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02/09/2010 13:34

Artigo: Legado de um pai

Bruna Girotto
Toninho do Rádio, pai do advogado Alexandre Bastos, faleceu semana passada aos 69 anos Toninho do Rádio, pai do advogado Alexandre Bastos, faleceu semana passada aos 69 anos

O advogado Alexandre Bastos escreveu um artigo emocionante sobre a história de vida de seu pai Antônio Bastos, mais conhecido como \"Toninho do Rádio\". O escritório de Alexandre, que fica em Campo Grande, é conhecido no Estado pela atuação em causas tributárias e administrativas, atendendo a Câmara Municipal de Cassilândia. Confira o artigo:


LEGADO DE UM PAI

Foi-se o Toninho do Rádio!
Partiu com a mesma discrição que viveu.
Viveu para si e para os outros como se o fardo da vida nada pesasse. A vida foi-lhe moleca, leve, travessa.
Baiano da região de Castro Alves, nasceu, brincou e nadou no Porto da Passagem, nas margens do Rio Paraguaçu.
Preparou a “carcaça” com muito leite de cabra, que lhe manteve firme durante os longos anos em que foi fumante.
Retirante do sertão seguiu seu pai, Simplício, num dos muitos paus-de-arara que levavam “baianos” para o Eldorado Paulista.
Teimoso, insistia em não ser ajudante de pedreiro; trabalho que restava para “gente que nem ele”.
Sonhou em usar camisa de manga e gravata, e ser “técnico eletrônico” da fábrica que lhe empregou como pedreiro. Deu certo.
Aprendeu o ofício que lhe faria viajar por todo o Brasil e boa parte da América do Sul.
Levou comunicação nos difíceis tempos em que telefone era artigo de luxo, e só o bom e velho “rádio amador” dava voz ao Brasil Rural.
De tanta intimidade com os antigos rádios SSB’s, tornou-se o principal técnico da saudosa empresa AVOTEL, e, de tantas viagens nesse mundão de meu Deus, quis o destino que o Mato Grosso fosse sua rota mais freqüente. Acabou vindo de vez, por convite do Seu Ênio (José Ênio Martinez).
Por aqui, ainda sob as sombras da CIA Mate Laranjeira, desbravou quase como um “Rondon”, o sul, o norte, e, especialmente o Pantanal, levando voz nas mais distantes fazendas e retiros.
Andou de trem, chalana, a cavalo e, sobretudo de teco-teco.
No Pantanal, encalhou muitas vezes andando naquelas toyotas bandeirantes que tremiam mais que vara verde!
Serviu, com orgulho, aos grandes nomes que desbravaram o agronegócio nestas terras pantaneiras: de Eduardo Metello a Paulo Coelho Machado; Atílio e Oscar Tenuta, José Cândido de Paula, João e Abílio Leite de Barros; Alcira e Alcindo Balbuena; Osvaldo Arantes, João Carlos Marinho Lutz, José Barbosa e Joaquim Barbosa, Marcelo Figueiredo, Rachid Bacha, Edmar Pinto Costa, Nelson e Nilson Cintra e outros tantos nomes que cresci ouvindo meu pai falar.
Ao tempo em que foi artífice da comunicação no Mato Grosso Uno e do Sul, criou nossa família com seu labor honesto e simples.
Sua oficina não tinha portas. Não enganava o “fazendeiro” nos consertos que fazia. Se o caso era simples, como o defeito de um simples “resistor”, que hoje custaria parcos 3,00 ou 4,00 reais, nada cobrava. Não subtraia as famosas válvulas “6146”, que custavam quase o preço do rádio.
Subia em prédios, montava torres, instalava antenas.
O Toninho do Rádio tinha orgulho de ser honesto. Tinha orgulho de mostrar seu verdadeiro serviço.
Dava “voz” aos negócios, às fazendas, quando a extinta TELEMAT sequer conseguia colocar telefones para todos nas cidades.
Com sua simplicidade, formou-me em direito e viu-me Advogado. Fez de minha irmã formosa mãe e missionária. Sobre o primeiro filho “mandioqueiro” da família, vibrou ao vê-lo Zootecnista. Mas a bondade do Criador ainda permitiu-lhe gerar seu caçula, Antônio Filho, que, criança, pôde viver seus nove anos sob seu carinho e cuidado.
E, como bom Baiano, adorava a mistura de cheiros, gostos e cores, tanto que findou os dias em fraterno convívio com a família paraguaia de sua dedicada Olga.
Não deixou amarras, só saudades.
Legou-me a honestidade por princípio e por orgulho.
Foi-se o Toninho do Rádio.
Morreu meu amado Pai.
Câmbio... desligo ...!

Alexandre Bastos

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