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24/09/2007 13:49

Artigo: produção de leite em assentamentos de Corumbá

PRODUÇÃO DE LEITE EM ASSENTAMENTOS DO MUNICÍPIO DE
CORUMBÁ-MS


Por: Raquel Soares Juliano, Renata Graça Pinto Tomich,
Aldalgiza Inês Campolin, Aiesca Oliveira Pellegrin,
Roberto Aguilar Machado Santos Silva.

Na década de 80, as atividades agrícolas e a pecuária leiteira começaram a desenvolver-se nas regiões circunvizinhas às áreas urbanas dos municípios de Corumbá e Ladário, MS. Com a implantação do primeiro projeto de assentamento rural em Corumbá, em 1984, estas atividades foram intensificadas e os assentados passaram a fornecer vários produtos, tais como feijão, mandioca, hortaliças, leite e queijo artesanal, exercendo uma importante função no abastecimento alimentar dessa região.

No ano de 2002, pesquisadores da Embrapa Pantanal iniciaram um trabalho de investigação sobre aspectos sócio-econômicos e ambientais nessas comunidades, utilizando a metodologia do Diagnóstico Rural Participativo de Agroecossistemas. Em 2006 o INCRA identificou um total de 1.431 famílias distribuídas em oito assentamentos existentes, totalizando 6,4% da população de Corumbá e ocupando uma área de 35.989 ha.

Com a continuidade das pesquisas nesses assentamentos, verificou-se que este segmento caracteriza-se por apresentar animais de baixo potencial produtivo, com problemas relacionados à comercialização dos produtos, qualidade do leite, nutrição e sanidade dos animais, destacando-se a mastite como o principal problema sanitário. A ordenha é manual, realizada em geral uma vez ao dia, e os produtores carecem de orientações técnicas, que os capacitem a identificar, e solucionar suas dificuldades para melhorar a qualidade e lucratividade da produção leiteira nos assentamentos.

Sendo assim, a aplicação de boas práticas agropecuárias (BPAs) na bovinocultura de leite é uma alternativa para minimizar os riscos de agravos nas diferentes etapas do processo de produção do mesmo, além de ser uma exigência da instrução normativa 51, estabelecida pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento em setembro de 2002, que aprova os regulamentos técnicos de produção, identidade e qualidade do leite.

A parceria com técnicos da área de sociologia e extensão rural é fundamental na escolha do método mais adequado de apropriação de conhecimentos e tecnologias para essas comunidades, sendo fator imprescindível para o envolvimento dos assentados na adoção das BPAs. Entretanto, as BPAs devem fazer parte de um conjunto de ações destinadas a corrigir problemas, detectados pelos diagnósticos participativos realizados pelos pesquisadores, que interferem direta ou indiretamente nessa atividade pecuária.

Ciente da percepção dos produtores com relação à mastite bovina, seria conveniente a adoção de alguns procedimentos na rotina da ordenha dos animais:
1 - A imobilização adequada do animal (contenção da cauda), a lavagem e a desinfecção das mãos do ordenhador;
2 - Os tetos devem ser lavados em água corrente, desinfetados e secos com papel toalha. A desinfecção dos tetos também é feita após a ordenha;
3 - Recomenda-se a realização de teste da caneca telada diariamente e CMT (Califórnia Mastite Test) quinzenalmente para detecção de animais com mastite;
4 - Faz-se necessário estabelecer linha de ordenha, iniciando com as vacas primíparas, seguidas pelas vacas sem histórico de mastite e depois as vacas com histórico de mastite e/ou com exame positivo de CMT. As vacas com mastite clínica devem ser ordenhadas e tratadas separadamente.

Outras práticas higiênicas também podem ser adotadas contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade do leite, melhorando a renda da comunidade local e garantindo fornecimento de alimento seguro para o consumidor local.
_______________________________________
Raquel Soares Juliano (raquel@cpap.embrapa.br) é médica veterinária, Dra. em ciência animal; Renata Graça Pinto Tomich (renatatomich@hotmail.com) é médica veterinária; Aldalgiza Inês Campolin (alda@cpap.embrapa.br) é pedagoga, M.Sc. em educação; Aiesca Oliveira Pellegrin (aiesca@cpap.embrapa.br) é médica veterinária, Dra. em ciência animal; Roberto Aguilar Machado Santos Silva (rsilva@cpap.embrapa.br) é médico veterinário, M.Sc. em patologia animal; são pesquisadores da Embrapa Pantanal.

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