Cassilândia, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

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05/11/2010 11:14

Caixa de som é febre entre jovens e tormento nos ônibus

Campo Grande News/ Ricardo Campos Jr.

Para a doméstica Maria Vicente, 54 anos, o ônibus coletivo urbano ficou um ambiente ainda mais estressante. Logo no fim de tarde ela divide espaço com outras dezenas de pessoas que voltam do trabalho e da escola, cansada da rotina. Na porta do coletivo, um grupo de estudantes se aglomera ouvindo música alta. “Incomoda bastante”, reclama.

O som vem de um aparelho que é febre entre os jovens. De várias formas, tamanhos e cores, aparelhos de som portáteis com entrada USB são usados aos montes. As músicas são baixadas da internet e salvas em pen drives que são conectados no aparelho.

No grupo de alunos, cada garoto tinha um aparelho, tocando seu estilo musical. Era um grupo eclético. Músicas de estilos diferentes, mas cada um na sua vez. O som por vezes é alto.

Nesse ambiente, a doméstica exclama “Não chega a bagunça que eles fazem. Isso aí não é de ouvir dentro do ônibus”.

Colega de Maria, a também doméstica Letícia da Silva, 26 anos, pega ônibus junto com a amiga sempre nesse horário e é sempre a mesma coisa. Só que para ela, o problema maior é o volume. “Se fosse baixinho tudo bem”, diz Letícia.

O coletivo atravessa a cidade e as duas percorrem todo o trajeto. “Em casa eu concordo, mas no ônibus não”, opina Maria.

Incomodada com o barulho, ela diz que pede para que os estudantes abaixem o volume.

Atitude diferente da maior parte das pessoas que também estavam ao redor do grupo que ouvia som. Geise dos Santos, 21, vendedora, se classifica como uma pessoa pacata e tem observado a nova febre da garotada. “É todo dia”, conta.

“Mas não me esquento. Às vezes até o ônibus está tocando música mesmo. Não está me incomodando”, afirma Geise, que diz ainda que caso se sentisse incomodada também pediria para desligar ou reduzir o volume.

Radical – O vendedor Conrado Bruno Bueno Sales, 27 anos, não tolera as caixinhas de som. Quer no ônibus, quer nos terminais de transbordo, diz que sempre é uma falta de respeito com os demais usuários. “Eu não quero ouvir a música que eles querem ouvir. A tecnologia é boa, mas o jeito que usam é horrível”.

Ele conta que em certa ocasião pediu para que um aluno desligasse o aparelho e relata que não foi atendido. Em uma atitude súbita puxou o pen drive que continhas as músicas que o adolescente ouvia e o aparelho automaticamente desligou.

“Eu peço mesmo, sou cara de pau. Alguns olham com cara feia e abaixam“.

Moda – Luccas, de 14 anos, diz que foi um dos primeiros do grupo a comprarem o aparelho de som. “Eu queria comprar um videogame pela internet, vi a caixinha e comprei”, conta.

Logo, os colegas começaram a comprar também e de repente todos tinham. Matheus, 13 anos, diz que tem a consciência de não ouvir dentro do ônibus e o aparelho dele é o mais potente em termos de volume. Ele prefere escutar o som que os amigos colocam para tocar.

David, 14 anos, diz que não vê problema em escutar as músicas que gosta dentro do ônibus. Quando ao volume, “se alguém pedir com educação eu abaixo”, explica.

“Antes da caixa de som era o celular. A gente comprava celulares cada vez mais potentes e também ouvia dentro do ônibus”, diz David.

O atrativo no aparelho é o preço relativamente pequeno, se comparado a um celular, por exemplo. O custo varia entre R$ 30 a R$ 45 se compradas no Paraguai e pela internet pode chegar a R$ 80, dependendo do tamanho e potência.




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