Cassilândia, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

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23/11/2009 18:30

Artigo: A reunião na Câmara com os pré-candidatos

*Rogério Tenório de Moura

Eleições 2010 ou temporada de voracidade explícita

No último dia 20, os postulantes ao cargo de deputado ligados ao nosso município, em uma demonstração de maturidade e bom censo, reuniram-se na câmara municipal para exporem suas razões para almejarem a uma vaga em uma casa parlamentar, seja na Assembleia Legislativa, seja na Câmara dos Deputados.
No entanto o desenrolar da reunião foi frustrante, muitos oradores, longos discursos prosélitos, e quase nenhum pragmatismo. Nada se resolveu, as ideias que já estavam postas diante da comunidade foram ratificadas por quase todos, mas não acertadas. Não houve consenso sequer sobre o critério a ser adotado para se decidir quem será o candidato único da cidade, logo é de se duvidar e muito se haverá realmente consenso em torno de um único nome.
Houve até mesmo a sugestão, por parte de um dos postulantes, de se levar em conta em primeiro lugar a questão da legenda e não os índices de intenção de voto. Ora, tal proposta é, se não facciosa, um chiste. Só vem corroborar a falta de feeling do dito candidato a candidato. Querer formar uma ampla frente municipal tendo em vista somente a expectativa de eleição mais fácil por estar filiado a um partido nanico é o mesmo que esperar o fim do mundo em 2012 só porque um bando de esotéricos assim está propalando baseando-se em evidências naturais tão antigas e repetitivas quanto a existência do próprio mundo!
Não sou matemático, sou um homem das letras, mas não é preciso ser nenhum expert em números para compreender que neste caso específico dois mais dois não são quatro. Como disse o sábio autor do Eclesiastes, tudo depende do tempo e do acaso. Todos sabemos, por conta de algum amigo ou conhecido que foi candidato bem votado, mas perdeu as eleições, que nosso sistema eleitoral é falho, mas é o que temos em nossas mãos, portanto temos de lutar com as armas que temos e não que gostaríamos de ter.
Tomemos como exemplo a nossa câmara municipal, são nove vagas, no entanto não são necessariamente eleitos os nove mais votados. Após o término das apurações é feito o quociente eleitoral tendo como base o número total de votos válidos divididos pelo número de cadeiras em disputa. O quociente nas últimas eleições municipais foi de algo em torno de 1.200 votos, ou seja, a cada 1.200 votos as coligações ganhavam o direito a um representante no parlamento municipal. Assim sendo, houve candidato com quase quatrocentos votos que perdeu eleições para quem teve pouco mais de trezentos, pois o partido daquele não conseguiu atingir o índice para elegê-lo.
Os exemplos neste sentido são abundantes, proliferam-se eleição após eleição apresentando discrepâncias muito maiores. Tanto que, por causa do tal quociente, tornou-se comum entre postulantes a um cargo eletivo buscarem o partidos nanicos como meio de viabilizar suas eleições, teoria correta. Somente a teoria, pois ao barrar os figurões na porta de entrada tornam-se partidos sem densidade eleitoral, incapazes de atingir o quociente, logo todos os seus candidatos, que ingenuamente acharam que haviam descoberto o caminho das pedras, morrem abraçados. Prova disso é o PT do B de nosso município, que teve sozinho mais candidatos ao cargo de vereador do que nossa câmara comporta, no entanto não conseguiu eleger ninguém.
Não há garantia de caminho mais curto rumo ao Eldorado, não há fórmula mágica. Existem casuísmos, isto é incontestável, mas lançar-se a uma candidatura no escuro, sem saber com certeza sequer quem serão seus companheiros de chapa, que dirá seus adversários; é o mesmo que lançar-se ao mar em uma jangada sem ter nem vela, nem remos, nem bussúla. Então lhe pergunto, amigo leitor, você toparia um convite para viajar com alguém nestas condições?!
Da mesma forma que um candidato a um cargo majoritário não pode se dar ao luxo de escolher adversário, um candidato a um cargo legislativo não pode esperar contar com dezenas de resultados, dentro e fora de seu partido, para se eleger. Tem é que ser bom de voto, tem que se eleger porque fez por merecer sendo um dos mais votados, e não ficar à espera de uma soma de resultados (isto me lembra o nome de um filme: A espera de um milagre!)
Falando francamente, esperar que todas as lideranças políticas de nossa cidade fechem com um candidato nestas circunstâncias só pode ser muita ingenuidade ou má fé. Um indivíduo com qualquer dos dois predicados não serve para ser um legitimo representante do povo. Aliás, este, que propôs tal disparate, sequer respeita a vontade do povo, afinal espera que uma pesquisa de preferência popular seja o último quesito a ser avaliado. Ora, vejam essa: alguém que não respeita a vontade do povo querendo ser seu representante!
Alguém, por favor, avise ao digníssimo aspirante à autoridade que, apesar da amizade do nosso presidente com o Fidel, não vivemos em uma republiqueta de bananas e que o povo de Cassilândia não é acéfalo!

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).




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