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20/01/2016 13:43

Aulas começam hoje em Goiás, exceto em escolas ocupadas

Mariana Tokarnia - Enviada Especial

 

As aulas nas escolas estaduais de Goiás começaram hoje (20), exceto nos 25 colégios ocupados pelos estudantes. Os secundaristas receberam nesta manhã pais e alunos que pediam informações. Pelo Facebook, eles divulgam a programação para o dia e convidam a comunidade a saber mais sobre o motivo da manifestação.

A decisão de adiar o início das aulas foi comunicada na segunda-feira (18) pela Secretaria de Educação, Cultura e Esporte de Goiás (Seduce). Segundo a secretária Raquel Teixeira, um novo calendário será elaborado quando as escolas forem desocupadas e vistoriadas.

Ao todo, os alunos ocupam 26 escolas, mas o Colégio Estadual José Carlos de Almeida está inativo desde 2014. Eles protestam contra mudanças administrativas feitas pelo governo estadual, que decidiu repassar a gestão das unidades para organizações sociais (entidades filantrópicas privadas).

O Colégio Estadual Bandeirante foi ocupado no dia 14. Hoje, pais e alunos estiveram no local. Divino Antônio da Silva, pai de uma aluna do colégio esteve no local. "Não sabemos quando as aulas vão começar", disse ele.

Neiselar de Fátima, mãe de uma aluna, também esteve no colégio. "Vim aqui saber quando as aulas vão começar, estou preocupada. Minha filha está no 7º ano, um ano difícil. Não sou contra a ocupação, acho que tem muito problema mesmo na educação, mas os estudantes poderiam fazer isso nas férias, não é?", sugeriu. Neiselar foi recebida pelos estudantes, que a explicaram os motivos de estarem ali.


Falta de informação

"Falta muito informação. O governo não dialogou com a comunidade escolar. Agora, depois de lançado o edital, quer conversar?", indagou Ranilson Júnior, 17 anos, um dos ocupantes e estudante do Bandeirante. Os estudantes pedem que o governo suspenda o edital, publicado no final do ano passado e divulgado no início deste ano, e dialogue com a rede, explicando melhor o novo modelo.

Algumas das ocupações visitadas pela Agência Brasil estão fechadas para professores e diretores, mas em outras, como as da cidade goiana de Anápolis a entrada dos funcionários é permitida. As escolas estavam prontas para iniciar o ano letivo normalmente, mas após reunião com a Subsecretaria Regional de Educação de Anápolis, foi decido o adiamento das aulas.

A rede estadual tem mais de 1,1 mil escolas, segundo a Seduce. Nessas unidades, as aulas começaram normalmente. Em nota, a Seduce diz que o pleno funcionamento de escolas ocupadas é inviável, “haja vista que a direção não tem controle sobre o acesso à unidade". Aos alunos da rede que desejam iniciar o ano letivo cumprindo calendário, a Seduce oferece a alternativa de transferência para outras unidades escolares, solicitação que pode ser feita até sexta-feira (22).

Na semana passada, o Tribunal de Justiça de Goiás determinou a desocupação de três escolas públicas estaduais de Goiânia: a José Carlos de Almeida, a Lyceu de Goiânia e a Robinho Martins de Azevedo. Os estudantes começaram a ser notificados. O Governo de Goiás informa que pediu à Justiça a reintegração de posse de todas as unidades e aguarda retorno favorável a fim de normalizar a situação da rede estadual de ensino.

Organizações sociais

Pela proposta do governo estadual, organizações sociais deverão cuidar da administração e infraestrutura das escolas e poderão também contratar tanto professores quanto funcionários administrativos. O quadro atual de concursados será mantido, mas novos profissionais passam a poder ser escolhidos pelas organizações.

O projeto-piloto do novo modelo de gestão das escolas começará por 23 unidades da Subsecretaria Regional de Anápolis, que compreende também os municípios de Abadiânia, Alexânia, Campo Limpo de Goiás, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Goianápolis, Nerópolis, Ouro Verde, Petrolina de Goiás, Pirenópolis e Terezópolis de Goiás.

Segundo o governo, as escolas continuarão "100% públicas e gratuitas". O objetivo do novo modelo é aumentar a eficiência e melhorar a qualidade das unidades, que terão as estruturas aprimoradas e manutenção constante. Com a administração terceirizada, professores e diretores terão tempo para focar no trabalho pedagógico, diz o governo.

Para um grupo de estudantes e professores, a decisão foi tomada sem diálogo com a comunidade escolar. Eles acham que terceirizar a administração e a contratação de professores pode ser prejudicial para a escola, além de abrir margem para a desvalorização dos docentes e redução de direitos em relação à contratação por concurso público.

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