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29/07/2012 21:10

Artigo: Aprendizagens do amor e da dor

Cidinha Marsal

Há no meio da religião, nas conversas, nos livros, uma frase que certamente é bem conhecida de todos: “Quem não aprende pelo amor aprende pela dor.” Essa frase retrata bem a realidade que vivemos, uma vez que estamos em uma experiência de aprendizagem, desde o momento que nascemos até o último suspiro em nossa vida carnal. Porém posso lhes dizer que a aprendizagem do amor também é a da dor. Retrato 1983, onde comecei aprendendo pelo amor: aprendi a contemplar olhos azuis, comer com faca e garfo, a socializar-me, aprendi o valor de um real, que na época nem sei se era REAL já, aprendi também que não podia mentir, aprendi a ser mãe, a fazer planos, a ser ambiciosa, a gostar do canto de pássaros belgas, fui aprendendo dia a dia a ser professora, mulher, mãe, aprendi que mesmo não confiando numa pessoa eu precisa ser amiga, aprendi a me olhar no espelho, a passar batom, a falar inglês, português, e que eu precisava estudar. Fui aprendendo por anos que o amor era incondicional, que meu lar tinha a paz que eu precisava e que minha cama não era lugar de discutir relação e que assim eu construía um castelo onde eu pudesse sonhar, seguindo aprendi também a me encantar pela mente humana. Aprendi por muitos anos, através do amor, que eu era mais amada do que amava e esse aprendizado foi “me retardando”. Em 2007 começou meu aprendizado pela dor, aprendi a chorar sozinha, a tomar psicotrópico, a querer e não poder, aprendi que eu não mais sabia o valor de um REAL, aprendi a ver um castelo desmoronando, que a ausência dos belgas me fazia falta, que meu trabalho tinha sido uma grande conquista e eu perdi, aprendi que eu não era polivalente, nem lia mente. Ia aprendendo a expressar minha dor nas escritas, olhar a lua e ver São Jorge, ver desenhos nas nuvens, sentir o cheiro da chuva, que gente nem sempre é gente e que dirigir nem era tão bom quanto pensava. Aprendi a fazer meu orçamento sozinha, a ser solteira, a ter insônias intermináveis e sonhos descartáveis e molhar o travesseiro nas noites de solidão. Os anos vão passando e a aprendizagem da dor continua... aprendi que amor era aquele que vivi, que colho rosas somente quando planto rosas, a fazer meu imposto de renda sozinha, a ter que olhar na porta da geladeira quando vence as contas...aprendi quanto vale uma companhia leal, um amor real, a dor da traição, que as lágrimas caem sem que a percebamos.
Às vezes me surpreendo perguntando: o que eu estou fazendo nessa vida? Parece que vim aqui só pra sofrer? As respostas para estas perguntas são simples, pois aprendi a viver coisas lindas no amor e evoluir na dor..como se fosse uma continuidade de minha passagem por aqui...
Preciso ainda buscar a capacidade de compreensão dos acontecimentos e exercitar a paciência.
Tenho momentos de medo e de insegurança, não acreditando em minha capacidade de resolver os problemas. Assim, logo começo a lembrar-me do inicio (1983), onde o amor era uma sala de aula, e hoje ainda também o é. Logo aprendemos amando e odiando a nós mesmos, tudo é uma sequência lógica e insana, onde não há ganhador, tampouco perdedor....Ganhei e perdi...mas evolui
Todas essas opções de escolha irão determinar hoje ainda qual o caminho devo seguir: Do amor ou da dor? Ah! Os dois....assim continuo no processo de evolução e crio uma nova frase: APRENDEMOS NO AMOR E NA DOR....
CIDINHA MARSAL
PSICOLOGA-RH E MARKETING


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