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13/03/2007 19:04

Banco do Brasil antecipa R$ 1 bilhão para custeio

O Correio News

Banco do Brasil liberou crédito R$ 1 bilhão para o agricultor antecipar a compra de insumos agrícolas já para o cultivo da safra 2007/08. Tradicionalmente, os recursos são liberados apenas no segundo semestre, para o plantio da próxima safra.

O diretor de Agronegócios da instituição, José Carlos Vaz, disse que o produtor que solicitar o crédito antecipado poderá economizar 35% em média nos gastos logísticos. "Quanto mais cedo o produtor comprar o insumos mais barato ficará o produto’’, afirmou o executivo. Isso acontece porque, explica Vaz, em vez do agricultor pagar o frete do caminhão no período de comercialização para levar especificamente o produto agrícola ao centro urbano, poderá aproveitar o veículo para trazer os insumos à fazenda. Segundo Vaz, o agricultor economiza porque paga apenas um frete para fazer as duas atividades ao mesmo tempo.

Além da antecipação dos recursos, o diretor da instituição diz que o produtor ainda pode aproveitar a onda de preços baixos dos insumos por conta de depreciação do dólar ante o real. Só em São Paulo, os produtores poderiam economizar em torno de 30% na logística comprando os insumos antecipados, enquanto que no Paraná, entre 28% e 35%.

De acordo com o executivo, o banco deve liberar mais recursos dependo da necessidade de dinheiro na praça para a compra antecipada de insumos. O Banco do Brasil liberou R$ 3 bilhões para auxiliar o produtor na safra 2007/08, dos quais R$ 2,4 bilhões são para agricultura comercial e R$ 600 milhões à agricultura familiar. Do total, R$ 1,6 bilhão estão disponíveis às operações de custeio, sendo R$ 1 bilhão destinados à antecipação da compra de insumos. Outros R$ 500 milhões são para o investimento no campo e os R$ 900 milhões restantes para a comercialização.

A iniciativa inédita do banco foi saudada pelo setor, ainda que com ressalvas. "O problema é que as indústrias de insumo já estão reajustando os preços", reclama o presidente da Comissão de Crédito Rural da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto. Na avaliação da instituição, os preços foram reajustados entre 30% e 50%. Segundo ele, outro R$ 1 bilhão será liberado pelos bancos privados. Sperotto explica que esse valor é fruto do que não foi aplicado pelos bancos dos depósitos compulsórios destinados ao crédito rural - já que boa parte dos agricultores não tinha limite para contrair novas dívidas. "Mas o produtor pode não acessar o crédito, caso haja imposição de regras ou seu direcionamento para empresas credenciadas no banco", lembra o assessor técnico da Comissão Nacional de Crédito Rural da CNA, Luciano Carvalho.

O economista Fábio Silveira, da RC Consultores, diz que é uma quantia que contribui, mas não é expressiva para a necessidade de financiamento de custeio - absorve cerca de R$ 50 bilhões. "Importante este aporte e fundamental porque o Brasil vai ter uma supersafra em 2007/08", afirma.

O diretor do Banco do Brasil acredita que até o fim deste mês, as agências terão concedido crédito aos produtores de R$ 28,2 bilhões para o plantio da safra 2006/07. Se a estimativa se confirmar, a cifra será 17% superior ao liberado em igual período da safra 2005/06. Desde julho, quando o banco começou a conceder crédito para a atual safra, já foram liberados R$ 25,2 bilhões - até fevereiro -, o que representa um crescimento de 12% se comprar com o liberado no mesmo período da safra anterior.

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