Cassilândia, Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

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27/08/2011 09:09

Ambientalista encontra resíduo tóxico em roupas de grife

Folha On Line/ France Press

Resíduos de produtos químicos perigosos tanto para o ambiente quanto para a saúde foram encontrados em produtos de 14 grandes marcas de roupa, denunciou nesta terça-feira a organização ambientalista Greenpeace em seu relatório \"Roupa suja 2\".

Análises em amostras de roupa de marcas como Adidas, Uniqlo, Calvin Klein, H&M, Abercrombie & Fitch, Lacoste, Converse e Ralph Lauren evidenciaram a utilização de produtos químicos conhecidos como nonilfenóis-etoxilados em sua fabricação, alertou a organização.

O ativista do Greenpeace Li Yifang disse que o nonilfenol etoxilado, comumente usado em detergentes industriais e na produção de têxteis naturais e sintéticos, foi detectado em dois terços das amostras analisadas.

\"O nonilfenol etoxilado tem propriedades tóxicas, persistentes, e causa transtornos hormonais\", disse Li à imprensa, em Pequim.

\"Ele mimetiza os hormônios femininos, altera o desenvolvimento sexual e afeta os sistemas reprodutivos\", assegurou.

Aos componentes deste produto químico se deve a estendida \"feminização\" de peixes machos em partes da Europa, bem como transtornos hormonais em alguns mamíferos, segundo a WWF, outra organização protetora da biodiversidade.

O Greenpeace informou ter comprado 78 peças de roupa dessas marcas, a maioria fabricada em China, Vietnã, Malásia e Filipinas e em outros 18 países, e as submeteu a testes científicos.

\"Até mesmo em baixos níveis representam uma ameaça para o meio ambiente e para a saúde humana\", disse Li.

\"Não é só um problema para o desenvolvimento dos países onde é fabricada\" a roupa. É que, na lavagem, essas peças desprendem níveis residuais de nonilfenol etoxilado, o que afeta os países onde de fato seu uso é proibido, alertou.

O uso desses produtos químicos é restrito na Europa.

ADIDAS

Por ocasião da divulgação do informe, ativistas do Greenpeace entraram em uma loja da Adidas em Hong Kong para pedir à marca que elimine o uso de produtos químicos perigosos em seus produtos e para que seus clientes potenciais pensem antes de comprar seus produtos.

A Adidas também esteve na mira do relatório anterior do Greenpeace, intitulado \"Roupa suja\", divulgado no mês passado, no qual acusou o fabricante de contaminar grandes rios da China com dejetos químicos.

Doze ativistas do Greenpeace vestidos com uniforme de árbitros de futebol entraram, em meio a apitaços, em uma das lojas mais movimentadas da Adidas, na cidade do sul da China.

Ali, distribuíram panfletos da campanha aos clientes e exibiram cartões amarelos para os funcionários da loja, pedindo à marca que \"jogue limpo\".

Oito amostras de água, coletadas nas duas fábricas situadas nos deltas dos rios Yangtzé e Pérola, contêm um \"coquetel de substâncias químicas perigosas\", alertou a ONG no relatório do mês passado.

Nike e Puma, outras grandes marcas de roupa esportiva, asseguraram desde então que eliminarão o uso de agentes químicos tóxicos de seus produtos até 2020, mas a Adidas não o fez, segundo a porta-voz do Greenpeace, Vivien Yau.

A Adidas Hong Kong não respondeu aos telefonemas para fazer comentários.

Mas a empresa havia dito anteriormente que utiliza o grupo Youngor, um dos fabricantes acusados, apenas para cortar e costurar as peças, e não para fabricá-las, embora tenha pedido a Youngor que investigue as denúncias do Greenpeace.

A companhia acrescentou, ainda, que tem uma política de evitar substâncias perigosas.

No entanto, Yau disse que como segunda maior marca de roupas esportivas, a \"Adidas tem a obrigação de desintoxicar sua cadeia de fornecimento mundial\".

\"Até agora, a marca não fez nada, apesar das nossas demandas repetidas, o que realmente é inaceitável\", destacou.

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