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18/01/2006 06:54

Anorexia nervosa teria relação com osteoporose

Agência Notisa

Pesquisadores da USP avaliaram 14 mulheres com a doença e concluíram que “a ingestão de cálcio e o tratamento da amenorréia devem ser priorizados na abordagem destas pacientes para recuperação e/ou prevenção de perda da massa óssea”.



A anorexia nervosa (AN), doença de caráter psicossocial, acomete, em sua maioria, adolescentes. É justamente nessa fase da vida que o desenvolvimento do esqueleto atinge seu período crítico, estando suscetível a alterações sensíveis em caso de patologias relacionadas ao tecido ósseo. Dessa forma, levando em consideração o número de jovens com AN e a alteração da massa óssea como resultado da insuficiente ingestão de alimentos – principalmente os ricos em cálcio –, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) avaliaram a correlação entre a densidade óssea e a anorexia, principalmente tendo em conta que a redução da massa óssea pode ocasionar casos de osteopenia e osteoporose.



A equipe orientada por Evaldo dos Santos, especializado em Ciências da Saúde – Medicina pelo Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP-USP, realizou estudo clínico transversal com 14 mulheres com AN, atendidas, no período de 1995 a 2001, no Ambulatório de Distúrbios de Conduta Alimentar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. Segundo os pesquisadores, o critério de avaliação para o diagnóstico da AN foi, de acordo com a American Psychiatric Association, “recusa em manter o peso corporal ideal ou acima do peso mínimo para idade e estatura; medo intenso de ganhar peso ou tornar-se obeso, mesmo quando este é inferior ao peso ideal; distúrbios de imagem corporal e amenorréia em mulheres pós-menarca”.



Assim, os pesquisadores consideraram para fins de avaliação do índice de massa corporal (IMC) o valor de 19 a 24kg/m². Além disso, eles utilizaram como amenorréia a ausência de menstruação durante 3 meses. Também foi registrada, durante 24 horas, a ingestão de cálcio de cada paciente a partir dos valores nutricionais indicados para cada alimento. Os pacientes, no mesmo dia, foram submetidos a exames de densitometria óssea (DMO).



A idade das pacientes variou de 15 a 34 anos, com mediana do IMC em torno de 15,7kg/m². O tempo de incidência da amenorréia foi de 6 a 72 meses, com mediana de 12,5 meses. A ingestão mediana de cálcio foi de 584,0 mg/dia, variando de 120,0 a 840mg/dia, sendo que, excetuando-se uma paciente, todas apresentaram ingestão de cálcio inferior ao recomendado. A mediana da densidade óssea na coluna lombar correspondeu a 0,923g/cm² e no colo do fêmur a 0,88g/cm².



A equipe mostrou nos resultados da pesquisa relação entre o déficit de ingestão de cálcio e a perda de massa óssea, e também o tempo de amenorréia e a perda de massa óssea. De acordo com os pesquisadores, “das seis pacientes que apresentavam déficit na ingestão de cálcio menor que 60%, a avaliação da DMO da coluna lombar e do colo do fêmur revelou osteopenia em quatro e três pacientes em tais regiões, respectivamente, e nenhuma apresentava osteoporose”.



Segundo eles, “das oito pacientes que apresentavam déficit na ingestão diária de cálcio maior que 60%, a DMO revelou que duas tinham osteopenia na coluna lombar e uma no colo do fêmur, e três apresentavam osteoporose na coluna lombar e três no colo do fêmur”.



Como conclusão, o estudo aponta que a maioria das pacientes com AN apresenta baixa ingestão de cálcio e perda significativa da massa óssea, ambas diretamente relacionadas entre si. Para a equipe, “a correção da ingestão de cálcio e o tratamento da amenorréia devem ser priorizados na abordagem destas pacientes para recuperação e/ou prevenção de perda da massa óssea, mesmo levando-se em conta não serem estes os únicos fatores relacionados à osteopenia ou à osteoporose encontradas nestas mulheres”.



Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)

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