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11/10/2013 13:25

Balé Bolshoi faz pré-seleção pela primeira vez em Campo Grande

Campo Grande News

Quase 200 crianças e adolescentes participam entre hoje (11) e amanhã (12) no colégio Dom Bosco, em Campo Grande, da primeira pré-seleção de balé clássico e contemporâneo feita pela Escola de Teatro Bolshoi de Joinville, a única Escola do Bolshoi fora da Rússia.

Três bailarinos, formados pela companhia, fazem a avaliação dos participantes. As turmas são dividias em duas faixas etárias, de 9 a 14 anos e acima de 15. Amanhã, 13 crianças de Coxim farão parte das turmas.

Os alunos que aprendem balé em projetos sociais são o foco principal dessas pré-seleções realizadas pelo Bolshoi, apesar de crianças e adolescentes de academias particulares também participarem.

As inscrições foram divulgadas em projetos sociais no interior do Estado. Durante 20 dias a organização do evento viajou por vários municípios para divulgar a ação.

A criança ou o adolescente selecionado entre hoje e amanhã irá até Joinville, em Santa Catarina, onde será inteiramente analisado em uma prova. Dependendo do desempenho, o sonho pode se concretizar: fazer balé na mais renomada companhia de dança do mundo.

Hoje pela manhã, ansiosos, pais e parentes acompanhavam do lado de fora da sala, a pré-seleção, chamada de workshop. Dentro das duas salas, meninas e meninos - minoria, apenas três- davam graça aos passos feitos com precisão.

Segundo o organizador e patrocinador da ação, Adalton Garcia, o nervosismo é driblado na pré-seleção.
“As crianças não ficam tão apreensivas porque aproveitam este momento que é como um workshop. Acho que o mais frustrante para elas, não é não ser selecionada aqui, mas sim levar um não em Joinville”, afirmou o organizador e patrocinador da ação Adalton Garcia.

A filha mais velha de Claudia Almeida, 45 anos, já mora em Joinville há três anos. Hoje pela manhã, a mãe corajosa trouxe a filha de 10 anos para participar da seleção. “Minha filha mais velha fez a seleção em Joinville. Ela foi aprovada e quis ficar. Mas não é fácil deixar uma filha longe e tão nova”, conta se referindo a menina que deixou a casa aos 14 anos.

Ao lado mãe, Laís aguardava ansiosa pela oportunidade da avaliação, mas estava segura de sua decisão. “Se eu passar, vou ter que deixar minha mãe”, disse.
“Não adianta enganar. Se ela quiser ir, se for a vontade dela, não tem porque eu segurar”, confirmou a mãe.

Olícia Galvão, 48 anos e o marido Jesus Aparecido, 52, estavam esperançosos no resultado de hoje. A filha Thabata de 14 anos era uma das pequenas sonhadoras dentro da sala. “Se ela for selecionada, vai ser um sentimento inexplicável, um orgulho imenso. Acompanhamos ela desde os três anos, quando ela começou a fazer balé”, disse o pai orgulhoso.

Um dos bailarinos da Escola Bolshoi, Valdenir Costa de Oliveira, 22 anos, que acompanhava atentamente cada uma das crianças, tem uma história de luta e superação. Devido ao talento, ele foi o único bailarino, até hoje, a ser aceito na companhia mesmo aos 19 anos. A idade limite para ingressar no Bolshoi é de 17.

Valdenir caminhava por mais de quatro horas para chegar à academia de balé, em Rondonópolis, Mato Grosso, onde descobriu a dança. “Nunca imaginei ser bailarino profissional. Fico feliz por agora em poder ajudar outras crianças”.

Aporte: Apenas com recurso da Fundação de Cultura do Estado, que arcou com as despesas de hospedagem dos bailarinos que vieram de Joinville, a iniciativa foi organizada e patrocinada pela empresa privada Gazetta Regional Editora Jornalística. O dono da empresa, Adalton, é pai da bailarina Cecília, que desde os 7 anos estuda na Escola de Teatro Bolshoi.

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