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15/02/2004 11:45

Animais melhoram relacionamento das pessoas

Camila Cotta/ABr

O amor é a cola que cimenta a união entre os casais. Universal, não há registro histórico ou antropológico de sociedades em que não haja alguma forma de amor. Ao contrário do que se imagina, essa forma de manifestar afeto não é uma prerrogativa humana. Segundo estudiosos do comportamento, outras espécies animais também nutrem esse sentimento.

O cão é considerado o melhor amigo do homem, e muitas vezes é tratado como gente. Segundo a médica veterinária, Silvia Parisi, de São Paulo, hoje os cães estão cada vez mais próximos de seus donos. As pessoas sentem nos animais o carinho, a reciprocidade de afeto e, principalmente, a confiança do ser humano. "Pessoas solitárias costumam ter mais de um animal, pois os consideram como seus entes queridos. Até preferem a companhia deles á de familiares e amigos", observa.

Mas toda essa convivência com o homem tem acarretado certos distúrbios no comportamento dos animais. Com toda essa proximidade pode acontecer a descaracterização do comportamento natural e instintivo dos animais, o que faz com que eles adotem o comportamento dos humanos que vivem a sua volta. "Quando o relacionamento se excede, ocorre essa humanização do animal, que passa até a estranhar indivíduos de sua própria espécie. A pessoa também acaba se isolando do mundo, preferindo a companhia do animal à de pessoas", explica Silvia.

Toda essa mudança comportamental pode gerar um transtorno para as pessoas que não conseguem compreender e resolver os problemas de seus animais. Daí a importância do profissional em comportamento animal, que muitas pessoas chamam de "psicólogo de bichos".

De acordo com a veterinária, a denominação "psicólogo de bichos" é imprópria. O correto seria enólogo, ou estudioso do comportamento animal. "Sua função é analisar o comportamento do bicho em face do ambiente em que ele vive. Analisando o relacionamento do cão com as pessoas da casa e vice-versa, ele poderá concluir o porque do cão estar se comportando de maneira imprópria e aconselhar o dono como agir", esclarece.

Mas essa relação homem versus animal não tem só preocupações. Com a mudança que se verifica hoje no relacionamento entre as pessoas, o homem precisa do contato com animal para suprir algumas necessidades afetivas. Desse modo, o animal se torna importante na vida e na saúde das pessoas.

Muitos médicos já se utilizam de animais para tratar seus pacientes e os resultados têm sido muito significativos. "A terapia assistida por animais é um passo muito importante no relacionamento homem x animal. Estudos mostram que a utilização do cão e outras espécies auxilia no tratamento, causa bem-estar ás pessoas e a liberação de endorfinas, substância responsável por essa sensação. E isso ajuda na recuperação", afirma Silvia.

Em São Paulo, existe desde agosto de 2000 um projeto, chamado "Cão do Idoso", com o objetivo de promover a terapia assistida por animais em casas de repouso e abrigos para idosos. O programa atende os idosos em suas mais diversas necessidades, sejam emocionais, mentais, físicas e sociais.

"A Terapia Assistida por Animais (TAA) é aplicada em tratamentos variados e tem apresentado resultados positivos em todas áreas onde é empregada. A TAA funciona como um estímulo para esses tratamentos. Especificamente com os idosos, temos testemunhado muitos aspectos positivos gerados no decorrer dos tratamentos; aumento visível dos canais de percepção do idoso, tornando-o mais receptivo ao meio que vive", diz o coordenador do projeto, Jerson Dotti.

O projeto tem o acompanhamento de profissionais relacionados a diversas áreas, como veterinários, psicólogos, assistentes sociais, e outros. Também conta com colaboradores que exercem outras funções que se incorporam ao programa. Hoje, há cerca de 30 colaboradores que atendem em média 150 idosos, aplicando os princípios da TAA em convergência a outros projetos dos EUA, Canadá e Europa.

Os resultados desse trabalho e seus benefícios além de aceitos pela sociedade e comunidade médica já têm reconhecimento científico, o que implica diretamente na necessidade do desenvolvimento de Projetos similares pelo país. Para participar e receber mais informações sobre o projeto, basta entrar em contato com Jerson Dotti, pelo e-mail; jerson.dotti@bol.com.br

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