Cassilândia, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

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07/06/2009 07:04

Artigo: Retrospectiva da história política brasileira

Nelson Valente

CRISE REPUBLICANA

Golpe de 1891
Prometendo convocar novas eleições e fazer uma revisão na Constituição, Deodoro da Fonseca fecha o Congresso em 3 de novembro de 1891. Pressionado pela oposição é obrigado a renunciar vinte dias depois.

Guerra de Canudos
O líder messiânico Antônio Conselheiro funda no interior da Bahia o arraial de Canudos e defende a volta da monarquia. Depois de quatro expedições oficiais, a última delas enviada pelo Presidente Prudente de Moraes, em 1897, o governo consegue arrasar a cidade e matar Antônio Conselheiro.

Revolta tenentista
Na década de 20 explodem revoltas de militares insatisfeitos com as oligarquias da República Velha. Um de seus líderes é Luiz Carlos Prestes. Em 1924, os tenentistas tomam a cidade de São Paulo, mas são rechaçados por tropas do governo Arthur Bernardes.

Revolução de 1930
Nas eleições para a sucessão do Presidente Washington Luiz, Getúlio Vargas perde para o candidato governista, Júlio Prestes. Alegando fraude na votação, os getulistas promovem rebeliões em vários Estados até tomar o poder.

Suicídio de Vargas
No dia 5 de agosto de 1954, pistoleiros tentam assassinar o jornalista Carlos Lacerda, líder da oposição. Acusado de ter ordenado o atentado e pressionado por pedidos de renúncia, Getúlio Vargas suicida-se, no dia 24 de agosto (forças ocultas).

Renúncia de Jânio
Jânio Quadros assume a Presidência em janeiro de 1961. Condecora Che Guevara com a Grã-Cruz do Cruzeiro do Sul e, sem maioria no Congresso, enfrenta dura oposição a seu governo e às principais reformas. Renuncia em 25 de agosto (forças terríveis).

Revolução de 1964
Os militares depõem o presidente João Goulart em março de 1964. Em 1968, o Ato Institucional n° 5 fecha o Congresso e cassa o mandato de vários Deputados.

A morte de Tancredo
Tancredo Neves ganha a eleição para Presidente no Colégio Eleitoral, derrotando seu principal oponente, Paulo Maluf e em 1985. Morre antes de tomar posse e quem assume o governo é o vice, José Sarney.

Impeachment de Collor
Sem maioria no Congresso Nacional, isolado, Fernando Collor, envolvido em uma campanha de desmoralização, como aconteceu com Getúlio Vargas e Jânio Quadros, leva Fernando Collor a renunciar diante das "forças daltônicas" à Presidência da República. O Congresso Nacional recusa sua renúncia, porque havia um processo de impeachment contra o presidente Fernando Collor de Mello, o vice, Itamar Franco assume.







O LADO CARICATO DOS PRESIDENTES

O vaidoso
Campos Salles demonstrava preocupação excessiva com as roupas e a aparência pessoal. Seus inimigos o chamavam de "pavão" e baiacu" (um peixe quando tocado incha).

O dorminhoco
A conhecida sonolência de Rodrigues Alves desde que ele foi ministro da Fazenda de Prudente de Moraes, divertindo os caricaturistas que o retratavam de gorro e camisolão.

O azarado
Hermes da Fonseca tinha a fama de não ter sorte: "pé frio". Certa vez depositou o dinheiro de um empréstimo oficial num banco russo que foi encampado pela revolução socialista e nunca honrou o depósito.

O nepotista
O cearense José Linhares, que assumiu em substituição à Getúlio Vargas, em 1945, gostava de empregar a família no governo. Em três meses de mandato, nomeou tantos parentes que o povo dizia: "Os Linhares são milhares".

O dançarino
Juscelino Kubitschek merecia o apelido "pé-de-valsa". Adorava serestas e não era difícil que embalasse a noite toda, dançando até as 5 da manhã.

Domador de Massas
Ninguém na história deste País arrebatou multidões tão apaixonadas, mão levantadas em aplausos e tão plenas de esperanças quanto ele. Tudo era ao vivo. Suas maneiras de convencimento eram devastadoras. O comício era o grande cenário; ele, o próprio espetáculo. Ele foi o nosso primeiro e grande comunicador político a utilizar técnicas não convencionais. Carregava nos tons da voz, que levantava no exato instante os temas da paixão. Despertava o ódio, açulava a revolta, levando multidões ao delírio. Em seguida, suavemente dizia o que todos queriam ouvir: a mensagem salvadora. A multidão, aquele mar agitado, parava para escutá-lo, subjugada. Assim era Jânio da Silva Quadros.

O esportista
Fernando Collor de Mello andou de jet ski, comandou um avião de caça, pilotou uma Ferrari a 200km por hora. Também apareceu em público jogando futebol, vôlei, tênis e correndo.
O forreta
Fernando Henrique admite que é pão-duro. Antes das eleições de 1994, contou que não tinha óculos reservas, simplesmente, porque não gostava de abrir a carteira para pagá-los.


A atuação das esposas dos Presidentes revela a trajetória da mulher na sociedade brasileira. Eis algumas delas:

Ana Gabriela de Campos Salles – mulher de Campos Sales (1898-1902), sua preocupação eram os afazeres domésticos do Palácio do Catete.

Nair de Teffé – casada com Hermes da Fonseca (1910-1914), era avançada para o seu tempo. Jovem e elegante, estudou na França, tocava violão, frequentava bares, foi a primeira mulher a trabalhar como caricaturista na imprensa brasileira, gostava de teatro e música popular, promovia saraus no palácio.

Darcy Vargas – desempenhou papel social importante no governo de Getúlio Vargas (1930-1945- e 1951-1954), criando instituições assistenciais como a LBA – Legião Brasileira de Assistência.

Sara Kubitschek – apesar de manter as aparências protocolares, enfrentou brigas com Juscelino Kubitschek (1956-1961). Companheira leal, mulher de pulso forte, jamais perdoou as aventuras amorosas de JK.

Eloá do Valle Quadros – esposa e companheira de Jânio da Silva Quadros, ela o incentivou a ingressar na política. Foi Presidente atuante da LBA – Legião Brasileira de Assistência. Acompanhou a vida política de seu marido de vereador a Presidente e, mesmo doente, esteve presente em seu último mandato como Prefeito de São Paulo.
Segundo Jânio Quadros, foi D. Eloá quem o impeliu para a política. Ela foi sempre sua grande incentivadora. Jânio deve à D. Eloá e à sua mãe a vida pública. Ambas pareciam pensar pela mesma cabeça, pois, a concordância entre elas era absoluta. Sua mãe foi excelente e inesquecível.
Jânio gostava de contar como conheceu D. Eloá:
- "Meu pai era médico e há muitos anos foi atender uma menina que estava com crupe. Crupe era então, uma moléstia fatal. Os anos rolaram depois disso, eu não conhecia a menina em apreço. Certa vez, eu me encontrava na sacada de nossa casa, no alto do Cambuci, quando a menina, já mocinha, 16 ou 17 anos, entrou com os pais. Iam todos fazer uma visita aos meus. Estava uniformizada com o cordão roxo que marcava as quintanistas de ginásio. Eu me virei para um amigo que estava na minha companhia e lhe disse apenas: vou casar com esta moça. Desci, conheci-a, nosso namoro foi rápido, o noivado mais rápido ainda, cinco meses e casamos. Já nem sei há quanto tempo tenho estado casado. Porque me parece que já nasci casado. Eloá foi sempre muito bonitinha, mas muito bonitinha mesmo e conservou os traços de beleza até o fim da vida, embora os cabelos inteiramente brancos. Não envelheceu no rosto, só nos cabelos. Eloá foi sempre disciplinada, ordenada, uma excelente dona-de-casa. Ela sabia bordar, tecer e tocava piano muito bem, além de ter uma excelente conversa."
Jânio lecionava no Colégio Dante Aleghieri, um dos melhores e mais caros de São Paulo. Os alunos desejavam que ele participasse das eleições a vereador, e D. Eloá passou a empurrá-lo para que ingressasse na política, afinal ele foi eleito, mais adiante, antes que terminasse o mandato, ele foi eleito Deputado, depois prefeito da capital, candidato a Governador, eleito Deputado do Estado do Paraná e depois eleito Presidente da República.
Quando Jânio renunciou à Presidência da República, não deu explicações à D. Eloá. Ele ligou para o Palácio, pediu para que ela arrumasse as coisas pois ele já não era Presidente e que o encontrasse no aeroporto. Ela não fez nenhuma observação. De certo porque acreditava no marido e porque sabia que sem a perda da dignidade, da honra Jânio não poderia continuar.
Se Jânio permanecesse na Presidência, iria se prostituir e seria mais um Presidente. Não um ex-Presidente. Seria mais um.

Maria Tereza Goulart – mais jovem e mais charmosa primeira-dama da História do Brasil; chegou ao poder aos 23 anos – era comparada com Jacqueline Kennedy. Pouco afeita à política, subiu apenas uma vez num palanque com o marido. Foi num comício em março de 1964, antes do golpe que derrubou João Goulart (1961-1964).

Yolanda Costa e Silva – religiosa, mulher de Costa e Silva(1967-1969) apoiou com entusiasmo a campanha de setores tradicionalistas contra uma suposta infiltração comunista nos meios católicos. Adorava moda e promoveu desfiles no palácio do governo.

Rosane Malta Collor – mulher de Fernando Collor de Mello (1990-1992) era forte, influente, muito elegante e moderna.

Ruth Cardoso – professora de antropologia, mulher de Fernando Henrique Cardoso (1995- ) sempre zelou pela privacidade familiar e pessoal. Investe seu tempo no Comunidade Solidária, um programa social que beneficia os municípios mais pobres do país.

ECONOMIA

1890 – Encilhamento
Na tentativa de diversificar a economia, restrita até então à agricultura, Rui Barbosa, ministro da Fazenda do governo Deodoro da Fonseca, promoveu uma reforma financeira, com estímulo ao crédito e à emissão de dinheiro, que ficou conhecida como "encilhamento". O efeito é negativo: ocorre uma febre de especulação na bolsa e uma onda de falências empresariais.

1898 – Saneamento de Campos Salles
Para sanear as finanças da República, abaladas com os gastos efetuados para conter as revoltas ocorridas no interior do país, Campos Salles negocia um empréstimo externo de 10 milhões de libras. A austera política consegue equilibrar as contas do Tesouro, mas mergulha o País na recessão. Ao deixar o governo, o Presidente é vaiado pelo povo.

1930 – Crise do Café
A produção de café no Brasil sobe a 28 milhões de sacas anuais, o dobro do que comporta o mercado externo. Para manter o preço do produto, o governo Vargas compra o excedente da produção e queima os estoques.

1961 – FMI apertando o nó
Jânio manteve-se silencioso durante os três meses entre a sua eleição e a posse. Viajou para a Europa afastando-se da especulação sobre seus compromissos e programas.
Seus partidários reclamaram a prolongada ausência, achando que deveriam planejar um ataque ao caos econômico que as medidas adotadas por Juscelino, já no fim do governo.
O afastamento do Presidente eleito era típico do estilo político.
A situação financeira foi descrita como "terrível" – 2 bilhões de dólares de dívidas externas a serem pagas no seu período presidencial das quais mais de 600 milhões a serem saldados dentro de um ano. J. Quadros lamentou: "todo este montante esbanjado em tanta publicidade e que nós temos agora, que levantar pacientemente, dólar por dólar e cruzeiro por cruzeiro. Temos gasto, confiando no futuro, mais do que a imaginação ousa contemplar". Atacou a administração Kubitschek em seu "favoritismo e nepotismo administrativo" e criticou seu predecessor pelo enorme déficit federal previsto para 1961.
O governo Quadros lançou imediatamente um programa antinflacionário, mais completo, tentado desde 1945-55. Em março, Jânio Quadros anunciou uma reforma do sistema cambial, simplificando as múltiplas taxas e desvalorizando o cruzeiro em cem por cento. Verificou-se uma drástica redução de subsídios para importações, tais como trigo e gasolina, tendo dobrado o preço do pão, aumentado o preço do ônibus e outros transportes. O Presidente fez novos investimentos no setor exportador a fim de ajudar a superar a "insuficiência crônica das exportações" brasileiras. Essas reformas ajudaram para a aprovação do FMI, dando ao Presidente a renegociação das dívidas, coisa que Kubitschek não conseguira.
O novo Presidente começava então, a desenvolver o que pregara em sua campanha: uma restrição financeira dolorosa a fim de estabelecer as bases de um novo desenvolvimento. Embora a restrição de crédito, salários congelados e corte de subsídios de importação estivessem destinados a se tornar medidas impopulares, esse risco parecia possível dentro da euforia que cercava a área de Jânio no início de 1961.

1973 – Crise do Petróleo
Os países árabes produtores de petróleo, reunidos na OPEP quadruplicam o preço do barril. Os preços dos combustíveis disparam. O governo Ernesto Geisel investe no programa Pro-álcool.


1994 – Hiperinflação
Depois de 30 anos de inflação, o ministro da Fazenda de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, lança o Plano Real. As medida surtem efeito. Quatro anos depois, a previsão de inflação anual é de apenas 2%.

1998 – Crise Financeira
Seguindo-se ao estouro da Ásia, o colapso da Rússia provoca pânico nos mercados financeiros mundiais. Contra os ataques especulativos, o governo Fernando Henrique Cardoso eleva os juros a 50% ao ano, mas os dólares continuam fugindo do país.


RETROSPECTIVA

Na década de 40. A Segunda Guerra Mundial marcou toda a geração. A derrota do nazi-fascismo em 1945, após a explosão de bombas atômicas no Japão, acelerou no Brasil a queda da ditadura de Getúlio Vargas. Tem início a Guerra Fria entre os EUA e a URSS.
No Brasil é instituído o salário mínimo (1940). Em 1946, criação do FMI (Fundo Monetário Internacional). A Índia conquista a independência em 1947. Criação do Estado de Israel em 1948. Em 1949, Revolução Comunista na China.

Na década de 50. A invasão da Coreia do Sul pelos comunistas do Norte dá início à Guerra da Coreia (1950-1953), primeiro desdobramento da Guerra Fria. Nos EUA, começa o marcanthismo, ofensiva anticomunista. No Brasil, o nacionalismo getulista cede lugar ao desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek. Getúlio Vargas se suicida (1954); Juscelino Kubitschek é eleito presidente (1955) e governa tendo como slogan "50 anos em 5". Fidel Castro toma o poder em Cuba (1959).

Na década de 60. Renúncia de Jânio da Silva Quadros (1961). Os militares derrubam João Goulart (1964) e iniciam um regime de "força" no país, contra uma possível ditadura comunista no Brasil e na América Latina. Em 13 de dezembro de 1968, o presidente Costa e Silva, através do Conselho de Segurança Nacional, edita o AI-5, que fecha o Congresso e suspende direitos políticos. Fracassa a invasão da baía dos Porcos, pelos EUA (1961). Assassinato de Kennedy, presidente dos EUA (1963). Morte de Ernesto Che Guevara (1967).

Na década de 70. O país começa com a década sob o lema "Brasil, ame-o ou deixe-o" e termina com a volta dos exilados. Geisel inicia a abertura política (1974). EUA saem do Vietnã. Nixon renuncia após o Watergate.

Na década de 80. Os militares transferem o poder para os civis em 1985. Movimento pelas Diretas-já. Eleição de Tancredo Neves (1985). Jânio da Silva Quadros é eleito pela segunda vez em São Paulo à Prefeitura da Capital (1985). Eleição de Fernando Collor (1989). A queda do muro de Berlim. Fracasso do Plano Cruzado (1986) e o Brasil enfrenta sua maior recessão.

Na década de 90. Fernando Collor toma posse e sofre impeachment em 1992. Eleição de Fernando Henrique Cardoso (1994). Na economia, o Plano Collor (1990) a poupança dos brasileiros. FHC – Plano Real (1994) controla a inflação. O presidente Fernando Henrique Cardoso, consegue colocar o país nos trilhos do desenvolvimento e da comunicação. Sua diplomacia,suprimiu as barreiras comerciais e consolidou o processo de globalização na economia internacional. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso é reeleito por voto direto. Luiz Ignácio Lula da Silva é eleito Presidente da República. Lula é reeleito e ainda espera pelo Terceiro Mandato.



(*) é professor universitário, jornalista e escritor










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