Cassilândia, Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

Últimas Notícias

25/02/2011 10:17

Artigo: A criança, o governo, a sociedade e a família

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Quase 24 mil crianças, de 75 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes, vivem na rua, sujeitas à própria sorte. Esse número alarmante faz parte das apurações preliminares do censo encomendado pela SDH (Secretaria Nacional dos Direitos Humanos), que pretende atacar o problema. Sabe-se, de antemão, que 63% desses jovens optaram por esse meio de vida em razão de brigas domésticas e que apenas uma pequena parcela deles é atendida por entidades. Essa revelação é importante para a tomada de rumo. Fica, pelo menos, claro, que o problema é a família - que precisa ser amparada, promovida e monitorada - e a criança é apenas uma das conseqüências da desagregação. Logo, a solução não deve passar apenas pela área dos Direitos Humanos, mas por toda a estrutura governamental e da sociedade.

A questão da criança e do adolescente é recorrente. Há décadas, serve para entidades – umas sérias outra não – arrecadarem dinheiro e donativos para “socorrer as criancinhas”, e tem ocupado os discursos dos políticos e até de personalidades. O tema ganhou forte repercussão no dia 19 de novembro de 1969, quando, ao fazer seu milésimo gol, Pelé advertiu sobre a necessidade de amparar as crianças brasileiras. Talvez nem ele tivesse, naquela época, idéia da magnitude do tema e até hoje ainda recebe críticas vindas, principalmente, daqueles que tinham a obrigação de socorrer e encaminhar a criança brasileira e não o fizeram.

Quando terminou o ciclo dos governos militares, o nosso país experimentou um surto de “febre legisferante”, onde parlamentares e setores da sociedade, afoitos por garantir a democratização, produziram uma constituição quilométrica e leis tão modernas que não se aplicam à realidade nacional. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), apesar dos avanços, é uma dessas leis, para a qual a sociedade brasileira não está preparada. Aos 20 anos, ainda existem muitos tópicos inassimiláveis, que têm provocado acalorados confrontos e acabam se transformando em letras mortas para a maioria dos jovens desse nosso país continental.

É um bom sinal a SDH estar levantando o problema e disposta a encaminhar soluções. No entanto, é preciso tomar cuidado para evitar que o tema, de urgência absoluta, caia nos escaninhos dos poetas e sonhadores e, mais uma vez, se crie no Brasil mecanismos avançados e inaplicáveis, enquanto as nossas crianças padecem na via pública.

Os números do censo indicam que a solução do problema da criança passa, necessariamente, pela questão familiar. É uma tarefa para todo o governo, ministério público, judiciário e sociedade civil. Não basta apenas dar as benesses das “bolsas” e criar mecanismos de ajuda. É necessário exigir responsabilidade no exercício do pátrio-poder e comprometimento de todo o núcleo familiar, especialmente de pai e mãe, sob os rigores da lei.

Não precisamos de leis modernas, que rendam elogios acadêmicos e prêmios internacionais aos seus autores. Se conseguirmos tirar o menor da rua e encaminhá-lo a uma vida saudável, já teremos feito a nossa parte...



Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br


O Cassilandianews não se responsabiliza por artigos ou opiniões com autoria

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Terça, 26 de Setembro de 2017
Segunda, 25 de Setembro de 2017
10:00
Receita do dia
Domingo, 24 de Setembro de 2017
18:01
Município suspende aulas
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)