esclarece.

Ele afirma que a insatisfação com os altos valores do díesel e outros produtos derivados é geral. “Temos que mostrar a força do camionheiro. Com esse preço, não dá para trabalhar. A Petrobras quer levar o País a uma bancarrota”, indica.

Segundo o presidente, também em regiões como Bandeirantes, até Paranaguá, vários postos da Capital, está tudo parado.

No posto Caravágio, na BR-163, na saída para São Paulo, grande parte dos caminhoneiros está de braços cruzados, ou por seguir orientação das entidades sindicais ou por preocupação em continuar a viagem e de ter parar no meio do caminho.

Alexandre Santana, 41 anos, veio de Minas Gerais carregando uma carga de iogurtes, com destino a Tangará da Serra, no Mato Grosso. Ele conta que durante greve da categoria no ano passado, ele ficou três dias parado no meio da estrada.

“Quando soube da paralisação para amanhã, preferi não arriscar e ficar na cidade. Vou aproveitar e arrumar o rastreador do caminhão, que eu estava pensando em consertar em outra cidade”, diz.

Ele acredita que não adianta abastecer o tanque do gerador do frigorífico e do combustível se não vai rodar.

“Esse tipo de caminhão gasta muito, média de R$ 2,5 mil com abastecimento do gerador e de combustível. Receberei R$ 4 mil pelo transporte e com o conserto do rastreador, vou é ficar no prejuízo”, calcula.

Quando coloca na ponta do lápis, se fiz favorável à manifestação.

Por outro lado, o motorista Jair dos Santos, 51, não apoia esse tipo de movimento nas estradas.

“É tudo ou nada. Se na rodovia pararem geral, eu paro. Se abrirem caminho, eu sigo. Traz muito transtorno e pouco resultado”, destaca ele, que veio de Camboriú (SC), com um caminhão frigorífico carregado.

“Parei para descansar, mas devo continuar viagem ainda hoje”, afirma.

As empresas transportadoras de Mato Grosso do Sul irão aderir ao movimento nacional de amanhã. Entretanto, a orientação à categoria é para que os veículos permaneçam nas garagens, sem bloqueios na estradas.

Reivindicações - Os caminhoneiros querem a redução da carga tributária sobre o diesel. Reivindicam a zeragem da alíquota de PIS/Pasep e Cofins e a isenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

Os impostos representam quase a metade do valor do diesel na refinaria. A carga tributária menor daria fôlego ao setor, já que o diesel representa 42% do custo da atividade.

A Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoeiros) chegou a protocolar ofício junto à Presidência da República exigindo a adoção de medidas que reduzam a incidência de impostos sobre os preços dos combustíveis, sobretudo o óleo diesel. O prazo para que se abra negociação termina neste domingo (20).

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