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30/01/2020 09:30

Brasil não irá restringir entrada de pessoas vindas da China

Ministério da Saúde aguarda relatório completo sobre o coronavírus

Agência Brasil

O ministério da Saúde (MS) afirmou ontem (29) que não fará qualquer restrição à entrada de chineses no Brasil. Mesmo com a crescente epidemia de coronavírus - que se alastrou pela China - o governo brasileiro não fechará as portas para os chineses. A título de precaução, o MS tem recomendado que as pessoas evitem viajar para aquele país e que empresários evitem receber pessoas vindas da China para reuniões presenciais.

“Nossa recomendação é que não se viaje para a China. Não cabe ao governo brasileiro recomendar que os chineses saiam de lá ou não, mas estamos recomendando as empresas brasileiras que evitem reuniões presenciais com pessoas que vieram da China”, disse José Gabbardo dos Reis, secretário-executivo do MS.

O ministério também considera que a recomendação do próprio governo chinês para que sua população evite viajar ajudará a reduzir o fluxo de visitas. “Essa recomendação pode até virar restrição, mas isso não tem interferência nossa”, acrescentou o secretário-executivo.

Questionado, o diretor do Departamento de Imunização de Doenças Transmissíveis, Julio Croda, disse que a medição de temperatura do visitante ao chegar no país não é uma medida efetiva e, por isso, não há preocupação em aplicá-la. A recomendação para os que chegaram da China há poucas semanas é procurar uma unidade de saúde assim que surgirem os sintomas de febre e tosse.

Croda, no entanto, destaca que caso os sintomas não sejam graves, a pessoa pode se manter isolada em casa. Com isso, há diminuição, inclusive, da circulação viral entre outros usuários das unidades de saúde. “É muito recomendado que se o paciente não apresenta sintomas que indiquem internação hospitalar, que possa ser feito isolamento domiciliar. Isso está no nosso protocolo”.

O potencial de letalidade do coronavírus ainda não é conhecido. O ministério aguarda dados mais completos da Organização Mundial de Saúde (OMS) a respeito das chances de morte dos portadores do vírus. O recomendado, até o momento, são medidas básicas de higiene para reduzir as chances de contrair o coronavírus: lavar as mãos regularmente e levar a mão à boca na hora de espirrar.

Em 2005, outro tipo de coronavírus, a chamada Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), contaminou mais de 8 mil pessoas, matando cerca de 800. O que o MS sabe é que o novo vírus é menos perigoso, mata menos que a Sars, mas se espalha com mais facilidade.

Carnaval
Por enquanto, o ministério não considera adotar nenhuma medida que altere de alguma forma as festas de carnaval, que acontecerão na segunda metade de fevereiro. A princípio, explicou Gabbardo, serão feitas ações visando a prevenção. Mas esse planejamento pode mudar caso o quadro da epidemia comece a evoluir no Brasil. No momento, não existe nenhum caso confirmado de pacientes portadores do coronavírus no país.

“Não existe nenhuma decisão do ministério da Saúde, neste momento, de alguma interferência ou intervenção mais drásticas em relação ao carnaval. Vamos divulgar para as pessoas o que elas podem fazer para reduzir a possibilidade de transmissão. Vai depender do que acontece nos próximos dias e semanas. Não é uma decisão definitiva”.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, acrescentou que o Brasil está no verão e que, por isso, é muito pequena a possibilidade de uma doença respiratória se alastrar por aqui nos moldes do que ocorre na China. Por isso, nenhuma medida mais extrema será tomada a menos que seja realmente necessário. “Não vamos tomar nenhuma medida de exceção por precaução, fazendo ações que impliquem na decisão das pessoas sem termos muita clareza da tomada dessa decisão”.

O Ministério da Saúde (MS) informou hoje (29) que existem nove casos considerados suspeitos de coronavírus no Brasil. São três casos em São Paulo, dois em Santa Catarina, e um caso nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Ceará.

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