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15/05/2005 06:36

Brasil é vítima da ''armadilha de Gabriela'', diz Celene

Alessandra Bastos/ABr

O país gastou, em 2004, o equivalente a 7,06% do Produto Interno Bruto (PIB) no pagamento de juros da dívida pública interna. De acordo com a assessora de Políticas Fiscal e Orçamentária do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) Celene Peres, menos de vinte mil famílias brasileiras são detentoras de títulos da dívida pública, o que equivale dizer que mais de 7% do PIB brasileiro é destinado anualmente a menos de vinte mil famílias no país. Os juros externos, segundo ela, consomem o equivalente 0,9% do PIB.

Os gastos elevados com o pagamento da dívida obrigam o governo a reduzir os investimentos e aumentar os impostos. Isso gera mais inflação e novos aumentos dos juros. Esse modelo econômico "retroalimentar" é chamado pela economista de Armadilha da Gabriela: "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim", explica ela, em referência à canção gravada por Gal Costa.

De acordo com levantamento do Ministério da Fazenda - divulgado em abril e questionado esta semana pelo economista Márcio Pochmann -, o Brasil investiu, em 2004, 1,8% do PIB em Saúde, 0,7% em Educação e Cultura, 0,1% em Organização Agrária, 0,1% em Habitação e Saneamento, 0,2% em Benefícios ao Servidor e 0,2% no Sistema S (que inclui serviços sociais prestados com verbas arrecadadas da indústria e do comércio).

Na avaliação de Celene Peres, o gasto com pagamento dos juros "é muito mais do que se gasta em todas essas áreas juntas", o que faz com que os investimentos federais na área social não sejam suficientes para diminuir as desigualdades na distribuição de renda no país. Para ela, o ideal não seria "um calote ou a redução do pagamento, mas a redução das taxas de juros praticadas pelo governo".

A economista ressalta ainda que o modelo de macroeconomia adotado pelo governo federal é uma "grande bola de neve, quanto mais se eleva a taxa de juros gera uma maior necessidade por aumentar de novo a taxa". Ela explica que, quanto mais o governo gasta com pagamento das taxas, mais restrições haverá aos gastos públicos e, conseqüentemente, menor será o investimento na área social, o que, segundo ela, diminui o crescimento econômico.

Para melhorar o superávit primário (a economia que o governo faz em relação ao que arrecada, atualmente de cerca de 4,25% do PIB, com o objetivo de demonstrar que tem condições de honrar suas dívidas), uma das saídas tem sido aumentar a carga tributária, o que também reduz o crescimento econômico. "Toda vez que se aumentam os impostos, isso é repassado para o aumento dos preços, o que gera inflação". Para a economista, "é um ciclo que se retroalimenta e gera maior necessidade de ajustes". Segundo ela, na prática, "está havendo uma elevação de juros e o superávit primário não está sendo suficiente para manter a dívida, que continua aumentando. Nosso problema está na taxa de juros", aponta.

O modelo macroeconômico brasileiro atual, segundo Celene, faz com que os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, não diminuam a desigualdade social. "Quando se reduzem os investimentos, se reduz o crescimento da economia, geração de emprego e isso vai afetar justamente as camadas mais pobres da população".



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