Cassilândia, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

Últimas Notícias

27/05/2008 10:58

Artigo: Cumbaru no Pantanal

Carolina Ramos Costa Alvarenga e Marçal Henrique Amici Jorge

O Brasil abriga aproximadamente 22% das espécies vegetais do planeta, o que significa uma riqueza de biodiversidade inigualável.
O Pantanal é uma planície sedimentar inserida na bacia do rio Paraguai, integrando áreas territoriais do Brasil, Bolívia e Paraguai, a qual é considerada uma das maiores áreas do planeta de alagamento contínuo. Por apresentar uma grande complexidade e diversidade de ambientes, nessa área é encontrada uma vegetação heterogênea que é influenciada por quatro biomas: Floresta Amazônica, Cerrado (predominante), Chaco e Mata Atlântica, com cerca de 1.800 espécies de plantas. O ciclo hidrológico e a dinâmica hídrica da região, representadas principalmente pela alternância de períodos de secas e de cheias, são condicionantes ambientais que garantem a alta biodiversidade e mantém o funcionamento ecológico de toda região. O endemismo é praticamente ausente, provavelmente devido ao fato da planície ser geomorfologicamente recente.
A região possui uma extensa variedade de árvores, arbustos, subarbustos e ervas. Muitas das espécies são utilizadas pela comunidade local para diversas finalidades. Dentre a grande diversidade de espécies encontradas, o cumbaru (Dipteryx alata Vogel, Leguminosa: faboideae), também conhecido por pau-cumbaru, fruta-de-macaco, cumarurana, barujo, coco-feijão, castanha-de-burro, baru e garampara, assume um papel importante, pois além de possuir um alto valor madeireiro.
Na fazenda Nhumirim, pertencente a Embrapa Pantanal, localizada na sub-região da Nhecolândia, foi observado a presença da planta em sua extensão. Através de um levantamdento realizado em janeiro/2008 sobre a distribuição espacial da espécie, utilizando o procedimento sistemático com parcelas de tamanho definido lançadas ao longo de um transecto em quatro linhas da grade ecológica, foram encontrados 27 indivíduos em dois hectares amostrados. Desse total, somente 3 indivíduos apresentaram DAP maior que 10 cm. O restante era plantas em regeneração.
Observou-se que a espécie apresentou distribuição agrupada em determinados tipos de vegetações onde sua incidência foi maior em solos férteis, nas áreas de cerradões e matas.
De acordo com o conhecimento popular local, a planta é muito utilizada na fabricação de mourões para construção e manutenção de cercas, devido ao fato da madeira ser bastante densa e resistente a fungos e cupins. Em razão do crescimento relativamente rápido, da qualidade e da resistência de sua madeira, o cumbaru é muito utilizado em reflorestamentos. O fruto e a semente (amêndoa) são comestíveis, atraindo a fauna de mamíferos (morcegos e roedores) e de insetos (coleópteros). Os bovinos também se alimentam do fruto e das folhas, principalmente na época da estiagem. Sua casca, sementes (óleo extraído das amêndoas) e folhas possuem propriedades medicinais, sendo utilizada na medicina popular e com grande potencial para ser utilizado na indústria de fitoterápicos.
A devastação da vegetação brasileira, em razão da exploração desordenada e sem critérios técnicos, tem colocado em risco de extinção várias espécies de valor comercial. Segundo o IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e IUCN - International Union for the Conservation of Nature and Natural Resources, o cumbaru já consta como espécie ameaçada de extinção nos cerradões do planalto central, embora no Pantanal ainda ocorra com freqüência.
Sendo assim, a Embrapa Pantanal reconhece a necessidade de estudos que contemplem a ocorrência, a propagação e a produção de mudas do Cumbaru, fundamentais para se obter conhecimentos específicos sobre preservação, estabelecimento e utilização econômica da referida espécie, garantindo-se assim recursos para gerações futuras e atingindo a sustentabilidade.


__________________________________________________
Carolina Ramos Costa Alvarenga (carolcaster@gmail.com) é aluna de graduação da UNILAVRAS, Lavras, MG. Marçal Henrique Amici Jorge (marcal@cpap.embrapa.br) é pesquisador da Embrapa Pantanal, Doutor em Fitotecnia.


Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
Últimas notícias
Scroller Top
Domingo, 11 de Dezembro de 2016
10:00
Receita do dia
06:04
Fotogaleria
Sábado, 10 de Dezembro de 2016
10:00
Receita do dia
Sexta, 09 de Dezembro de 2016
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)