Cassilândia, Domingo, 27 de Maio de 2018

Últimas Notícias

05/03/2010 14:24

Artigo: Dedo-duro ou salva-vidas?

Creso de Franco Peixoto (*)

Radares com leitor de padrão entram em operação, os dedos-duros. Concentram-se na Grande São Paulo. Aferem velocidade veicular e reconhecem caracteres alfa-numéricos da placa, nível tecnológico dos detectores de infração ao rodízio paulistano. A novidade? Dedos-duros se interligam a bancos de dados, verificam pagamento de IPVA. Mas são radares que evitam graves acidentes, em que o excesso de velocidade e ingestão de álcool são os principais atores. Evitam dilapidar a economia. Destruir veículos e mobiliário viário. Destruir pessoas.

A tecnologia tem provido constante evolução aos radares: fixos, móveis ou deslocáveis; com laços embutidos no pavimento ou com câmeras inteligentes. Mas, para minimizar acidentes graves, outras ferramentas são necessárias: o atual Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e campanhas educacionais. A publicação do CTB em 1997 ameniza a tragédia brasileira. Salva mais de 10 mil vidas por ano. A novela volta a ser mais trágica que o nosso trânsito. Este grupo de ações só não foi mais eficiente porque o CTB foi publicado com deficiências. O veto ao artigo 56 evita salvar milhares de vidas de motociclistas que correm entre filas de automóveis. A flexibilização da suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para excesso de velocidade superior a 20%, de 2006, ajudou a reverter tendência de redução de mortos.

A principal deficiência? Educação. O motorista brasileiro não crê na sinalização. É recorrente a indisciplina. Mantenha a velocidade limite e observe a elevada quantidade de veículos que o ultrapassam. Freie no amarelo e veja a reprovação às suas costas. Estatísticas comprovam. Concessionária paulista conta redução de 80% em mortes, mas não mais de 25% de acidentes, após equipar a rodovia. O motorista reduz a velocidade onde há radar, mas cruza faixa dupla contínua, anda colado no veículo da frente. Há generalizada opinião de que o radar serve para arrecadar. Escondido, amplia esta sensação. Comercializa-se até sistema antirradar em modelos de navegadores.

Uma ótima campanha educacional tem sido efetivada em alguns Estados: sinaliza-se a presença de radar à frente, denominando-o salva-vidas. Pronto, o caminho da compreensão deste equipamento está traçado. Ótima campanha educacional.

O de infeliz apelido, dedo-duro, distingue veículos irregulares na massa contínua de lata que se transformou o trânsito mundial. Parece não dar vantagem ao motorista contribuinte, apenas recursos para o Estado. Contudo, o poisé, o velho mal mantido, não estaria mais às 18h30 na avenida dos Bandeirantes, de São Paulo. Quebra e para a cidade. Seu dono sabe que, em caso de blitz, adeus! Porque gastar com manutenção? Deixa quebrar.

Seriam retirados de circulação mais de um milhão de veículos somente da Grande São Paulo. O trânsito fluiria. Fluiria. O que falta? Pátio para toda esta massa veicular. O que precisa? Lei que permita rápida expropriação veicular, resguardado o direito ao proprietário. Findo o processo, casco veicular para reciclagem. Perda de economia popular? Seu proprietário perde o veículo se provado que deve mais que o valor do casco. Outra solução? Transformar o casco em bônus para pagar parte do carro novo. O financiamento mais barato seria compensado com a redução de custos de congestionamento. Montadoras também devem participar, têm interesse em renovação de frota. E teríamos uma frota poluindo menos.

(*) Creso de Franco Peixoto é engenheiro civil, mestre em Transportes e professor do Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário da FEI ( Fundação Educacional Inaciana)




Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Domingo, 27 de Maio de 2018
Sábado, 26 de Maio de 2018
14:57
Cassilândia
10:00
Receita do dia
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)