Cassilândia, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

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05/08/2012 07:51

Artigo: Educação ao telefone

Por Luiz Carlos Amorim

A nossa educação anda caindo pelas tabelas mesmo. A educação brasileira tem decaído muito, nos últimos tempos, e isso tem refletido nas últimas gerações. É claro que não é só a escola que deve dar educação as nossas crianças, isso deve começar em casa, mas se os pais não tiveram uma boa educação, como poderão passar para seus filhos uma educação decente?

Eu fico pasmo com o uso do celular em público, de uma maneira geral. Em qualquer lugar que a gente esteja, tem sempre alguém falando ao telefone, às vezes falando tão alto que atrapalha quem está por perto, esteja fazendo o que quer que seja: conversando, lendo, até pensando. Parece que as pessoas não se importam em expor a sua vida particular, não têm o menor problema em evidenciar a pouca educação, falando palavrões a altos brados, pormenorizando situações íntimas que ninguém tem interesse em saber.

No ônibus, então é um terror. Sempre há um cristão – às vezes mais de um ao mesmo tempo – falando tão alto ao telefone que todo o ônibus pode ouvir. E o pior é que não é uma coisa rápida. Alguns ficam no telefone desde que entram no ônibus até saírem dele. Fica-se sabendo tudo da vida de uns e outros, mesmo que absolutamente não interesse a ninguém. Porque se houver alguém que se interesse, coisa boa é que não resultará disso.

Então fico pensando, cá com meus botões: que necessidade é esse que as pessoas têm, de expor e impor a sua vida a terceiros? Cadê a educação, a discrição que deveria lhe ter sido ensinada, cadê o bom senso? Deveriam, no mínimo, ter a preocupação de não incomodar os vizinhos à volta, que todos têm o direito de viajar em paz.

Aqui em Florianópolis proibiram de ligar a música no celular ou outro aparelho sem o fone de ouvidos, pois estava virando bagunça: um ligava a música mais alto do que o outro e os usuários eram obrigados a ouvir música de gosto duvidoso, com qualidade de som horrível e muito alto. Deveriam proibir, também, de falarem ao telefone como se quisessem ser ouvidos pelo interlocutor não pela transmissão das antenas, mas pelo alcance do som da própria voz.

Tenho esperança de que a educação brasileira melhore, daqui para frente, e que tenhamos as novas gerações com uma postura mais coerente e digna diante da vida, diante do próximo, diante de tudo. E que essas mazelas e outros desrespeitos passem a ser coisa do passado.

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Sobre o autor: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 32 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de mais de 50 livros.
Foi eleito a Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes e ocupa a cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras.
Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA. e autor de 27 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo, italiano -, além de colaborar com vários portais de informação e cultura na Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de Letras, etc.

Leia o blog Crônica do Dia, em
Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

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