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24/10/2007 09:53

Artigo: Melhoramento genético da raça nelore no pantanal

Embrapa Pantanal

MELHORAMENTO GENÉTICO DA RAÇA NELORE NO PANTANAL

Por: Urbano Gomes Pinto de Abreu, Antonio do Nascimento Rosa,
Carlos Antônio Lopes de Oliveira.

A criação de gado bovino no Pantanal foi iniciada há quase três séculos, com a introdução de gado de origem européia (Bos taurus), vindo do Paraguai. Este contingente bovino, após se adaptar às condições do meio ambiente local, veio a formar o tipo crioulo denominado Tucura ou Pantaneiro. No início do século XX iniciou-se a introdução de gado zebu, de origem indiana (Bos indicus), que foi facilitada pela construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em 1914. A partir de então, por meio de cruzamentos contínuos, as raças zebuínas absorveram praticamente toda a população original do Tucura.
Assim, o tipo de gado hoje existente no Pantanal é zebuíno, cuja base é formada pelas raças Gir, Guzerá e Indubrasil, principalmente das primeiras introduções, e pela raça Nelore, a partir dos anos 60. Atualmente, o rebanho pantaneiro apresenta predominância da raça Nelore, embora sejam registradas algumas iniciativas com relação ao uso de raças compostas e de cruzamentos entre raças européias e zebuínas. A população total é de aproximadamente 3,8 milhões de cabeças, sendo 2,8 milhões no Pantanal de MS e 1 milhão no Pantanal do MT.
Estima-se que são necessários para o Pantanal aproximadamente 27.000 touros/ano, admitindo-se que estes touros tenham uma vida útil de 5 anos, em média. Parte desta demanda (25%) é atendida pela utilização de touros “pontas-de-boiada”, ou seja, touros que se sobressaem na boiada comum, por apresentar alguma suposta superioridade sendo, por conseguinte, de valores genéticos questionáveis. Outros reprodutores (4%) são produzidos em plantéis, ou rebanhos de raça pura, mantidos no Pantanal geralmente sem controle e/ou registro genealógico. Além dos touros “pontas-de-boiada” e dos plantéis de seleção locais, outra fonte de reposição de touros é constituída por rebanhos de seleção criados em diversas fazendas localizadas no Planalto. A partir destas fazendas, bem como em leilões e exposições realizadas na região, os tourinhos são adquiridos e transferidos para o Pantanal nas mais diferentes idades.
No novo ambiente, as altas temperaturas, as cheias e principalmente a baixa disponibilidade e qualidade periódica das pastagens nativas constituem fontes de estresse para os animais observando-se, freqüentemente, perda de peso, redução do crescimento, diminuição da libido e até morte, em decorrência de um complexo de subnutrição e inadequação ao meio. Estas observações indicam haver respostas adaptativas de intensidade variável, conforme a idade do animal. Além disso, suspeita-se da atuação da interação genótipo versus ambiente, ou seja: a possibilidade de que a expressão do genótipo possa ser alterada, conforme os efeitos do meio ambiente sobre o animal. Ocorrendo na prática, esta interação pode se constituir em um fator complicador no processo de compra de animais de outras regiões para serem introduzidos no Pantanal.
Por outro lado, há relatos de experiências que indicam a associação da adaptabilidade, medida pelo escore da condição corporal, a características tais como altura e peso à maturidade dos touros, que podem variar entre linhagens ou biótipos, dentro da mesma linhagem. Além disso, touros Nelore “pantaneiros”, ou seja, provenientes de rebanhos de seleção dentro do próprio Pantanal, têm apresentado resultados os quais, em comparação com os de animais importados do planalto, apontam para a possibilidade de sucesso em programas de seleção na própria região.
Neste contexto, a Embrapa Pantanal em conjunto com a Embrapa Gado de Corte e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) – Unidade Universitária de Aquidauana vem desenvolvendo, desde 2004, projeto intitulado “Análise do efeito da interação genótipo x ambiente (IGxE) sobre características de produção da raça nelore no Pantanal” com financiamento do Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (FUNDECT). Os principais objetivos do projeto são, testar a interação touro x local (Planalto e Pantanal) para características adaptativas e de crescimento, indicativa da interação genótipo x ambiente; e testar touros de diferentes biótipos quanto a aspectos de adaptabilidade à região e de produtividade de seus produtos, em recria e engorda.
O trabalho, em parceria com produtores pantaneiros, vem sendo desenvolvido nas fazendas Nhumirim (Pantanal da Nhecolândia-MS), Nhuvaí (Pantanal da Nhecolândia-MS), Iguaçu (Pantanal de Aquidauana-MS) e Rosilho (Pantanal de Poconé -MT). São utilizadas, respectivamente, 120, 150, 300 e 200 vacas dos rebanhos comerciais de cria, perfazendo o total de 770 matrizes para o estabelecimento de plantéis de seleção, com suporte do Programa Embrapa de Melhoramento de Gado de Corte – Geneplus (Figuras 1 e 2). As variáveis monitoradas nos meses de maio e outubro de cada ano, por ocasião dos chamados “trabalhos de gado”, são pesos corporais e escore de conformação frigorífica dos produtos, perímetro escrotal, nos machos, e escore da condição corporal das matrizes adotadas pelo programa Geneplus. Estes escores, avaliados a partir da análise da estrutura, cobertura muscular e de gordura refletem, além da habilidade de produção de carne, a adaptabilidade dos animais ao meio ambiente.
A avaliação e quantificação da interação genótipo x ambiente é fundamental para identificação dos biótipos de touros Nelores quanto a aspectos de adaptabilidade à região e de produtividade de seus produtos, na recria e engorda. A identificação e seleção das linhagens mais adaptadas ao Pantanal contribuirão decisivamente para a sustentabilidade econômica e ambiental dos sistemas pecuários regionais.

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Urbano Gomes Pinto de Abreu (urbano@cpap.embrapa.br) é pesquisador da Embrapa Pantanal, Antonio do Nascimento Rosa (arosa@cnpgc.embrapa.br) é pesquisador da Embrapa Gado de Corte e Carlos Antônio Lopes de Oliveira é docente da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

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