Cassilândia, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

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14/09/2007 15:00

Artigo: agricultura urbana em Corumbá

Alberto Feiden / Edécio Burguês de Andrade Junior / Alexandre Vasconcelos Cavassa

As palavras “agricultura” e “urbano“ sempre significaram coisas opostas. No entanto, nos últimos anos começou-se a ouvir a expressão “agricultura urbana”. A expressão é reconhecida pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação) e refere-se a pequenas áreas situadas dentro de uma cidade e destinadas a cultivos e criação de pequenos animais (acordo com a legislação de cada país), para consumo próprio ou para venda em mercados locais.

Na verdade pode-se falar em várias agriculturas que ocorrem dentro do perímetro urbano, e que se diferenciam pelo tamanho de exploração (desde propriedades médias nas periferias das cidades até plantios em vasos nas sacadas de apartamentos), objetivo da atividade (produção comercial, complementação de renda, reinserção social, resgate e preservação cultural, atividade de lazer, busca por alimentos mais sadios, entre outros), origem (atividades espontâneas de agricultores, projetos privados ou governamentais), tecnologia empregada, etc.

Em muitas partes do mundo contribuem de forma significativa para a segurança alimentar das populações periféricas. A produção urbana de alimentos é muito importante na China, foi fundamental para a sobrevivência de Cuba após o fim da URSS e está se ampliando nas periferias das grandes cidades de toda América, inclusive nos Estados Unidos.

A iniciativa, muitas vezes parte de organizações não governamentais ou instituições públicas, que procuram organizar populações carentes e incentivá-las a implantar hortas, em geral comunitárias, com objetivo de assegurar o auto-abastecimento ou a geração de renda através da comercialização. Estas iniciativas têm alcançado diferentes graus de sucesso, alguns positivos, outras são abandonadas quando termina o estimulo externo.

Entretanto, ao lado das iniciativas direcionadas, na maioria das cidades, independente do tamanho, um grupo expressivo de pessoas se dedica à produção agrícola de diversos tipos, sem nenhuma visibilidade, ignorados pelo poder público e sem apoio ou incentivo, ao contrario, na maioria das vezes sofrendo sanções de diferentes tipos e formas.

Em Corumbá, a Secretaria Municipal de Saúde identificou cerca de 30 famílias, dentro do perímetro urbano, que se dedicam à produção de hortaliças, e que são responsáveis por boa parte da produção de folhosas no mercado local. Com a finalidade de conhecer melhor a realidade desta população, a Embrapa Pantanal, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Agropecuário, a Secretaria Municipal de Saúde/ Vigilância Sanitária e o Escritório Regional do Idaterra, organizaram dia 29 de novembro, o primeiro Encontro Municipal de Agricultura Urbana de Corumbá.

Na ocasião os participantes puderam discutir sobre os problemas que enfrentam no dia a dia de sua atividade, e juntamente com os técnicos planejar futuras atuações para solucionar seus problemas. Entre os problemas levantados, foram citados: a concorrência dos produtos provenientes da Bolívia que chegam às feiras a baixo custo, porém não possuem nenhuma garantia de qualidade e nem controle sanitário; a falta de água ou a baixa qualidade da água disponível para irrigação; o alto custo da água tratada fornecida pela concessionária; problemas de pragas e doenças nas culturas; dificuldade de venda dos produtos; dificuldade de produzir no período de verão, falta de organização dos produtores, entre outros.

Para aprofundar as questões, foi definido um cronograma de atividades envolvendo os produtores e as instituições participantes, nas quais de forma participativa serão construídas propostas para apoiar, consolidar, desenvolver e ampliar a atividade, visando ao mesmo tempo atender as demandas por produtos de boa qualidade, equacionar os problemas de saúde e garantir geração de emprego e renda para uma boa parcela da população.
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Alberto Feiden (feiden@cpap.embrapa.br) é pesquisador da Embrapa Pantanal, PhD. Em Agronomia, Ciência do Solo. Edécio Burguês de Andrade Junior (edecio.Andrade@terra.com.br), é Engenheiro Agrônomo, Técnico de Fomento Agropecuário da Séc. Mun. de Desenvolvimento Agropecuário de Corumbá. Alexandre Vasconcelos Cavassa (dompepe72c@hotmail.com), é Médico Veterinário, Técnico da Séc. Mun. de Saúde / Vigilância Sanitária de Corumbá.



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