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11/09/2012 16:46

Artigo - Enurese noturna: o famoso xixi na cama

Dra. Maria Cristina de Andrade

Popularmente conhecida como xixi na cama, a enurese noturna é uma condição na qual uma criança que já possui controle de sua bexiga quando acordada, urina quando dorme. Este problema costuma provocar alterações psicológicas, tanto na criança como em sua família. Crianças que sofrem esta condição têm baixa autoestima e podem ser afetadas em suas relações interpessoais, na qualidade de vida e até no desempenho escolar. Pediatra especializada em nefrologia infantil, Maria Cristina de Andrade explica que as crianças conseguem controlar suas bexigas em diferentes idades, tendo, em geral, um controle diurno mais precoce do que o noturno – que neste último caso, costuma ocorrer entre os 2 e 5 anos de idade.

A especialista ainda explica que a enurese noturna é classificada como primária (ENP) ou secundária (ENS). “Na primária, a criança nunca permaneceu seca durante a noite. Em contrapartida, se já controlou pelo menos 6 meses sua bexiga à noite e então começa a urinar na cama, esta condição é então denominada enurese noturna secundária, que pode estar relacionada à casos psicológicos e condições médicas adquiridas”, diz a profissional da MBA Pediatria.

A médica ressalta ainda que o prognóstico para crianças que sofrem enurese noturna depende da causa. Quase todas se livram de fazer xixi na cama, mesmo sem tratamento, quando não existe uma doença de base.

Incidência e Prevalência

A enurese noturna é mais comum no sexo masculino e sua prevalência declina durante a infância. Aproximadamente 23% das crianças de 5 anos de idade, 20% das de 7 anos, 4% das de 10 anos, e 1 a 2 % das de 18 anos ou mais fazem xixi na cama. A enurese noturna secundária é responsável por aproximadamente 25% de todos estes casos.

Causas e Fatores de Risco

A enurese noturna tem várias causas, sendo que três situações são evidentes: a necessidade de urinar à noite, a ausência de um sinal que permita a criança acordar para fazer xixi e a incidência significantemente mais elevada em filhos de pais que foram enuréticos ou são noctúricos (acordam à noite para urinar). Crianças cujos pais ou irmãos sofreram enurese noturna têm um risco maior de desenvolvê-la. Se um dos pais teve o problema, o risco é aproximadamente 45% e, se ambos os pais tiveram enurese, o risco será de aproximadamente 75%.

A pediatra Maria Cristina de Andrade explica também que a enurese noturna secundária pode ser causada por fatores psicológicos como, por exemplo, morte na família, abuso sexual, ameaças ou intimidações extremas. “O xixi na cama é geralmente associado ao estresse, mas pode também ser resultado de uma doença como diabetes, constipação intestinal e apneia obstrutiva do sono”.

O diagnóstico de enurese noturna é feito quando ocorre perda urinária involuntária regularmente durante o sono em uma pessoa que controla bem a urina quando acordada. A causa da condição pode ser diagnosticada através de anamnese e de um exame físico abrangente, que inclui avaliação de causas psicológicas e emocionais, ingestão de alimentos e líquidos (especialmente no fim do dia), freqüência urinária e volume de urina diurna, histórico do sono (hora em que a criança vai para a cama, adormece e acorda; profundidade do sono; hora em que faz xixi na cama; presença de roncos e pesadelos) e períodos sem enurese e em que circunstâncias acontecem.

A nefrologista pediátrica contextualiza que vários testes diagnósticos também podem ser executados para se determinar a causa do xixi na cama. “Estes exames são reservados para pacientes nos quais uma anormalidade física ou uma obstrução são suspeitados. O exame de urina é feito para se detectar cistite, infecção do trato urinário (ITU), obstrução uretral, diabetes e outras possíveis causas físicas”, reforça Maria Cristina.

As metas do tratamento são a redução do impacto social e psicológico da disfunção e a eliminação de sua causa básica. Os tratamentos incluem a modificação do comportamento (reforço positivo, despertar periódico, restrição de ingestão de líquidos, terapia de alarme), medicação e até cirurgia, em casos de apeia do sono (*Nota) e uretér ectópico - inserção do uretér fora da cavidade continente de urina.

Quando iniciar o tratamento:

Considerando que a enurese noturna primária é uma situação benigna deve-se sempre dar preferência a um tratamento isento de efeitos colaterais. Um tratamento precoce permite evitar os prejuízos sobre a auto-estima da criança. A idade ideal de se iniciar um tratamento é individual, depende da maturidade da criança e do nível de tolerância familiar. As intervenções comportamentais podem ser iniciadas antes dos cinco anos de idade e a terapêutica medicamentosa específica a partir dos 6 anos de idade.

A enurese, assim como eventuais sinais e sintomas associados, deve ser sempre pesquisada na consulta pediátrica, pois se sabe que mais de 50% das crianças com enurese noturna não recebem nenhum tipo de acompanhamento médico e são vítimas de métodos punitivos ou de interpretações inadequadas.
“É importante gerenciar a enurese noturna, reduzir o constrangimento da criança e suas ansiedades frente aos familiares. As modificações de comportamento geralmente levam a noites secas dentro de curto período de tempo”, conclui Dra. Maria Cristina.

Dra. Maria Cristina de Andrade:
Autora do livro “Nefrologia para Pediatras”, mestre e doutora em pediatria pela Unifesp/EPM, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com área de atuação em Nefrologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Pediatria.

Com estágio no exterior como parte da pós-graduação pela Pediatric Nephrology Service da University of California – Los Angeles (UCLA), a Dra. Maria Cristina atua desde 1998 como nefrologista pediátrica do Hospital São Paulo (Unifesp), orientando residentes de pediatria e de nefrologia pediátrica. Também atua como nefrologista pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP). É professora adjunta do departamento de pediatria do curso de medicina da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), com atividades didáticas na graduação.


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