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14/04/2005 14:00

Artigo: Língua portuguesa, inculta e bela!

Alcides Silva

Falares de Portugal I

Não existe uma língua brasileira; há uma língua portuguesa falada no Brasil, diversificada da falada em Portugal, mas respeitando a mesma gramática. Há diferenças de conceito das palavras na língua falada, na língua do povo, tanto em Portugal como no Brasil. O que aqui se classifica como feminino de bicho, lá tem o significado de fila. ‘Final da fila’ é o rabo da bicha. Pila é o nome com o qual as crianças tratam o órgão sexual masculino (para os gaúchos, é o dinheiro); pipi, o órgão sexual feminino (para nós, o xixi); picas, o cobrador do ônibus (aquele que perfura as passagens); cacete é o nosso pãozinho francês (para a maior parte da população brasileira, picas e cacete são sinônimos de pênis); punheta (aqui, masturbação masculina) lá é o prato de bacalhau cru, desfiado à mão; putos que em grande parte do Brasil é nome que se dá aos homossexuais, no linguajar do povo português são os pré-adolescentes; broche, aqui adorno que as mulheres usam como jóia, lá é o sexo oral praticado pela mulher; trombado, é o feito pelo homem; e desabrochar, o clímax do orgasmo, que aqui significa o abrir de uma flor; fita-cola é o nosso durex; durex é o nome de um preservativo masculino.
O vocábulo ‘pensar’ além da acepção de refletir, raciocinar, em Portugal tem uma significação popular expressiva: pensar é “aplicar a uma ferida, (a pessoa ou animal que a tem), o curativo, os remédios necessários” (“Dicionário Prático Ilustrado”, de Jayme Séguier, publicação da Editora Lello & Irmão, Porto, Portugal, 1947). Penso, que aqui é exclusivamente forma verbal, lá, além disso, também é substantivo e, aí, é o nosso curativo; penso rápido é o ‘band-aid’ e penso higiênico é o absorvente íntimo, o tampão vaginal...
Nossa goma de mascar, o vulgaríssimo ‘chiclete’, lá se chama de pastilha elástica. ‘Cangalheiro’ que aqui é o condutor de carro-de-boi, o que leva os animais nas cangalhas; lá é o funcionário da funerária, aquele que dirige o carro fúnebre. Estendal é o nosso corriqueiro varal, onde se secam as roupas. Ficha é o plugue, a nossa tomada elétrica. O estilingue é a fisga; o apontador é o apara-lápis; o ‘mouse’ é o rato; rato, tramelo; os retalhos que sobram das costuras chamam-se gatos; gato, tareco, palavra que também serve para designar o sujeito irrequieto, buliçoso. Aqui, capachinho é um tapete pequeno, de fibras grossas, que se põe às portas, para limpeza das solas dos sapatos; lá, é o nome popular que se dá à peruca, à cabeleira postiça.
Carocha é o besouro, melgas são os pernilongos; a lagartixa preta tem o nome de sardanisca (no Brasil é a mulher deslambida); a lagartixa branca (a que vive grudada nas paredes) chama-se osga, palavra de origem árabe. Aliás, dessa língua originaram-se mais de mil palavras usadas tanto em Portugal, como no Brasil, principalmente as iniciadas por al. Por falar nisso, almeida, que no Brasil é sobrenome de ilustres famílias, em Portugal é o gari (no árabe, al-maida significa ‘guarda’). Alface (do árabe al-khass) lá também é verdura, mas alfacinha é o nome que se dá ao lisboeta, pessoa que mora em Lisboa.
Enchido é a lingüiça; chouriço não é aquele embutido feito com sangue de porco, gordura e temperos, mas o rolo de pano, cheio de areia, que se coloca por baixo da porta; por chouriço também é conhecido o nosso salaminho; piripiri (no Brasil, uma espécie de periquito, conhecido também como periquito-urubu), lá é a pimenta malagueta; pimento, o pimentão; ementa, o cardápio; cachorro é o sanduíche aqui conhecido como cachorro-quente, mas também pode ser a peça que aparenta sustentar os beirais de telhados, as sacadas etc. (o animal, é chamado de cão); sandes, palavra feminina e no plural, é o sanduíche.

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