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28/11/2006 16:33

André: aliados terão secretarias com "porteira fechada”

Graciliano Rocha / Campo Grande News

Partidos que indicarão secretários do futuro governo de André Puccinelli (PMDB) terão também o direito de indicar todos os ocupantes de cargos comissionados (sem concurso público) de suas respectivas pastas. A entrega das pastas com a “porteira fechada” foi confirmada hoje pelo governador eleito.

“Os partidos terão o ônus e o bônus de participar do governo”, disse sobre a decisão de liberar que secretários que desembarquem no governo como cota partidária componham livremente a sua equipe de superintendentes, coordenadores, gerentes e os demais cargos de confiança. O número de comissionados deve sofrer um corte entre 15% e 30% dos atuais.

O governador eleito descartou que a “verticalização” dos cargos possa estabelecer feudos de interesse partidário dentro da estrutura do governo, dando a entender que os secretários sofrerão uma pressão constante por resultados. “Queremos ter no governo secretarias que façam política de governo e não política de poder”, afirmou.

Se tudo correr dentro do planejado por sua equipe de transição, Puccinelli começará 2007 no comando de um governo com 11 secretarias. Nesta terça-feira ele afirmou que, até agora, só cinco secretários estão definidos: Osmar Jerônimo (Governo), Mário Sérgio Lorenzetto (Fazenda), Carlos Alberto Menezes (Meio Ambiente, Cidades, Planejamento e Ciência e Tecnologia), Maria Nilene Badeca (Educação) e Edson Girotto (Obras). As seis pastas sem secretários definidos que resultarão da reforma que deverá ser votada até o final do ano são: Produção, Administração, Assistência Social, Saúde, Justiça e Segurança Pública e, novidade, a Habitação.

Nas próximas semanas, o governador eleito deverá distribuir os aliados para as outras seis secretarias, autarquias e empresas estatais. Candidato a participar do governo é o que não falta. Além do miolo composto pelos aliados de primeira hora, o PSDB, o PFL e o PPS, Puccinelli também terá de decidir a participação no governo do PDT e do PL – que, embora compondo a base sustentação de Zeca do PT apoiaram o peemedebista na eleição.

Uma das incógnitas da reforma é a secretaria extraordinária de Representação em Brasília que deve ser ocupada, segundo o governador, por um dos dois ex-ministros de Fernando Henrique Cardoso, Marthus Tavares ou Pedro Parente. No projeto apresentado hoje aos deputados, a representação junto ao governo federal é apenas uma subsecretaria. A equipe de transição ainda vai definir como será o modelo antes de enviar o projeto para Zeca do PT - que o encaminhará à Assembléia.

Recuo e filosofia - Hoje, Puccinelli fez questão de dizer que nomes de antigos colaboradores – citados por ele próprio como futuros integrantes do governo – ainda não têm cadeira reservada no secretariado. É o caso das ex-secretárias municipais Beatriz Dobashi (Saúde) e Tânia Garib (Assistência Social). O ex-secretário de Controle Urbanístico, Sérgio Yonamine, foi um dos casos mais curiosos. Anunciado ontem à noite pelo próprio Puccinelli como integrante do secretariado, não estava entre os cinco confirmados pelo governador na manhã de hoje. O recuo em relação a esses nomes pode significar uma sinalização para mais espaço para os aliados.

A perspectiva de receber secretarias com todos os respectivos cargos soou como música aos ouvidos dos aliados. Um dos mais poderosos deles, o presidente da Assembléia Legislativa, Londres Machado (PL), elogiou a decisão de Puccinelli. “É excelente isso, porque se um partido indica o secretário, mas não os demais cargos a secretaria fica capenga em termos de filosofia”, filosofou Londres.

O fator Marun - A ser criada pela reforma sob o argumento de incrementar a construção de casas populares (uma das principais promessas de campanha), a secretaria de Estado de Habitação também chega na medida para a acomodação política. Levando o deputado estadual eleito Carlos Marun (PMDB) para o comando da secretaria, o governador deixa uma cadeira livre para a primeira-suplente do partido, Celina Jallad.

Marun, que já havia recusado o convite para a secretaria, hoje mostrou-se mais disposto à idéia. “Ele sabe a minha preferência [ser deputado], mas faço parte do grupo”, disse, lembrando que Puccinelli tem a “prerrogativa de me convocar se achar necessário”.

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