Cassilândia, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

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22/04/2009 07:57

Artigo: O jovem e o "toque de recolher” em três cidades

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves*

O “toque de recolher” é a nova tentativa que três municípios do interior de São Paulo – Ilha Solteira, Itapura e Mirassol – implantaram a partir da última segunda-feira (20/04) para evitar a escalada de atos anti-sociais envolvendo menores, que hoje desvirtuam seu encaminhamento social e moral, com sérios prejuízos à família e à sociedade. As autoridades destas localidades merecem cumprimentos pela iniciativa corajosa. Mesmo entendendo que, sozinha, a medida não seja a solução para o problema, inegavelmente, é um bom começo e traz à discussão a inadiável e necessária questão da imposição de limites aos jovens e da responsabilidade familiar.

Dificilmente o “recolher” poderá ser aplicado com a mesma eficiência em todas as cidades. Ilha Solteira, com 24 mil e Itapura, de 4 mil habitantes, conseguiram estabelecer três faixas de tolerância( jovens de até 13 anos recoler-se às 20h30, de 15 às 22 e de 17 às 23 horas), mas Mirassol, de 51 mil habitantes, só fez uma, todos às 232 horas.. Outras, maiores, inclusive a capital, infelizmente, por motivos localizados, poderão nem conseguir impor o limite.

Mas, mesmo que encontrem dificuldades para controlar através do Poder Judiciário os seus jovens e adolescentes, os municípios maiores não devem ignorar que o problema existe e, cada dia mais, exige medidas urgentes que remetam para a solução. O quadro só tem piorado desde que o mundo caminhou para a perigosa onda liberalizante e a legislação e costumes brasileiros retiraram gradativamente a autoridade da escola, e a também indispensável energia dos pais para educarem seus filhos, que ainda foram proibidos de trabalhar, mesmo como aprendizes.

A família, que outrora estabelecia rígidos limites para suas crianças e jovens, hoje está impotente e amedrontada, pois uma palmada ou as reprimendas que antigamente eram comuns hoje são consideradas como crimes dentro da sociedade hipócrita em que vivemos. O resultado é essa legião de jovens desempregados e desnorteados com o excesso de liberdade e a falta de oportunidades, que não sabem para onde ir e nem onde terminam seus direitos e começa o respeito aos direitos dos outros. Que, por conta da liberalidade forçada pelos novos tempos, acabam desassistidos das próprias famílias, incapazes para controlá-los e – convenhamos – muitas vezes hoje chefiadas por adultos que, quando jovens, também passaram pelo problema.

Os exemplos das três cidades paulistas devem, antes de tudo, servir de significativo alerta e reflexão para os governos e a sociedade de que algo tem de ser feito para encaminhar e proteger nossos jovens. Não basta reprimir a família dita agressora. Há que se criar condições para que pai e mãe possam educar seus filhos e encaminhá-los para o rumo certo e socialmente aproveitável. Não basta supri-los de bolsa-escola e outras benesses sociais e eleitoreiras, sem exigir que o pátrio poder seja exercido e que todos cumpram com suas obrigações. Isso vale também para o engajamento neste processo das igrejas, clubes e demais entidades integrantes da comunidade. Afinal, todos somos responsáveis pela manutenção de uma sociedade justa, equilibrada e ordeira... Vale até a velha citação migrada do trânsito: “Não faça da liberdade ao jovem uma arma; a vítima pode ser você”.



Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves* – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br




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