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19/07/2016 12:45

Aplicativos ajudam médicos a acompanhar a perda de peso de seus pacientes

Saúde Plena

Eles vieram para ficar. Os smartphones, com sua larga oferta de aplicativos, concentram serviços importantes para as tarefas diárias. É neles que falamos com a família, lemos nossos e-mails, acessamos a conta do banco e passamos parte do nosso tempo. E é com a ajuda deles que muitas pessoas estão se propondo a cuidar mais da saúde e da qualidade de vida. Uma visitinha na loja de aplicativos é suficiente para descobrir que há centenas deles. As opções variam de orientações sobre nutrição, alertas para ingestão de remédios e até ferramentas que reúnem informações sobre o histórico médico do paciente. Uma pesquisa da Flurry Insights mostrou que, em apenas seis meses, o uso dessas ferramentas aumentou 62%, entre 2013 e 2014.

Alguns especialistas defendem que eles são eficientes a partir do momento em que podem ajudar pacientes a modificar hábitos e aderir ao tratamento. Outros veem com desconfiança e não incluem as ferramentas nos tratamentos. Parte disso pode estar ligado ao fato de não existir no Brasil regulação para essa tecnologia. No ano passado, a Food and Drugs Administration (FDA) passou a regular todas as ferramentas ligadas a doenças que podem colocar em risco a vida dos pacientes, segundo o órgão, todos os aplicativos que usam luzes, câmera, vibração e outros recursos para realizar funções de dispositivos médicos. Aqueles que têm baixo risco à saúde do paciente, como os que ajudam a controlar a dieta, não são fiscalizados.

No Brasil, nem o Conselho Federal de Medicina nem a Anvisa desenvolveram regras específicas para aplicativos dessa natureza. Fato é que médicos, e mesmo sociedades médicas, estão investindo em aplicativos de promoção de saúde e monitoramento de algumas enfermidades. A Sociedade Brasileira de Reumatologia, por exemplo, em parceria com um laboratório, desenvolveu o FIQr (sigla para Questionário de Impacto na Fibromialgia) para auxiliar pacientes que sofrem da síndrome, que causa fortes dores no corpo. O app traz 21 perguntas, que devem ser respondidas semanalmente pelo paciente. As respostas são enviadas diretamente para o e-mail do médico, que pode avaliar, em uma escala de zero a 100, os impactos das dores na vida do paciente e se ele está evoluindo bem ao tratamento, já que a questão da dor é bastante subjetiva.

Num movimento que combina a promoção de saúde e o relacionamento com os pacientes, o cirurgião bariátrico Leonardo Salles, do Instituto Mineiro de Obesidade (IMO), acaba de lançar o Imobesidade, aplicativo para melhorar o acompanhamento dos pacientes em tratamento da obesidade. “Embora utilizemos com sucesso o balão intragástrico para otimizar a perda de peso, utilizamos o tratamento multidisciplinar para tratar a obesidade. Nosso aplicativo visa reforçar esse acompanhamento, nos ajudando a verificar quem está fora da curva de perda de peso, assim como se nossos pacientes estão fazendo o programa de tratamento de forma adequada”, explica o especialista.

EXPERIÊNCIA Leonardo sempre foi muito ligado à tecnologia, tendo aprendido a programar computadores aos 7 anos de idade. “Fui bem nerd durante a infância e a adolescência. Enquanto meus colegas jogavam futebol, me divertia escrevendo programas de computador. Hoje, adiciono isso aos mais de 16 anos de experiência em tratamento da obesidade”, conta. O médico explica que quando recebe um paciente indicado por um colega, esse tem como acompanhar o tratamento e o desempenho do paciente. O aplicativo também tem ferramentas que otimizam a interação entre a equipe que está fazendo o tratamento do paciente, entre muitas outras funções, como gráficos de peso e evolução da variação de massa magra, massa gorda e circunferência abdominal.

Já disponível na versão IOS, para download na App Store, nos próximos dias, o aplicativo também terá sua versão para Android no Market Place. Direcionado apenas para os pacientes do Instituto Mineiro de Obesidade, o Imobesidade exige cadastro. Leonardo conta que, com um mês de uso, os pacientes estão aderindo e gostando do serviço. Antes do aplicativo, o monitoramento dos pacientes era feito por telefone, por duas enfermeiras. A mesma equipe agora avalia os dados, identificando o que foge ao padrão. Cabe ao paciente, geralmente pessoas que fizeram a cirurgia bariátrica ou colocaram o balão intragástrico, se pesar todos os dias pela manhã. As medidas de circunferência abdominal devem ser semanais. Além disso, o aplicativo tem um recordatório alimentar, uma espécie de diário do que foi consumido no dia anterior.

“Com esses dados, daqui da clínica consigo ver como está o desempenho da perda de peso dos pacientes. Com essa tecnologia, consigo filtrar os pacientes que estão indo bem e aqueles que estão precisando de mais atenção e acompanhamento, se o gráfico mostrar que estão fora da curva prevista. Se o paciente para de colocar os dados já é um alerta de que não está totalmente dedicado ao processo. É atrás desse paciente que precisamos ir”, explica o médico. Se a perda de peso observada é excessiva, o médico tem ainda um sinal de que algo não vai bem. “Nem sempre os pacientes entram em contato. Com o aplicativo consigo rastrear os casos que precisam de ajuda. Às vezes, o paciente não tira a dúvida no momento e o problema se agrava, ficando mais difícil de resolver”, diz.

Evolução monitorada

A gerente financeira Jamila Verônica Lopes Almeida, de 29 anos, perdeu 26 quilos com o balão intragástrico ajustável
Os aplicativos de acompanhamento de peso têm ajudado Jamila Almeida há nove meses, quando a gerente financeira colocou balão intragástrico para facilitar o processo de emagrecimento. Antes de aderir ao aplicativo Imobesidade, ela usava outra opção disponível nas lojas de aplicativos, com a desvantagem de esse anterior não ter comunicação direta com seu médico. A meta de emagrecer 25 quilos já foi alcançada, antes mesmo da retirada do balão, prevista para outubro. “Conversando com minha nutricionista, mudamos a meta. Quero pesar 60 quilos quando retirar o balão. Só faltam dois quilos para alcançá-la”, comemora Jamila, que já tinha tentado muitas dietas quando foi procurar a opção da cirurgia bariátrica, mas foi orientada pelo médico a fazer o balão, procedimento menos invasivo e com tempo determinado. Desde que colocou o dispositivo, Jamila se pesa todos os dias e coloca os dados no aplicativo para acompanhar a evolução da perda de peso. Quando se consulta com a nutricionista, também insere dados das medidas de circunferência e da bioimpedância. “Os aplicativos são ótimos, nos ajudam nesse processo. Com eles, posso acompanhar, em relatórios e gráficos, como está sendo o emagrecimento. É possível visualizar o resultado do meu esforço diário. Com o app Imobesidade tenho ainda a vantagem de atualizar os profissionais que me acompanham”, comemora.

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