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02/04/2012 11:41

Artigo: As rotas do Caminho de Santiago de Compostela

Por Antoin Khalil

Muitos, ao ouvir falar no Caminho de Santiago pela primeira vez, imaginam tratar-se de um percurso no Chile, nosso país vizinho cuja capital tem o mesmo nome. Mas ao contrário do que parece, Santiago de Compostela está localizado na Espanha. Para complicar um pouco mais, existem vários caminhos para se chegar até lá. O que há em comum entre eles é apenas o ponto de chegada, a milenar cidade de Santiago de Compostela, na Galícia. Lá se encontra a catedral de mesmo nome, depositária dos restos mortais de Tiago Maior, um dos doze apóstolos de Jesus.


Cumprindo o mandamento de Jesus, de espalhar a boa nova “até os confins da Terra”, o intrépido Tiago chegou a pregar na parte mais ocidental do mundo conhecido, solo que, segundo a tradição, acabou por lhe dar sepultura. O local exato caiu no esquecimento, vindo a ser descoberto na primeira metade do século IX. Ao correr a Europa, a notícia gerou um fluxo migratório junto à cristandade. Tocar as relíquias do santo era passaporte para curas milagrosas e o perdão dos pecados.


As pessoas iniciavam a peregrinação a partir da porta de suas casas. Muitos saíam de Portugal; outros da França, Inglaterra ou mesmo da Alemanha. Os perigos a enfrentar eram muitos, não apenas naturais (intempéries, doenças, animais selvagens), mas também relativos a salteadores. Não por acaso, uma das finalidades da Ordem Templária era proteger os peregrinos. Com o passar do tempo, foram fixando-se rotas de peregrinação até Santiago, onde se construíram hospitais, pontes, igrejas e pequenos povoados.


Portanto, o chamado “Caminho de Santiago” possui diversas ramificações, todas convergindo para Compostela. Temos o Caminho Francês, o Primitivo, o Português, o Aragonês, a Via de la Plata, o do Norte, dentre muitos outros.



O Caminho Francês é o mais importante e concorrido de todos. Se tomarmos como ponto de partida a cidade de Saint Jean Pied de Port, no extremo sul da França, serão mais de 800 km até Santiago. Ao sair de Saint Jean, o peregrino é obrigado a enfrentar, logo no primeiro dia, a dura travessia dos Pirineus. Os que negligenciam a preparação física podem comprometer aí o plano de alcançar Compostela.



Cerca de 80% dos peregrinos fazem o Caminho Francês, não sendo obrigatório sair de Saint Jean. Numa relação dinâmica entre demanda que gera estrutura, e estrutura que atrai demanda, é o percurso com maior oferta de serviços, sendo recomendado àqueles que vão peregrinar pela primeira vez. Já os peregrinos experientes costumam optar por rotas alternativas e hoje menos saturadas.



Conhece-se, por exemplo, pelo nome de Caminho Primitivo o que une Oviedo a Melide, num total de 261 km. O nome “primitivo” deve-se ao fato de ser o caminho com referências históricas mais antigas. Com a descoberta da tumba, o rei Afonso II, de Astúrias, saiu de Oviedo rumo ao local do sepulcro. Por iniciativa dele, foi construída a primeira capela devotada ao culto do apóstolo. De Melide a Santiago segue-se pelo Caminho Francês, completando-se um total de 314 km.



O Caminho do Norte, por sua vez, como o nome indica, percorre a região setentrional da Espanha (costa cantábrica), saindo de Irún e chegando a Arzúa, cidade que também faz parte do Caminho Francês. Daí até Santiago são mais 39 km, num total de 823 km.



O peregrino deve portar consigo um documento fornecido pela Igreja Católica, a chamada credencial do peregrino. Em São Paulo, pode ser obtida junto à Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela (ACACS-SP), na Vila Mariana. A credencial é uma espécie de passaporte. Ao apresentá-lo, a pessoa se identifica como peregrina e ganha direito a se hospedar em albergues dedicados exclusivamente a este público (alguns gratuitos, mas na maioria mediante pagamento). É na credencial que o peregrino vai colhendo carimbos ao longo do Caminho. Sua apresentação, na secretaria da Catedral de Santiago, comprova o cumprimento da peregrinação, dando direito à Compostela, um certificado oficial, escrito em latim.



Se ao ler este artigo você sentiu algum “chamado”, pode ter uma certeza: embora seus pés ainda estejam em solo brasileiro, o Caminho já começou para você. Procure informar-se sobre os diversos roteiros. Há variações topográficas, de extensão, infraestrutura e até orçamentárias. Os Caminhos até Santiago são muitos, mas há um que é exclusivamente seu. As vibrações de seu coração lhe dirão qual é.



Antoin Khalil é advogado e membro da ACACS/SP - Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela.

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