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23/10/2004 06:20

Brasileiro desconhece o jovem que mora no campo

Agência Notisa

Em conferência ministrada no último dia do Jubra, encontro fluminense que discute a juventude nacional, pesquisadora revela que poucas pesquisas têm enfocado a situação do jovem do campo. Mulheres jovens estariam abandonando a vida rural para investir no meio urbano.

Cobertura especial - Agência Notisa - direto do Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira, no campus Praia Vermelha da UFRJ, Rio de Janeiro


O jovem rural, segundo a pesquisadora Maria Capelo, está bem longe de representar a figura do matuto. No último dia das discussões que envolvem o Jubra, encontro realizado no Rio de Janeiro e que discute a juventude do país, profissionais foram apresentados a um panorama do cotidiano que une jovens rurais e urbanos. Na opinião da palestrante, o que falta é que se conheça mais o jovem que mora no campo.



Maria Capelo disse que muitas são as pesquisas que retratam a vida do jovem urbano, mas pouco é sabido sobre a mesma comunidade residente no meio rural. “O Brasil já tem predomínio de sua população residindo nos grandes centros urbanos, o que não é motivo para que a pesquisa ignore o morador do campo, principalmente o jovem”, opinou a pesquisadora.



A palestrante lembrou a dificuldade que se tem para definir os conceitos de rural e urbano no Brasil, visto que “são áreas bastante interdependentes e que têm fronteiras tênues, já que freqüentemente esses núcleos se interpenetram”. Exemplificando a interdependência mencionada, Maria Capelo citou os jovens da periferia urbana que conseguem opções de trabalho no meio rural e os jovens do campo que migram para as cidades buscando oportunidades de trabalho e estudo.



Na opinião dela, rural, há pouco tempo, era somente o lugar da agricultura e da pecuária. “Mas hoje isso mudou. O campo também tem indústria, tem comércio, tem turismo. Há o pesque-pague, o ecoturismo, as cooperativas. Existe gente no campo. Existe jovem no campo e isso não pode ser ignorado pela pesquisa científica”, alfinetou.



Dessa forma, se até a definição do meio rural passa por reformulações, o mesmo acontece com a identidade do jovem que vive no campo. “Até o IBGE tem dificuldade para dizer o que é rural ou o que não é rural. Imagina a cabeça do jovem que convive em um ambiente com características de transição e que experimenta a construção de uma nova identidade?”, questionou a especialista.



Ela não esqueceu de abordar a questão do trabalho infantil no campo, onde é comum o ingresso precoce de menores no trato com atividades ligadas à agricultura e pecuária. “Essa questão de que o trabalho da criança a transforma em um adulto em miniatura é bastante discutida. Entre os índios, a prática de ajudar os pais em atividades do cotidiano é bastante comum. O que a gente tem que discutir é que em condições isso tem se dado”, reflete a profissional.



Segundo a palestrante, uma tendência que tem sido percebida no ambiente rural é a saída das mulheres jovens do ambiente rural, que vão “tentar a vida” no meio urbano. Os homens jovens estariam em maior número no campo, já que a eles caberia a responsabilidade de herdar a terra e os trabalhos relacionados a sua conservação. “Mas porque as moças estão saindo do campo? Há um vazio, pois pouco se sabe. Precisamos conhecer mais as concepções representativas do jovem rural. É uma área riquíssima, mas ainda pouco explorada”, concluiu.



Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)





Emprego: a ante-sala da vida adulta


Segundo pesquisa realizada em Salvador, jovem entende que entra no mundo adulto somente quando consegue conquistar o primeiro emprego. Palestra realizada no último dia do Jubra, simpósio que discute juventude brasileira, criticou os rumos do programa federal que visa oferecer oportunidade do primeiro emprego aos jovens.



Cobertura especial - Agência Notisa - direto do Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira, no campus Praia Vermelha da UFRJ, Rio de Janeiro



Marisa Marques trouxe um tema polêmico ao último dia do Jubra, encontro que discute a juventude brasileira, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Como acaba a adolescência contemporânea?” foi a temática da sua fala, que gerou intensas discussões entre os presentes. Segundo a palestrante, um marco define o final da adolescência: a conquista do primeiro emprego.



A pesquisa que baseou as conclusões de Marisa Marques foi feita em Salvador (BA) e abordou 24 jovens, entre 14 e 24 anos, de baixa e média rendas, freqüentadores de um parque da capital baiana. Um questionário semi-estruturado foi fornecido aos participantes, questionando os conceitos de adolescência, idade adulta e a presença de algum ritual de passagem entre essas duas faixas etárias.



Segundo Marisa Marques, os jovens abordados por ela identificaram a adolescência como o período em que se toma atitudes impensadas, não se precisa ter muitas responsabilidades e onde se tem de prestar obediência a algum tipo de poder familiar. Já na idade adulta, segundo os jovens pesquisados, os atos passariam a ser mais medidos, diminuindo a quantidade de falhas decorrentes da impetuosidade adolescente. “Com isso, a gente identifica que, para os jovens, a diferença entre ser adolescente ou adulto está, fundamentalmente, nos modos de agir das pessoas, que seriam diferentes entre essas duas etapas da vida”, explicou.



De acordo com a pesquisadora, quando os 24 adolescentes foram perguntados por algum fato que pudesse marcar o fim da adolescência, 18 deles apontaram o ingresso no mercado de trabalho como figura mais representativa do início da vida adulta. “O trabalho vira um importante ritual de passagem para o universo adulto. Ter um emprego significaria assumir responsabilidades com o patrão, com a casa, dividir contas domésticas. Para eles, isso é a vida adulta”, destacou Marisa Marques.



Nesse contexto, a palestrante não poupou críticas ao programa Primeiro Emprego, do governo federal, que visa a levar ao mercado de trabalho jovens entre 19 e 24 anos. Na opinião da pesquisadora, dar ao jovem um primeiro emprego é bastante importante, mas somente se for acompanhado por outras medidas que também possam desenvolver o aspecto psicológico e social desse jovem. “Ter um trabalho não é somente estar no mercado de trabalho. Trabalho, em sua essência, é a atividade humana capaz de envolver tudo: aspectos físico, psicológico, racional, de realização, de auto-estima. Ter um patrão e ganhar um salário não representa, necessariamente, evolução para o jovem brasileiro”, concluiu.



Agência Notisa

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