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08/02/2011 14:25

Artigo: Contabilista no topo do prestígio

*José Maria Chapina Alcazar

A constatação é das empresas que buscam profissionais no mercado, as chamadas “caçadoras de talentos”. Cada vez mais as organizações procuram executivos da área contábil, tendência internacional que revela a importância dessa categoria profissional para a eficácia dos empreendimentos. Para nós, que militamos na área, a procura de quadros especializados em contabilidade ou de consultorias de serviços contábeis de comprovada competência não constitui novidade.

Há tempos identificamos que, em cenário de economias interdependentes e globalizadas, que estão a exigir decisões complexas, organizações de todos os portes e setores não podem abrir mão de profissionais como os contabilistas, eis que de seus conhecimentos dependem o acerto de decisões em áreas essenciais como a
financeira, a tributária e a de controles, para citar algumas que são cruciais no sistema produtivo das Nações.

Várias empresas de recrutamento de executivos, aqui e no exterior, realizaram
pesquisas que confirmam a tendência. Uma das mais completas foi feita pela
Consultoria Robert Half, que ouviu cerca de 1.900 responsáveis pela contratação nas
empresas, em dez países. Na síntese de seu levantamento, concluiu que, no primeiro
semestre de 2011, nada menos de 36% dos consultados pretendem aumentar suas equipes
de executivos no Brasil, sendo que perto de 40% justamente na área da contabilidade.

O interessante é a análise que pesquisadores da Robert Half fazem para explicar a
ampliação dessa demanda em nosso País. O contabilista, no Brasil mais do que em
outros países, é hoje um quadro estratégico para todas as áreas das corporações.
Basta pinçar a planilha de nossa carga tributária, seguramente uma das mais elevadas
do mundo. O Brasil, como potência emergente, exige que os nossos especialistas se
obriguem a uma constante atualização nas áreas fiscal e tributária, para acompanhar
os prazos, as normas, decretos e regras de todos os calibres. O desafio que se impõe
é o de criar sintonia com a velocidade das mudanças ou, em outros termos, conectar a
antena com a tecnologia do conhecimento.

Não por acaso, as empresas que, conforme mostram as pesquisas, pretendem se instalar
no Brasil em breve, têm dificuldade em entender a complexidade do ambiente fiscal e
tributário nacional. Isso ocorre, principalmente, com executivos estrangeiros em
posição de comando. O contabilista, assim, deixa de ser um mero técnico para assumir
a posição estratégica de aconselhamento, vital para a tomada de decisão de
investidores, diretores e altos executivos.

Há ao menos duas conclusões a extrair desses fatos. A primeira é particularmente
benfazeja: o contabilista é um profissional cada vez mais valorizado e, hoje, sua
atuação pode ser comparada com a do advogado como operador do Direito e a do médico
na área da Saúde. É por isso que propugnamos por vários anos e aplaudimos a decisão,
tomada em 2010, de se fazer retornar, por força de Lei Federal, a obrigatoriedade do
Exame de Suficiência, reconhecimento oficial de que o profissional de contabilidade
reúne a capacitação exigida por um mercado em crescente expansão. Assim, mais do que
uma exigência, trata-se de valorizar os conhecimentos de nossos profissionais.

A outra conclusão deriva da anterior. Mais do que nunca, o contabilista – executivo
de empresa, empreendedor da área, jovem em início de atividade ou já maduro, não
importa – está obrigado a se reciclar a cada dia, a considerar seu mister um
aprendizado permanente. Esta atitude é fundamental não apenas porque vivemos um
momento no qual a carreira deste profissional está em alta. Ela é mais do que
necessária para consolidarmos, no mercado e na sociedade, a noção de que nossa
atividade mudou de patamar e sua valorização deve ser prioritária em todos os
empreendimentos que almejam sucesso nesses tempos de competitividade acirrada e
busca de produtividade.



*José Maria Chapina Alcazar é empresário, presidente do SESCON-SP - Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo, da AESCON-SP – Associação das Empresas de Serviços Contábeis e coordenador do Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor.



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