Cassilândia, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

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13/03/2008 09:35

Artigo de Rogério Tenório de Moura

Rogério Tenório de Moura

O JORNAL E A PRÁTICA PEDAGÓGICA

É mais que público e notório aos companheiros de jornada minha especial afeição pela linguagem jornalística, afinal semanalmente nos encontramos neste espaço para colocarmos em baila os mais variados temas, sobretudo, Educação, é claro, dada minha formação acadêmica. Justamente por isso trago ao nosso encontro desta semana um assunto ligado a ambas as áreas, creio tratar-se de assunto de interesse de muitos leitores, sobretudo dos meus colegas professores de Língua Portuguesa, o que, em definitivo, não exclui ninguém da discussão, uma vez que todos estamos de uma forma ou de outra ligados à Educação, seja diretamente, seja indiretamente por meio de filhos ou sobrinhos.
Os textos jornalísticos são mais adequados para melhorar o aproveitamento das aulas de Língua Portuguesa, tanto nas produções de texto, quanto na parte gramatical e interpretação dos mesmos, do que os textos literários, que vêm, desde muito tempo, sendo a principal fonte de pesquisa e trabalho e que não vêm demonstrando resultados muito benéficos com os alunos.
Os textos jornalísticos possuem uma linguagem bem mais acessível que um texto literário, que é repleto de palavras complexas, principalmente aos jovens.
A utilização de textos jornalísticos torna muito mais fácil para o estudante desenvolver, por exemplo, uma produção de texto sem erros de construção, de ortografia e o mais importante: é uma maneira de deixar o jovem informado sobre os acontecimentos atuais no mundo sem que eles precisem “devorar” jornais, revistas e a televisão. Não que ler e assistir aos noticiários não seja importante, mas sim que ele pode, ao mesmo tempo, aperfeiçoar suas produções de texto, aprender gramática, estimular a criatividade e se informar sem sair da escola.

“ A crise do ensino de Língua portuguesa se prende, entre outros fatores, à permanência do uso exclusivo do texto literário em sala de aula.”

Quem afirma o trecho acima é Maria Alice Faria em seu livro “O jornal na sala de aula”, segundo ela, os textos literários não servem mais de padrão nas escolas, pois eles contêm uma linguagem atrasada, a qual não pode continuar sendo mero pretexto para o ensino da língua.
Não podemos afirmar que os textos jornalísticos enquadram-se perfeitamente ao português padrão tão idealizado, porém podemos dizer que tais textos, por possuírem uma linguagem simples e um grande poder de persuasão, conseguem mais resultados com os jovens que os textos literários.
O jornal, como sabemos, é pouco utilizado em sala de aula e, quando utilizado é de forma mecânica que não estimula a criatividade e o senso crítico do estudante.
Não podemos colocar a culpa exclusivamente sobre o professor, que deixa de utilizar certos mecanismos mais estimulantes, pois geralmente esses professores possuem idéias e tentam colocá-las em prática, porém, não encontra auxílio de materiais e nem coordenação que na maioria das vezes a escola nem conta com esse tipo de profissional. O professor sente-se então inseguro e despreparado para trabalhar certas práticas em sala de aula.
A utilização do jornal nas atividades curriculares da escola ainda não se constitui prática costumeira nem trabalho pedagógico consistente.
Mas o que não há mesmo é um despertar para a possibilidade de uso, uma busca de alternativas que facultem o aproveitamento das matérias jornalísticas pelos professores.
Nossa vivência como profissional da área permite-nos afirmar que quando o jornal aparece nas atividades de sala de aula é, geralmente, para recorte de palavras com a finalidade de se fixar noções de gramática, ou como fonte de pesquisa em recomendações vagas, padronizadas: “procurem em jornais e revistas”, ou ainda em uso familiarizado pelo aluno: recortes de gravuras, notícias, reportagens etc., para ilustrar e apresentar trabalhos individuais ou em grupo ao professor e, mais raramente, ao grupo classe. Esses trabalhos, em geral, carecem de comentários orais para o professor e demais colegas. Comumente, são expostos nas paredes da sala de aula e corredores da escola. Em regra, constituem-se como atividades mecânicas. Quase sempre não se cobra do aluno nem mesmo o entendimento do que supostamente leu, e o trabalho redunda numa apresentação muda de recortes de gravuras e textos.
Não basta, por exemplo, incentivar somente o gosto pela leitura, é primordial que se desenvolva nos alunos a capacidade de bem interpretar o que lêem, num processo que chamaremos de amadurecimento da leitura crítica.
Ler o jornal, para muitos dos alunos entrevistados, significa dedicar-se a uma seção específica, que pode compreender apenas as notícias esportivas, ou de lazer, ou mesmo horóscopo.
Sem uma proposta de utilização de periódicos, sem material em mãos, sem incentivo da coordenação escolar nem momentos de discussão para se estabelecer um plano de trabalho com o jornal em sala de aula, o professor sente-se inseguro no uso desse material que poderia, na prática, constituir uma fonte revitalizadora do conteúdo curricular.
As discussões suscitadas em sala de aula nas reflexões sobre matérias de jornais permitem aos alunos, pela leitura crítica, o desenvolvimento da consciência da cidadania. Essa percepção crítica requer, no entanto, um trabalho mais amplo e consistente que não dispensa o texto literário.
Compete à escola fornecer aos alunos os instrumentos para se tornarem leitores críticos não só de textos, mas do mundo que os cerca. Fazê-los perceber que os jornais não são neutros nem puras informações. As idéias neles veiculadas expressam os interesses e ideologia dos seus editores, colaboradores e, principalmente, de seus patrocinadores.

Rogério Tenório de Moura
é licenciado em Letras pela UEMS,
especialista em Didática Geral
e em Psicopedagogia pelas FIC.




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