Cassilândia, Terça-feira, 27 de Junho de 2017

Últimas Notícias

30/06/2016 15:00

Bactéria da hanseníase se 'disfarça' de vírus e engana sistema imunológico

EPharma Notícias

A bactéria da hanseníase se "disfarça" de vírus para enganar o sistema imunológico e se espalhar com maior facilidade pelo corpo humano, aponta um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio.

A descoberta pode ajudar no desenvolvimento de vacinas e de novas terapias para a doença. Hoje, o tratamento com antibióticos é longo, mas consegue curar.

Conhecida no passado como lepra, a hanseníase é um doença de pele contagiosa –principalmente por saliva e secreções das vias aéreas – que pode também atacar o sistema nervoso periférico, os olhos e até outros órgãos.

O estudo é desenvolvido desde 2010 pela bióloga Anna Beatriz Robottom. Em sua tese de doutorado, ela mostrou que a Mycobacterium leprae, bactéria responsável pela hanseníase, libera partes de seu DNA ao infectar a célula de alguém.

Normalmente, ao identificar o material genético estranho, o sistema imunológico ativa os sistemas de defesa do corpo. Mas é aí que se encontra o segredo da hanseníase.

A liberação de DNA dentro da célula é um comportamento comum de infecções virais. Quando a hanseníase "finge" que se trata de uma infecção viral, o combate à doença é feito de maneira errada.

"A bactéria prepara aquele ambiente como se tivesse a capacidade de reprogramar o meio intracelular, tornando-o um nicho favorável à sua proliferação", diz Milton Moraes, orientador do estudo e chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz.

Em geral, quando um tipo de resposta imunológica é ativado, outras modalidades são inibidas. Por isso, ao tentar se defender de um vírus, o corpo fragiliza as barreiras contra bactérias.

A resposta do sistema imunológico é enviar enzimas para tentar quebrar o DNA viral que se encontra nas células. "Mas, como a bactéria tem uma parede espessa, a presença dessas enzimas não faz cócegas nela", disse Moraes.

Um dos pontos centrais no comportamento de defesa do corpo contra vírus, bactérias e até mesmo o câncer é a produção da molécula interferon do tipo 1. Os pesquisadores demonstraram que, no caso de infecção pela M. leprae, o interferon aumenta a atividade do gene OASL (central no controle da proliferação das bactérias nas células) e a eliminação do invasor é prejudicada. Isso significa aumento da viabilidade da bactéria dentro da célula.

Além ajudar a trazer novas formas de prevenção e tratamento da hanseníase, a pesquisa pode facilitar a compreensão de outras doenças que afetam o sistema nervoso. "As estratégias que levam ao dano neural muitas vezes passam por vias comuns. Se entendo o mecanismo da hanseníase, isso pode me ajudar a entender melhor o diabetes e as doenças de Parkinson e Alzheimer", diz Moraes.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica "Journal of Infectious Diseases".

MORANDO JUNTO

O IEDS (Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária) do Rio, conhecido como Hospital Curupaiti, começou a funcionar em 1928. O local serviu de colônia para pessoas com hanseníase até a década de 80, quando deixou de funcionar como hospital-colônia.

O preconceito pela doença e a ausência de reinserção social, porém, levaram à permanência de ex-pacientes na área.

Adriene Mendonça, diretora-geral do IEDS, disse que cerca de 3.500 pessoas residem na área comunitária do hospital – 300 deles são ex-pacientes e o restante, familiares.

São eles que cuidam dessa área, que se encontra bastante degradada. Há banheiros sem porta, por exemplo. Segundo a diretora, o hospital não tem ingerência sobre a ala e o Ministério Público está ciente de conflitos entre os moradores.

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Terça, 27 de Junho de 2017
Segunda, 26 de Junho de 2017
Domingo, 25 de Junho de 2017
15:50
Cassilândia
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)