Cassilândia, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

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20/01/2010 14:29

Artigo - A leitura e a escrita para além da alfabetização: a quem cabe a tarefa de letrar?

*Nilza Aparecida Fernandes Simões


O presente trabalho objetiva contribuir para o aprofundamento das discussões sobre uma nova maneira de encarar a apropriação da leitura e da escrita (Letramento) na escola, e propõe também a reflexão sobre como tem sido realizado esse processo, bem como o seu resultado refletido na escola e na sociedade atualmente. Com isso, se espera envolver nessa discussão, os professores alfabetizadores, professores das diversas disciplinas do currículo do Ensino Fundamental, professores em formação, enfim, de todos os educadores que, de certa maneira, estão envolvidos, incumbidos na tarefa de alfabetizar e de ensinar a leitura e a escrita. Para o direcionamento dessa discussão ___ que surgiu a partir da nossa prática e experiência com o ensino da leitura e da escrita na Educação básica e também por meio de estudos bibliográficos___ procuramos nos basear em estudos feitos por pesquisadores, tais como: Soares M., Mollica M.C., entre outros pioneiros do assunto em questão. Que este seja um trabalho significativo no âmbito educacional, haja vista que o tema aqui em foco, tem sido, até então, pouco discutido e pouco conhecido também por parte da comunidade escolar atualmente.



Palavras – chave: Alfabetização, letramento, leitura, escrita.



Ultimamente, os temas analfabetismo funcional e letramento têm levantado grandes debates por parte dos estudiosos da Língua Portuguesa, sejam linguistas, pesquisadores, Pedagogos ou Educadores de modo geral. O constante crescimento de novas demandas e novas práticas de leitura seja na escola ou na sociedade, e a forma como o indivíduo se apropria da leitura e da escrita, também não deixam de ser colocados como ponto de discussão. Ademais, o que se discute é: como tem sido realizado o ensino da leitura e da escrita hoje nas escolas? Por que muitos alunos quando terminam a educação básica não sabem ler e nem escrever? A quem, na verdade, cabe a tarefa de ensinar a leitura e a escrita? O que os professores podem fazer para contribuir para o verdadeiro letramento? A leitura e a escrita estão condizentes com a formação escolar que os alunos possuem? Pode-se dizer que o tipo de leitura e de escrita existente na sociedade de hoje, possibilita ao indivíduo o pleno exercício social? Se não, o que é que lhe falta para isso acontecer?

Estas, são questões que nos têm também suscitado grande inquietação, mesmo porque a prática___há mais de doze anos___no exercício da docência no Ensino Fundamental e Ensino Médio, seja em escolas públicas ou privadas, ou outras modalidades de ensino ___ e, agora, recentemente, no Ensino Superior___ ou mesmo a observação atenta do trabalho de outros professores, até mesmo em outras escolas do município, tem-nos possibilitado enxergar a problemática resultante do quadro lastimável em que anda a educação, quando o assunto envolve a leitura e a escrita. Muitas pessoas, apesar de estarem alfabetizadas, não estão letradas e, em muitos casos, essa falta do letramento afeta, e muito, o pleno exercício da cidadania, sobretudo porque “se a pessoa não lê, mal fala, mal ouve, mal vê”, de acordo com o dito popular.

Quando se fala em leitura e escrita para a prática social ou leitura e escrita para o exercício da cidadania, é interessante valer-se das palavras de Soares (2006, p.18), a respeito do que é alfabetização e o que é letramento:

O primeiro termo alfabetização, corresponderia ao processo pelo qual se adquire uma tecnologia – a escrita alfabética e as habilidades de utilizá-la para ler e escrever. Dominar tal tecnologia envolve conhecimento e destrezas variados, como compreender o funcionalismo do alfabeto, memorizar as convenções letra-som e dominar seu traçado, usando instrumentos como lápis, papel ou outros que o substituam. Já o segundo termo, letramento, relaciona-se ao exercício efetivo e competente daquela tecnologia da escrita, nas situações em que precisamos ler e produzir textos reais. (SOARES apud LEAL; ALBUQUERQUE; MORAIS in BRASIL, 2006, p. 70)

Diante disso, podemos perceber que alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao contrário: “o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja, ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita”. (idem) Aqui, percebemos a importância da linguagem no contexto social. Não basta apenas decifrar palavras, é preciso entendê-las, e isso se faz por meio da prática da leitura além da simples decodificação. Isso nos leva a afirmar também que a leitura somente ocorre na medida em que é compreendida, interpretada e, a partir dessa interpretação o indivíduo passa a construir o seu pensamento, articular as suas idéias mediante as situações sociais que lhe forem atribuídas.

É fato que hoje em dia somos constantemente confrontados com uma diversidade de informações veiculadas pela comunicação social. Volta e meia somos solicitados a fazer leitura e interpretação de textos escritos ou não, leitura de filmes, quadros, pinturas, esculturas, olhares, placas de rua, sinais de tráfego, anúncios, rótulos, comerciais de televisão; ou mesmo ler as marcações de água ou luz, etc., etc. Essa interpretação do pensamento expresso por meio dos símbolos da escrita feita pelo leitor, juntamente com a sua vivência e a sua afetividade é o que chamamos de leitura. E, na maioria dos casos, essa vivência (e aqui tratamos vivência como aquisição de conhecimentos de acordo com o tempo) e afetividade são condições que se pressupõem serem adquiridas, principalmente na escola, como instrumento para o desenvolvimento da prática social. Só que, nem sempre as pessoas estão preparadas, aptas a compreender e fazer uso desse instrumento em determinados contextos específicos, ou seja, fazer com que esses conhecimentos adquiridos “funcionem” no âmbito social.

Tome-se como exemplo a situação de um indivíduo adulto, em perfeitas condições das suas faculdades mentais no que concerne à aprendizagem, e que está alfabetizado, conhece o sistema gráfico da língua escrita, sabe juntar letras, palavras, fazer cópia de textos razoavelmente longos, mas quando lhe é solicitado para ler um jornal sobre a sua cidade, ele o faz mediante a decodificação. Nesse sentido, podemos dizer que este indivíduo não faz, portanto, leitura, apenas passa o olhar sobre as palavras. Essa preocupação com o uso social da língua tem despertado a atenção de muitos estudiosos para o fenômeno do letramento que, conforme vimos anteriormente, “é o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e a escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita”.

Se o letramento é o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e a escrever, ficam aqui as questões: a quem cabe, afinal, a tarefa de letrar? Por quais meios e como as pessoas, verdadeiramente, se apropriam da leitura e da escrita?

Resultados de avaliações feitas pelo MEC no que diz respeito a cursos ou concursos em diversas instituições do ensino fundamental, ensino médio ou mesmo do ensino superior, tem dado conta que poucos são os alunos que são capazes de ler e interpretar textos propostos nessas avaliações. Escrever, então, tem sido pior ainda. Os resultados são catastróficos. Muitos alunos não conseguem redigir textos coerentes e que atendam a tipologia textual proposta, apesar de estarem em constante contato com a língua em que falam e escrevem, que é a Língua Portuguesa. Diante disso, cabem aqui, ainda, as seguintes perguntas: O que os alunos fazem na escola durante os anos escolares, que não conseguem ler e escrever depois de terminarem a Educação Básica? Que conteúdos e que técnicas de ensino os professores estão usando que não se chega à apropriação do letramento? Quanto aos alunos, por que não aprendem?

Na verdade, muitas são as queixas dos professores de que os alunos não gostam de ler, não sabem ler, interpretar, não entendem o que o texto tem a dizer, não interpretam o significado da leitura ou queixam-se de que a maioria deles não sabe escrever. Em relação a isso, e pensando na leitura e na escrita para além da alfabetização, ou seja, como forma de letramento, Morais e Albuquerque (2004) afirmam que para alfabetizar letrando, “é necessário democratizar as práticas de vivência de práticas de uso da leitura e da escrita e ajudar o estudante a reconstruir essa invenção social que é a escrita alfabética”.

Nessa perspectiva, entra o papel da escola no ensino da leitura e da escrita, pois sabemos que em nosso país nem todas as pessoas têm contato com livros, com textos literários, textos da ordem do narrar, do relatar, do descrever ou mesmo textos da ordem do argumentar, além de outros textos que fazem parte do universo da leitura e da escrita. E é, na maioria dos casos, na escola que as pessoas têm contato com essas tipologias textuais. E quanto maior o contato das pessoas com a diversidade textual, quanto maior será o seu nível de letramento.

Cabe, então, à instituição escolar, responsável pelo ensino da leitura e da escrita, ampliar as experiências das crianças e dos adolescentes de modo que eles possam ler e produzir diferentes textos com autonomia. Para isso é importante que, desde a educação infantil, a escola também se preocupe com o desenvolvimento dos conhecimentos relativos à aprendizagem da escrita alfabética, assim como daqueles ligados ao uso e à produção da linguagem escrita. (SOARES apud LEAL, ALBUQUERQUE; MORAIS in BRASIL, 2006, p. 70)

É importante que a escola, desde a Educação Infantil, promova atividades que envolvam a diversidade textual e faça com que os estudantes conheçam os gêneros textuais existentes, para que assim possam fazer uso dessas modalidades de textos durante a prática em sociedade quando lhes for posteriormente solicitado.

É inegável que existe uma enorme descrença por parte de muitos professores quanto ao ensino da leitura e da escrita. Em muitos casos, essa descrença está ligada à falta de preparo desses profissionais que não foram, durante a sua formação escolar e acadêmica preparados para isso, não adquiriram o hábito de ler e escrever. Como então ensinar os alunos a leitura e a escrita se nem mesmo alguns desses profissionais possuem essa habilidade? Os que possuem, por sua vez, delegam essa tarefa aos professores de Língua Portuguesa, isentando-se de total responsabilidade com relação a isso. Não existe por parte da maioria dos outros professores das demais disciplinas do currículo, a preocupação em orientar os alunos nesse sentido.

Quando nos referimos às práticas de Letramento em diferentes disciplinas do currículo escolar, partimos do pressuposto de que, alfabetizar é tarefa de alfabetizadores, mas letrar, ensinar, de fato, a leitura e a escrita é tarefa de todos os professores, que têm compromisso com a Educação no país. É claro que o professor de Língua Portuguesa tem papel maior nessa ação, mas que esta seja estendida também às demais disciplinas. Sendo tarefa de todos, a situação da leitura e da escrita nas escolas, nas ruas, na sociedade de maneira geral, poderia ser outra e, quem sabe, não teríamos tantos analfabetos funcionais no país.

Albuquerque (2006) ainda postula que, “quanto maior o contato da criança com a diversidade textual, maior será o seu nível de letramento”. Então, partimos da ideia de que atividades que envolvem a leitura e a escrita devem fazer parte de todas as disciplinas do currículo. Nas aulas de História, Geografia, Filosofia, Artes etc., por exemplo, os alunos podem ser solicitados a redigir textos (resenhas, resumos, fichamentos) e, posteriormente, analisem o que escreveram; se foi dito o que se pretendia, se usaram a escrita para efetivar a proposta desejada.

Atividades dessa natureza exigem maior tempo por parte dos professores, já que terão a tarefa de corrigir, analisar e debater com os alunos sobre o assunto e, automaticamente, sobre o texto produzido. As atividades de leitura e de análise lingüística, de escrita de textos, aliadas aos conhecimentos sobre o conteúdo proposto, têm sido ótimo recurso para que o aluno aproprie-se da leitura e da escrita e, automaticamente se aproprie da própria língua, no caso, da Língua Portuguesa. Com isso, de posse de conhecimento da língua, terá condições para usá-la a seu favor nas diversas situações da vida prática em sociedade.

De acordo com MOLLICA (2007, P.22), “o preconceito com relação à falta de intimidade com a leitura e a escrita, sem dúvida, ainda permanece como um fator determinante de exclusão”. Assim, é importante salientar que as pessoas não letradas ou menos letradas, além de sofrer preconceito, têm mais dificuldades de praticar um ofício que envolva a leitura e a escrita, como por exemplo, redigir um documento, ver preço de produtos nos mercados, manipular uma máquina registradora no comércio, nos bancos; ou mesmo não estão capacitados para exercer atividades que envolvam ações políticas como, por exemplo, candidatar-se a vereador; ler ou redigir projetos durante o exercício do poder legislativo. Inclusive, existem casos no país, de candidaturas ao cargo de vereador, que foram impugnadas por conta da falta de alfabetização e de letramento dos candidatos, ou seja, os mesmos não conseguiram desenvolver atividades simples, envolvendo a leitura e a escrita.

Assim como a sociedade brasileira, a Língua também tem as suas variações e, o que predomina é a variedade de prestígio, que é a variedade padrão culto/formal. Logo, os impactos existentes na sociedade, pela falta da apropriação do letramento, tem a ver com a falta de apropriação da leitura e da escrita de forma real, contextualizada e, consequentemente, com a falta de apropriação da própria língua falada no país.

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais- Língua Portuguesa (p. 23), “Toda educação comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para que o aluno possa desenvolver sua competência discursiva”. Não obstante, o documento alerta para a necessidade de a escola possibilitar ao aluno o contato com a pluralidade de textos, orais ou escritos, literários ou não para que o mesmo perceba como se estrutura a sua língua. Em que pese tais considerações, “a base do ensino só pode ser o texto” (idem, ibidem)

Portanto, alfabetizar letrando deve ser atividade permanente desde as séries iniciais, mas que deve se estender por toda a vida prática social. Implica reflexão por parte dos professores no que concerne à inserção da criança no mundo da leitura e da escrita, implica a revisão de metodologias de ensino, com vistas ao verdadeiro sentido que se constitui o ato de ler e de escrever, aliados à compreensão e à produção textos que são compartilhados socialmente. A escola pode não ser o único meio que propicia o ensino da leitura e da escrita, mas é o meio pelo qual as pessoas podem ser ensinadas a ler e a escrever e fazer uso dessas ações em benefício próprio. Cabe a cada um, tanto ao indivíduo, como ao professor ou à própria escola, a conscientização do seu papel em benefício coletivo, em benefício da sociedade que querem formar e que esperam para si mesmos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observa-se, ultimamente, que o ensino da leitura e da escrita não tem tido, por parte de muitos professores, a devida importância nas escolas, e isso tem refletido negativamente na formação escolar dos alunos, principalmente quando estes são solicitados a ler, interpretar ou escrever textos nas mais variadas situações sociais e, a partir disso, formar a sua opinião ou mesmo construir seus argumentos usando-os a seu favor no decorrer da vida prática social. Como produzir textos orais e/ou escritos se não se sabe ler e interpretar? E como saber ler e interpretar se a escola não tem possibilitado isso aos alunos? Vimos que o papel da escola vai muito mais além do ensino da junção de letras, sílabas, palavras, textos, uma vez que é preciso fazer com que os alunos reflitam sobre a importância da leitura e da escrita para o pleno exercício da cidadania. E é isso que vai ocorrer a partir do momento em que a escola possibilitar ao aluno o contato com a diversidade textual, para possibilitar a sua inserção no mundo letrado em benefício próprio e também em benefício da sociedade.

É sabido que a leitura abre espaço para que o aluno torne-se construtor de opiniões, seja crítico, participativo, atuante na sociedade, e a partir disso, possa mudar o meio em que vive. É sabido também que a escrita é um meio para que o sujeito não caia na alienação, não sirva de instrumento para a barreira que afeta o desenvolvimento social de um país. Então, é preciso que a escola encare a leitura e a escrita como questão primordial na vida das pessoas. E isso se faz por meio do desenvolvimento de projetos de leitura e de escrita que envolvam a ação conjunta da escola, dos alunos, professores, não somente na área de Língua Portuguesa, mas de todas as áreas, de todas as disciplinas do currículo, e que além disso também haja o total envolvimento dos pais e da comunidade em geral. Assim, poderemos pensar realmente em construir uma sociedade letrada, em benefício do desenvolvimento de um país.











REFERÊNCIAS

SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed., Belo Horizonte: Editora

Autêntica, 2006.



__________. Alfabetização e letramento. 2. ed., Belo Horizonte: Editora Contexto, 2004.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. BRASIL. Ensino Fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. Brasília: FNDE, Estação Gráfica, 2006.

__________. Parâmetros Curriculares Nacionais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 2001.

MOLLICA, Maria Cecília. Fala, letramento e inclusão social. S. ed. São Paulo: Contexto, 2007.



Nilzafs20@hotmail.com

*Professora da Rede Estadual de Ensino de MS (Educação Básica; Letras – Unidade de Cassilândia; Curso Estadual Pré-Vestibular; Sistema Positivo de Ensino); Graduada e Especialista em Letras, pela UEMS; Graduada em Pedagogia pelas FIC (Cassilândia); Especialista em Gestão Escolar; Aluna Especial do Curso de Mestrado em Letras (UFMS).

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