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06/07/2015 10:30

Calistenia: a modalidade que usa o corpo como academia

Portal Educação Física

 

Não demorou para a onda de retorno ao passado que influencia moda, decoração e gastronomia chegar à atividade física. Um grupo resolveu tirar o polichinelo, a barra, o apoio e a parada de mão do baú para recriar a ginástica da pracinha e retomar a calistenia, tendência da vez em treinamento esportivo. Como na educação física do colégio, mas com um toque de CrossFit, treinamento funcional, pilates e ioga, a modalidade se apresenta em novos endereços: pátios, parques, praças e locais à beira-mar.

A ginástica do tempo da vovó figura como principal tendência fitness de 2015. Foi o que indicou uma pesquisa do Colégio Americano de Medicina do Esporte com mais de 3,4 mil profissionais de saúde e condicionamento físico que colocou o body weight training, ou treinamento com o peso corporal, no topo da lista. A explicação para tanto interesse, segundo seus praticantes, é a fórmula baixo custo somado à independência de aparelhos e ao fator rua.

O trinômio representa uma solução e tanto para atletas entediados das sequências prontas e repetitivas da musculação. E ressoa na mesma frequência dos movimentos de ocupação dos espaços públicos, como a já consagrada corrida de rua. Nessa versão, ganhou o nome de street workout (treino de rua). — O fácil acesso é o que faz a modalidade crescer. As pessoas estão cansadas de ambiente fechado. Quem busca a calistenia já passou por diversas modalidades. Ela é muito livre e não tem restrição alguma — explica Luiz Otávio Mesquita, fundador do grupo Calistenia Brasil.

Todos os domingos, às 16h, próximo ao portão 9A do Parque Ibirapuera, em São Paulo, Mesquita se reúne a dezenas de outros apaixonados por movimento para treinar a calistenia. Muitos sequer sabem que tem esse nome. As acrobacias são realizadas em barras de ferro, solo e paralelas. Antes de começar, recomenda-se alongar para aquecer os músculos, preparar as articulações e evitar lesões. Aconselha-se também a presença de um educador físico.

O médico Jomar Souza, especialista em Medicina do Exercício e do Esporte e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), alerta para o fato de que os exercícios de alta intensidade da calistenia oferecem mais riscos de lesionar o praticante do que as atividades orientadas na academia e ressalta a importância de fazer uma avaliação antes dos treinos. — Entre as principais lesões estão as tendinites e estiramentos musculares, além de arritmias cardíacas e, possivelmente, infarto no miocárdio — pondera.

Filho de peixe

Há mais ou menos dois anos, o educador físico Paulo Roberto Porto, 65 anos, percebeu que trabalhar com a modalidade significaria um retorno aos antigos exercícios que fazia quando era jovem e a oportunidade de melhorar o condicionamento físico para a prática do jiu-jítsu. O filho João Paulo Porto, 24 anos, estava com sobrepeso e ele resolveu ajudar: — Montei no pátio de casa nossa própria academia, reutilizando objetos que pegamos na rua, como roda de caminhão, fita de reboque, cabo de vassoura, correntes e barras de ferro. É um laboratório experimental de exercício funcional calistênico — diz Paulo Roberto.

Os movimentos praticados no pátio da família, na zona sul de Porto Alegre, percorrem diversos atributos físicos para treinar performance, habilidade e perda de peso. Também formado em Educação Física, João Paulo explica que o diferencial da atividade é não isolar grupos musculares, mas preparar o corpo de maneira integral para qualquer atividade do dia a dia. — Somos desafiados a executar movimentos corretos, e isso depende muito de concentração e do estado físico — afirma.

No pátio de casa, em praças ou academias, JP Porto, como é conhecido profissionalmente, ensina técnicas que aprendeu sozinho, em cursos ou vídeos. Mesmo sem nunca ter feito ginástica artística (ele prefere surfe, futebol e jiu-jítsu), o jovem desafia a própria força para sustentar os atuais 90 quilos em posições invertidas, quase acrobáticas. Um de seus alunos, Guilherme Nora, 23 anos, chegou com o objetivo de emagrecer e ganhar força, mas acabou motivado com o treino outdoor. — Queria fazer algo diferente. Enjoei de academia e precisava de uma atenção mais personalizada — afirma o estudante de Direito.

Funcional e CrossFit

Calistenia vem do termo grego “kallistenés” e significa cheio de vigor e força harmoniosa (kallós = belo, sthenos = força). Pela semelhança no conceito, e também na execução de certos movimentos, a modalidade costuma ser confundida com treinamento funcional e com CrossFit. — O funcional usa faixas elásticas e cordas. O CrossFit foca mais na resistência. A calistenia se concentra mais na força, mas há semelhança com ambos — explica Luiz Otávio Mesquita, fundador do grupo Calistenia Brasil.

Calejamento à moda russa

Ao digitar o termo “calisthenics” no Youtube, milhares de demonstrações pipocam entre os resultados. A principal referência é Frank Medrano, um especialista na arte de fazer marketing com imagens (e postar hashtags chamativas, como #treinoinsano). O educador físico Paulo Porto entende como positiva a divulgação da prática na rede, mas alerta que iniciantes devem ter precaução na hora de imitar movimentos sem orientação. — Estudamos as atividades e trabalhamos sobre sequências pedagógicas para evoluir física e tecnicamente. Não fazemos mera apresentação. Existe muita informalidade. Tem de saber filtrar quem são os profissionais — alerta o educador físico.

Ele explica que, para evoluir nos treinos, há uma escala gradual, que passa por aulas de 20 a 30 minutos no início, depois 40 minutos, até chegar a uma hora. Se pendurar na barra e trazer as pernas para cima até a mão calejar faz parte do processo.

Os brasileiros ainda terão de gastar muito pó de magnésio para que suas mãos fiquem calejadas como as dos russos. Enquanto para muitos atletas daqui a calistenia é a porta de entrada para a atividade física, para os ex-ginastas russos, a atividade surgiu como uma forma de continuarem ativos após o fim da carreira. — Eles saíam às ruas para praticar com a técnica que tinham das competições — diz Luis Otávio Mesquita, primeiro atleta a competir no Mundial da Federação Internacional de Street Workout e Calistenia com apenas oito meses de treinamento. Em agosto, Mesquita participa da etapa local da Copa do Mundo de Treino de Rua 2015, em São Paulo, organizado pela Calistenia Brasil.

Conheça os principais benefícios da calistenia:

Resistência
Os praticantes da calistenia adquirem uma capacidade de realizar exercícios por um longo tempo, ou seja, podem se manter vários minutos fazendo trabalho de força e explosão. Com alguns anos de prática é possível alcançar a chamada “power-resistência”, que possibilita realizar movimentos de alta intensidade de força e explosão mantendo-se suspenso.

Força
A calistenia é baseada em treinar com o peso do próprio corpo. Os programas exigem exercícios de força pura como barras, apoios, agachamentos e saltos. Todos esses treinamentos pedem uma resposta física do organismo, pois esses exercícios de força exigem um aumento de massa magra. Do contrário, o corpo não irá aguentar a demanda provocada pelo treino. O organismo responde rapidamente ao treinamento tendo um aumento da hipertrofia muscular.

Potência
São movimentos de alta intensidade ou a força máxima combinada com a velocidade e a capacidade de fazer um exercício difícil rapidamente e com força. Os calistênicos precisam disso para movimentos de maior dificuldade.

Flexibilidade e mobilidade técnica
Os exercícios visam a desenvolver também o movimento das articulações e a flexibilidade muscular, usando a força e a resistência adquirida com a regularidade nos treinamentos. Os movimentos também buscam o ganho máximo das valências físicas (resistência, força, flexibilidade, explosão, velocidade, coordenação, agilidade, equilíbrio e precisão) em busca de uma boa performance física.

Onde e como fazer?
Como não depende de aparelhos e prega a ideia de que o corpo é a própria academia, adaptada para se exercitar a qualquer hora e em qualquer lugar, os parques são o destino preferido dos praticantes.

Mas parques nem sempre estão bem aparelhados. Barras convencionais rústicas de base larga (em média de 2m10cm ou 2m15cm) e paralelas horizontais (com distância de 50cm e altura de 1m20cm) são a principal ferramenta de trabalho.

Treinar no parque pode ser gratuito se você tiver companhia ou instrução prévia. Se não tiver, precisa desembolsar, em média, entre R$ 100 e R$ 350 por mês com aulas personalizadas.

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