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25/02/2010 07:06

Artigo: Lembranças de Viagens de Carlos Pulino

Carlos André Prado Pulino é médico oftalmologista em Cassilândia (MS)
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VENEZA I

Já estive em Veneza várias vezes e, em cada uma delas, percebi diferentes nuances e descobri mais detalhes sobre esta apaixonante cidade.
Veneza é uma cidade única, não existe outra no mundo. Várias cidades usam o nome Veneza, numa referência a ela, justificando a quantidade de água à sua volta: assim, temos a Veneza do Norte, São Petersburgo, na Rússia; a Veneza do Brasil, Recife, e algumas outras, mas nenhuma se compara à Veneza italiana.
Veneza não segue a lógica de uma cidade normal. Aliás, de comum, ela não tem nada, por isso mesmo vale falar um pouco sobre ela para que se tenha uma idéia do que é esta cidade. Ela foi construída sobre 118 ilhas originais e tem mais de 180 canais, num total de mais ou menos 50Km de extensão. Está situada na região do Vêneto, no nordeste da Itália, e é banhada pelo mar Adriático. Suas ruelas seguem o rumo dos canais, num verdadeiro emaranhado. Mesmo com mapa, você se perde facilmente por elas, pois são cheias de curvas e nos fazem perder o senso de direção. Mas, longe de ser um contratempo, perder-se pelas ruas de Veneza é sempre surpreendente e agradável. A cidade já foi uma das maiores potências marítimas da Idade Média, além de importante centro de intercâmbio comercial e cultural com o Oriente. Um filho ilustre de Veneza, desta época, foi o viajante Marco Pólo que, junto com seu pai e um tio, foram os primeiros ocidentais a percorrer a Rota da Seda. Os relatos detalhados de suas viagens pelo Oriente, incluindo a China, foram durante muito tempo uma das poucas fontes no Ocidente, a respeito da Ásia.
Veneza está unida ao continente por uma rodovia e uma linha férrea. A maior concentração demográfica se verifica na área industrial da faixa continental. O transporte urbano se faz, sobretudo através de embarcações, como barcos táxi e gôndolas. Os barcos são grandes, como ônibus, e vão parando nos pontos, onde ocorre um intenso entra e sai de passageiros. Barcos do corpo de bombeiros e lanchas da polícia também transitam ao lado das tradicionais gôndolas a remo. Embora haja acesso rodoviário à antiga cidade insular, em seu interior não se permite o tráfego de automóveis, e nem daria, pois as ruas são super estreitas e sinuosas. Na minha primeira ida a Veneza, cheguei de trem, na estação Santa Lucia ou Veneza Términi, desembarcando na parte insular da cidade, após atravessar uma ponte de mais ou menos 4Km de extensão. Chegamos bem cedinho, era inverno e estava muito frio. Mesmo trajando pesados casacos, luvas, cachecol, gorro, perneira, meias de lã e botas, era preciso apressar o passo e andar em ritmo acelerado para suportar a temperatura tão baixa.
Caminha-se quase sempre pela sombra, pois os edifícios e residências, na maioria com dois ou mais pisos, são uns colados aos outros, não há quintal entre eles, e as ruas estreitas demais, umas com não mais de 2metros de largura, nos impedem de ver o sol e o céu. Consegue-se ver uma nesga de céu somente olhando bem para cima, e ele aparece como uma estreita faixa azul entre as paredes e telhados das construções de um lado e outro das ruelas. Achei muito estranho morar num lugar em que não se vê o firmamento, acostumados que estamos a espaços tão amplos e abertos em nossas cidades. Como o ideal para conhecer Veneza é caminhar sem rumo pelas ruas, fomos andando sem destino, apreciando os canais, encantados com as gôndolas coloridas, descobrindo em cada ruazinha um encanto, ora uma vitrine chique numa loja, ora a parede de uma casa toda ornamentada de flores e trepadeiras, ora sentindo o cheirinho delicioso das paneterias, onde a gente parava para um chocolate quente e um delicioso croissant, que reanimavam e aqueciam. Estas duas iguarias italianas são tão gostosas, que só de lembrar, chega a dar água na boca de vontade de prová-las outra vez. Nosso destino, como o de todo turista, era a famosa Praça de São Marcos. Passando o tempo, já se notava a cidade acordando e o movimento de pessoas aumentando. Logo, as ruelas estavam pequenas para tantos turistas seguindo para o mesmo destino. São famílias inteiras, grupos em excursão, mochileiros, a gente vê todo tipo de pessoas, roupas estranhas e cabelos de todas as cores e cortes esquisitos, muito piercing, alguns parecem uma árvore de Natal enfeitada de tanto metal e brilho no rosto e orelhas. Engraçado como, em Veneza, principalmente os jovens gostam de usar chapéus, muito coloridos, grandes, no estilo da época medieval. Dão um toque de alegria ao ambiente. Com a seqüência da caminhada, a expectativa vai aumentando, vamos cruzando outros canais, sempre atentos aos detalhes das casas, das pessoas, enfim a tudo. Depois de muito andar, chegamos finalmente à Praça de São Marcos: é o único local aberto, com prédios nos quatro lados, e sintetiza tudo o que se ouve, lê, e se espera dela antes de conhecê-la. Parece muito grande a princípio porque as ruas são muito estreitas, mas não passa de 100m de comprimento por 60m de largura. Chama a atenção, uma construção em tijolo aparente, que é o Campanário, a Torre do Relógio, as galerias de lojas finas e a Basílica de São Marcos. É uma das mais exóticas catedrais da Europa, possui uma surpreendente coleção de mosaicos bizantinos na fachada e em seu interior, formando pinturas enormes, todas feitas de milhares de pequenas pastilhas. É indescritível a emoção que nos causa a visão da praça. A igreja tem uma fachada tão linda, que a gente fica um tempão olhando para ela e só depois se dá conta do resto das coisas. Havia, na frente dos restaurantes que circundam a praça, pequenos palcos elevados, com músicos e seus instrumentos, que logo começaram a tocar aquelas músicas mais lindas deste mundo, músicas eternas em beleza e harmonia, que nos faziam arrepiar de emoção e era impossível impedir as lágrimas de aflorarem aos nossos olhos. Um ambiente mágico e inesquecível guardados para sempre no coração e mente de todos que ali estavam. Um dos lados da Praça de São Marcos prolonga-se até o Grande Canal, onde ficam as famosas gôndolas, os gondoleiros aguardando no cais o momento de sair remando com os turistas e cantando as canções populares da Itália, exatamente como vemos nos filmes. Muito romantismo, por isso Veneza é muito procurada por casais em lua de mel.

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