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05/02/2010 10:02

Cada um tem o frigorífico que merece

João Bosco Leal/MNP

Sabendo de minha incapacidade momentânea de locomoção, meu amigo José Lemos Monteiro, Zeito, Presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, MS, veio me visitar e, durante nosso bate papo, conversamos sobre a situação dos produtores rurais brasileiros diante dos frigoríficos de nosso país.


João Bosco Leal


Disse ele que desconhece produtor mais educado, polido, cordato, acomodado, pacífico, e tantos outros adjetivos nesse sentido, que o produtor rural brasileiro, por, diante de tudo o que vem ocorrendo no relacionamento com os frigoríficos, ainda não haver tomado uma atitude radical, e não haver morrido ninguém.

Pensando nessas palavras, comecei a desfiar o emaranhado, a teia de aranha, em que se encontram os produtores rurais brasileiros para poder produzir o gado gordo e, quando pronto, entregá-lo a um frigorífico. Tentei, então, separar as dificuldades dessa entrega, no intuito de poder encontrar mais facilmente as soluções.

Há muitos anos, o comentário geral entre os produtores rurais é de que a grande maioria dos frigoríficos brasileiros está em nome de laranjas. Quando estes “quebram” é que os produtores ficam sabendo que o dono era um peão, um coitado, que não sabia de nada. Os que se passavam por donos sumiram, e, pior, arrendam outro frigorífico em outra região e começam tudo de novo.

Quanto ao Funrural, de responsabilidade dos produtores e retido pelos frigoríficos no momento do abate, a desconfiança de que não é por estes repassado ao governo, seja por força de liminares ou por apropriação indevida, também é assunto frequente em conversas de produtores.

A imprensa volta e meia divulga a liberação de financiamentos, por parte de instituições financeiras públicas, aos frigoríficos, em volumes até ininteligíveis para os produtores rurais brasileiros.

Frigoríficos brasileiros tornam-se os maiores do mundo e adquirem outros em diversos países, de modo a levar pessoas que já foram do ramo à incredulidade, tamanha a voracidade para as aquisições e a capacidade de, até outro dia pequenas empresas, passarem a adquirir enormes conglomerados multinacionais.

E, dentro do país, os frigoríficos “quebram” e dão prejuízos incalculáveis ao meio. Somente nos últimos anos, mais de 100.000 cabeças de gado e aproximadamente R$ 100 milhões foram “perdidos” pelos produtores.

Após a recente promulgação da nova lei de concordatas, agora chamada de “Recuperação Judicial”, as “empresas” chegam a propor pagamentos com 10, 20 anos de prazo, e os “pacíficos” acabam concordando. Outras separam os credores em dois grupos, os “amigos”, que continuaram o fornecimento após o pedido de concordata, e os “outros”, que deixaram de fornecer. Uns recebem à vista, ou em menor prazo, e, os outros, a perder de vista.

E não entendo como esse produtor ainda resiste à sugestão dos que, como eu, há muito tempo pregam um novo modelo de negociação, onde o boi só pode ser vendido à vista e no peso vivo.

A realidade dos fatos mostra que, em toda essa história, nenhum “dono” de frigorífico é preso ou fica pobre. Pobre fica o produtor que vendeu seu produto para honrar seus compromissos e ficou sem o gado e sem o dinheiro. Nesse modelo de negociação, tenho que concordar com o Zeito, ao ficar admirado de ainda não haver morrido ninguém.

Lembro do ditado “cada um tem o governo que merece” para dizer: “cada um tem o frigorífico que merece”.


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