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20/06/2014 13:56

Amplavisão: “Candidaturas: Desafios & Segredos”

Manoel Afonso
Manoel Afonso é o colunista da coluna AmplavisãoManoel Afonso é o colunista da coluna Amplavisão

DESAFIO: Apesar da lei, os números das ultimas eleições e pesquisas mostram que as eleições presidenciais não sensibilizaram a nação para a importância do evento. Falta de preparo cultural ou a conscientização da liberdade emanada da democracia?

EQUÍVOCOS Aqui o cadastramento eleitoral e o voto são obrigatórios, mas ao mesmo tempo permite-se a saída para evitar a punição através da justificação nos Correios. Uma solução bem a brasileira e juridicamente interessante.

A PROPÓSITO Nos Estados Unidos o título de eleitor não é documento obrigatório. Só 50% da população em condições de se cadastrar está regularizada eleitoralmente e o comparecimento efetivo corresponde a 25% de toda população adulta.

AS CAUSAS Desilusão com a classe política, impunidade, injustiça social, crise de ordem econômica, falta de espaço para mudanças radicais ou aventuras? As explicações conjunturais de cada país têm suas próprias razões que precisamos respeitar.

FUNDAMENTOS São sustentados por Rosseau (Contrato Social) quando diz que o funcionamento da democracia funda-se na ligação direta entre a legitimidade política e vontade popular, ou seja: Estado deve respeitar a opinião do cidadão.

EXEMPLOS Na tradicional e culta Grã-Bretanha a abstenção nas eleições de 2010 pontuou em 35% - portanto muito maior do que na vitória de Dilma contra Serra no 2º turno – em torno de 21%. Quem estaria errando mais? Nós ou os ingleses?

CONCLUSÃO O índice de 26% de desinteressados na última pesquisa CNI- Ibope deve ser considerado absolutamente normal. Se levarmos em conta que em 2010 as abstenções foram de 21%, só falta seduzir mais 5% do eleitorado a votar.

INTERROGAÇÕES Como seduzir os 16% dispostos hoje a votar em branco? Seria melhorar a oferta de vantagens pessoais (sacolão, caixas de água, casa, cirurgia) ou apenas falta de candidatos à altura da aspiração dos mesmos. Dúvida cruel.

CORONELISMO Quando obriga-se o cidadão a votar, cria-se automaticamente mecanismos para conduzi-lo às urnas. O que deveria ser direito passa a ser obrigação, às vezes regiamente compensada através de vantagens de ordem pessoal.

SEM ILUSÕES Quem tem o poder nas mãos tem como instrumentalizar favores que seduzem ignorantes, indecisos e céticos. Se lá nos currais nordestinos vota-se por água do caminhão pipa, em outros locais exige-se uma casa popular pelo voto.

VANTAGEM Mesmo com a seleção sem graça do Felipão, o Governo está levando a melhor sobre a oposição com a Copa. O Planalto apresenta seus números favoráveis e pelo jeito Aécio e Eduardo vão ter que aprofundar esse discurso eleitoral.

REDEFINIÇÃO Portanto, o futebol deixou de ser aquele espetáculo aparentemente ingênuo de 22 atletas correndo atrás da bola. Vai muito além, envolve muitos interesses financeiros e políticos que de alguma forma refletem na vida das pessoas.

EXEMPLOS A visita de presidentes e chefes políticos do mundo ao Brasil nesta Copa mostram a ligação entre o poder e o futebol. As imagens na mídia tem grande influência no subconsciente popular e representam ganhos em termos de prestígio.

CUMPLICIDADE A magia do futebol permite que o eleitor releve a ausência de seus representantes no Congresso. Por extensão, estaria reavaliando as suas prioridades e dando aos políticos o direito de se sentirem cidadãos iguais a ele.

ESTRATÉGIAS Os nossos 3 candidatos ainda sem uma diretriz definitiva em termos de campanha. Há mais dúvidas do que certezas por parte deles. Campanha é igual uma viagem duvidosa onde é preciso estar preparado para diferentes situações.

 

INSÔNIA É o mal que aflige os candidatos. Não há remédio que resolva. Nem sempre as imagens divulgadas refletem a realidade. (Lembra do Tancredo Neves no hospital?) Candidato tem os mesmos medos e dúvidas, mas devidamente escondidos.

SEGREDOS Vitais ao longo da campanha. O conteúdo das reuniões para avaliar o quadro não pode vazar. Discussões, choros e dificuldades financeiras são abafadas e novas notícias devem ser preparadas para positivar o cenário na mídia.

OTIMISMO É a palavra chave do candidato, mesmo quando na campanha há ameaça de desistência de qualquer aliado. Aliás, desistência de candidatura psicologicamente é ruim, aparenta indecisão, fraqueza e acaba dando argumento ao adversário.

CIÚMES Existem no núcleo das campanhas. Candidato que se diz desprestigiado, falta de dinheiro, material e de maior assistência pessoal do candidato da chapa majoritária. Contentar cada um deles, sob pressão de desistência, exige muito preparo.

REGRAS O candidato não pode cuidar de todos os problemas internos sob pena de não ter tempo e condições para cumprir agenda. Aí entra a importância da equipe em cuidar das questões domésticas, para não respingar no candidato.

FAMÍLIA Dependendo, mais atrapalha que ajuda. Mulher de candidato precisa se posicionar dentro de seu quadrado evitando atritos com a direção da campanha. Aqui temos casos famosos e folclóricos de mulheres que criaram problemas.

SINAIS Pela postura na campanha faz-se a projeção da mulher do candidato no governo. A opinião pública tem ojeriza do ‘poder paralelo’ de mulher de governador. Decisões administrativas não podem ter o tempero doméstico. Certo?

“A gente só diz sim ou não no casamento e ainda assim às vezes erra”. ( Itamar Franco)

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