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18/08/2010 19:08

Artigo: O empobrecimento do debate

Prof. Alexandre Prado*

Na imprensa brasileira e em muitos livros país afora estão descritos e comparados dois períodos distintos vividos pelo Brasil: a ditadura da década de 1960 e a redemocratização da década de 1980. Afora visões particulares e outras até simplistas, a importância destes dois fatos é inegável e todos os seus desdobramentos são históricos. E uma das conseqüências da redemocratização foi justamente o restabelecimento do voto, a forma mais marcante de nossa república federativa.

Juntamente com a possibilidade de votar, adquirimos também uma enorme responsabilidade: sermos donos do destino de nosso país. Como Collor foi eleito na primeira eleição pós-ditadura, ficou a impressão de que realmente o povo brasileiro não estava de fato preparado para votar, ou talvez até estivesse, mas nossas instituições fiscalizadoras ainda não exerciam seu papel como deveriam. Em qualquer visão que se tenha do fato, a conquista do direito ao voto participativo fundamenta, desde então, a forma como os candidatos aos mais variados cargos tentam ganhar a confiança do eleitor.

O desenvolvimento da internet e dos meios de comunicação em geral acabou por criar uma fartura de possibilidades aos candidatos, embora as formas mais tradicionais de campanha ainda se mostrem eficientes. Também os debates foram elevados a um grau de importância estratégica, tanto para os candidatos quanto para os eleitores. E os debates entre candidatos devem ser analisados á parte, principalmente depois de 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente da república.

Em primeiro lugar, qual o propósito de um debate? Inicialmente, pensa-se em uma oportunidade de reunião entre candidatos para que possam expor suas idéias e seus planos para o futuro. Claro, assim como os eleitores, os postulantes também sabem que se trata de uma boa hora para o confronto. Nada demais até ai, mas as coisas complicam no momento em que as idéias se resumem simplesmente entre ser da situação e ser da oposição.

Em 1998, FHC foi reeleito presidente pelo trabalho que havia sido desenvolvido por ele anteriormente, assim como Lula, em 2006. O problema é que as realizações pessoais destes dois grandes presidentes terminaram por ai. Cada um deu a sua contribuição. Mas parece que eles ainda assombram o pensamento dos brasileiros, pois são evocados a todo momento, para o bem ou para o mal. E é justamente essa dificuldade em esquecer os dois que empobrece o debate da campanha atual.

Para quem assistiu o encontro da TV Bandeirantes e mais recentemente o da Folha/UOL pôde perceber que os debates nunca foram de um nível tão ruim. Onde estão as idéias, os projetos? Marina Silva falando apenas de meio ambiente e se sentindo um pouco desconfortável com outros assuntos. José Serra falando em saúde, o tempo todo, e mostrando mais uma vez a sua biografia. No fim, Dilma, sentada na garupa de um presidente popular, tentando (e pelo jeito conseguindo) mostrar que a sua candidatura não é superficial, construída totalmente por marqueteiros.

Enfim, nunca os projetos e idéias foram tão esquecidos pelos candidatos quanto agora. O empobrecimento do debate provavelmente se deve ao fato de políticos com luz e inteligência próprias estarem em falta. Assim, enquanto perdemos tempo, vamos deixando nosso sistema republicano mais fraco, apesar de consolidá-lo a cada dia.



Alexandre Prado8
Turismólogo, com MBA em administração e marketing.
Mestrando em Geografia pela UFMS.
Professor Universitário.

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