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16/07/2008 19:42

Brasileiros estão procurando mais a Europa para morar

Ana Luiza Zenker /ABr

Brasília - Nesta segunda parte da entrevista, o diretor do Departamento de Comunidades do Brasil no Exterior, do Ministério das Relações Exteriores, o ministro Eduardo Gradilone, comenta as tendências do fluxo de migração dos brasileiros para o exterior. Segundo ele, a procura pela Europa tem crescido.

A situação da comunidade brasileira no exterior é o tema do evento que será realizado, a partir de amanhã (17), no Rio de Janeiro. A 1ª Conferência sobre as Comunidades Brasileiras no Exterior - “Brasileiros no Mundo” é organizada pelo MRE.

Agência Brasil: Existe alguma observação que se faça em relação às tendências, algum país onde esteja diminuindo a migração e outro onde esteja aumentando?
Eduardo Gradilone: Pelo volume de trabalho dos nossos consulados, a gente tem a impressão de que está havendo um aumento da presença brasileira na Europa e uma estabilização nos Estados Unidos. Pelas dificuldades para entrar nos Estados Unidos, a economia, a taxa de câmbio... O brasileiro que ganhava US$ 1 mil, agora troca isso por muito menos reais e indo para a Europa ele tem mais vantagens. Não há dados. Os trabalhos que estão sendo apresentados nesse seminário mostram todas a dificuldade de se mensurar isso.

ABr: E se observa que as comunidades tendem a se unir?
Gradilone: Esse seminário vai ser muito bom pelo seguinte: desenvolver as lideranças, as entidades de apoio. Na verdade, a gente está vendo que há muito mais redes de apoio do que a gente imaginava, mas eu acho que falta muito. A gente tem que desenvolver um pouco mais, estimular a criação de grupos para que eles mesmo possam se entrosar, procurar soluções para os seus problemas. Há projetos de redes de brasileiros e nós gostaríamos de criar uma rede de redes.

ABr: O senhor vai ser um dos que deve apresentar um trabalho na conferência, sobre uma proposta de uma política governamental para emigrantes brasileiros. O senhor poderia adiantar um pouco como vai ser essa proposta?
Gradilone: Há vários modelos de como outros países tratam as suas diásporas. Há países que têm políticas muito dirigistas. Por exemplo, nas Filipinas, há programas para estimular o filipino a ir para o exterior, ocupar espaços no mercado de trabalho internacional. Inclusive tem curso, agência de recrutamento. O filipino não sai se não tiver o diploma de que fez aquilo, há toda uma estrutura governamental, tanto para a ida quanto depois, para captar os recursos. O México também tem um sistema próprio. A Austrália praticamente diz: ‘se você vai para o exterior, lembre-se de que você saiu da minha soberania, a Austrália não pode fazer muito em outros lugares’. Na verdade a Austrália não fica tão indiferente aos seus australianos, mas é um pouco assim que eles apresentam.

E o Brasil? O Brasil tem que ter uma política para as comunidades. Esses 3 ou 4 milhões de pessoas, que a gente calcula, justificam ter uma política? Essa política tem que ser intrusiva, dirigista ou tem que ser mais moderada? O seminário vai ser importante para avaliar isso. A proposta de política para as comunidades que pretendo apresentar é uma indicação: quais são as principais necessidades, as principais características dessa diáspora? Quais são as principais demandas? Nós temos que fazer uma política que procure atender essas necessidades.

Nós sabemos que a legislação internacional relativa à migração é insuficiente, então a nossa política pode ser no sentido de ter uma atuação mais ativa, principalmente em usar mais os direitos humanos em matéria migratória e procurar nos fóruns internacionais separar o que é migração, para enaltecer os aspectos positivos da contribuição que ela dá, e evitar que seja contaminada com agenda de segurança, de criminalidade, de terrorismo, que acabam misturando coisas que, ao nosso ver, não devem ser misturadas.

Acho que um elemento importante nessa política seria uma ação integrada dos nossos ministérios. O Itamaraty é coordenador, porque nós temos as missões diplomáticas, os consulados, mas não podemos avançar em benefícios para a comunidade sem a ajuda dos outros ministérios. Seria fundamental que todas as reivindicações fossem agrupadas para verificarmos o que é possível ou não. Afinal, o Brasil tem todos os brasileiros com problemas para serem resolvidos, os nossos brasileiros no exterior são uma parcela da população, mas temos que atender todo mundo.

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