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Tudo vai depender do que o mercado precisar e das características dos genes que já começam a ser modificados para a cana-de-açúcar deixar de ser só aquela gramínea cultivada no Brasil desde Martim Afonso de Souza e se transformar numa “biofábrica” de plástico, papel, ração, fertilizantes, tecidos, proteínas, próteses, colágeno, medicamentos, vacinas, plasma sanguíneo – insulina, quem diria! – e até açúcar, álcool, cachaça, melado e rapadura.

A cana transgênica já existe em Piracicaba (SP) há dez anos, mas o canavial dos laboratórios ainda é maior do que o do campo. Lavoura comercial só daqui a cinco anos, acredita o cientista William Lee Burnquist, coordenador de tecnologia do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba, mantido até este ano só pela Copersucar, e agora conduzido por 95 usinas brasileiras em convênio com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), universidades e núcleos de investigação do Brasil e do exterior.

As metas das pesquisas, que nos últimos dez anos consumiram R$ 32 milhões, são as mesmas para outras lavouras economicamente importantes: expandir a fronteira para solos hoje inadequados; elevar a produtividade; reforçar a resistência às pragas e doenças, à seca e ao frio; reduzir custos de produção e preços de mercado, para manter a competitividade, “já que a cotação das commodities cai em média 2% ao ano”, compara William. O Brasil cultiva 25% dos canaviais do mundo e São Paulo, 60% da cana brasileira.

A saga se resume à busca eficiente e precisa de genes que tenham em sua bagagem características que interessem à cana. Assim, se for descoberto em um peixe o gene de uma proteína que favoreça o desenvolvimento do canavial, pode-se inocular esse gene protéico no pé de cana e avaliar os resultados. Se uma variedade de arroz tem raízes que melhorem a captação dos nutrientes para a cana, “cruza-se” arroz com cana. São as plantas geneticamente modificadas, que a natureza não criou, mas permite ao homem criá-las em seu benefício.

Resistência

O experimento mais adiantado é o da cana resistente a herbicidas. Ele deu ao CTC, à Embrapa e à Monsanto o primeiro certificado brasileiro de biossegurança. O gene, alemão, já existia no mercado. Ele é originário de uma bactéria e, incorporado à cana, não deixa que ela seja afetada pela aplicação do herbicida usado no trato do canavial. No cálculo do custo da produção de um futuro canavial resistente, por exemplo, o uso de herbicida que hoje consome US$ 42,00 por hectare, nos ensaios, esse valor cai pela metade.

Outro alvo é a cana resistente à broca, praga que afeta quase todas as plantações, causada por uma mariposa chamada Diatrea sacharalis. Por enquanto, poderá ser mais difícil e menos interessante, economicamente, investir nessa variedade. É que o controle biológico, natural, com a vespa Cotesia flavipes custa R$ 8,00 por hectare, “muito barato”, observa William. Para as empresas, na hora de estabelecer a economia de escala, pesa a lucratividade do trato dos 20 milhões de hectares de soja ou dos 13 milhões de milho em relação aos 5 a 6 milhões de hectares de canaviais.

Mesmo assim, estudos para melhorar a qualidade e as conveniências da cana-de-açúcar continuam, atrás de variedades transgênicas resistentes ao mosaico, à escaldadura e ao amarelinho, que atacam as folhas; aos nematóides, que esfarelam as raízes; e ao carvão, mal semelhante à vassoura-de-bruxa, que dizimou plantações de cacau na Bahia.

Empecilhos

O Brasil já podia estar colhendo sua cana transgênica, afirma William, mas dificultam o avanço dos trabalhos e o necessário licenciamento por parte da CTNBio a falta de regulamentação legal, de conhecimento técnico suficiente dos organismos reguladores e de percepção por parte da opinião pública da importância social e econômica dos produtos obtidos a partir de modificações genéticas.

O presidente Lula foi alertado para esse atraso por uma carta assinada por 304 cientistas enviada a ele em junho do ano passado. Em contrapartida, esses empecilhos aceleraram as investigações que levaram ao genoma da cana. O Projeto Genoma livra o País da dependência exclusiva de genes importados. O sequenciamento genético comprovou que a planta é das mais complexas do mundo vegetal, tanto quanto a estrutura genética do homem.


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