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02/05/2006 14:25

Brasil deve ter postura firme com Bolívia, diz Delcídio

Inara Silva / Campo Grande News

Para o senador Delcídio do Amaral, a estatização de toda indústria de hidrocarbonetos anunciadas ontem pelo presidente da Bolívia Evo Morales já era uma tragédia anunciada. Agora, segundo ele, o governo brasileiro deve assumir uma postura diplomática, mas firme para conseguir defender os interesses brasileiros naquele país. “Não podemos contemporizar diante de uma situação grave como esta. Estamos falando de soberania”, disse o senador em entrevista ao programa Noticidade, na FM Cidade, ao se declarar preocupado com a situação.
Delcídio do Amaral ressaltou que já esperada esta atitude pois já vinha conservando sobre o assunto com lideranças da região de fronteira. Para ele, a medida abala o mercado internacional. Isto em termos de investimentos, já que o investidor estrangeiro terá mais rigor para investir na Bolívia e “por que não na América do Sul como um todo?” questionou o senador ao explicar que ninguém vai querer investir num país que apresenta instabilidade.
Para ele, em primeiro lugar, o mais grave da decisão de Morales é a quebra de contratos. Se o governo não concorda com legislação, conforme o senador, Morales deveria enviar nova lei ao Congresso e não alterar unilateralmente o que ta protegido em contrato. Delcídio do Amaral lembrou que a Petrobras tem acionistas que vão cobrar uma posição do governo, por isso, ele alertou que o governo deve assumir uma postura firme diante deste quadro.
Na opinião do senador, as empresas estrangeiras têm investimento na Bolívia, com qualificação de mão-de-obra, agregando valor a principal riqueza do país e na geração de empregos.
Nacionalização - Ontem o governo boliviano decretou a nacionalização do gás natural e com isso deu prazo de 180 dias para as empresas instaladas em território boliviano atualizarem os contratos – repassando toda a produção à YBFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos, estatal do setor) – ou abandonarem o país. Com a nova legislação, o governo boliviano passa a deter 82% das receitas de todos os empreendimentos no país e as empresas operadoras ficam com 18%.
A Petrobras, a princípio, informou que não haverá desabastecimento, mas admitiu, ao mesmo tempo, “situação dramática”.

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