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09/04/2009 11:20

Alexandre Prado: Os gestores e a crise econômica

Alexandre Prado

A recente crise da economia mundial vem nos mostrando algumas facetas da diplomacia internacional que há muito não víamos. Sempre quando uma crise se anuncia, começando bem pequena, como uma marolinha, o mundo capitalista se anuncia como um grande salvador de seus próprios problemas, como se a auto-regulação que tanto buscam fosse suficiente para que os efeitos em países em desenvolvimento fossem debelados a custa de suas próprias decisões.
Como pudemos notar nos últimos sete, oito meses, o sistema ora em voga não tem competência para arcar com os problemas que criou, sendo necessário a intervenção governamental no custeio da crise. Tal intervenção, comprovadamente, foi o sustentáculo da saúde de muitas empresas, sendo necessário para isso que bilhões, e trilhões, de dinheiro público fossem aplicados para aplacar os efeitos da crise nos empregos e na produção.
A roda da economia no sistema capitalista gira sempre ao contrário dos interesses de quem não detém os modos de produção. Quando o sistema cria suas crises, o primeiro a pagar é o trabalhador. Quando as empresas estão bem financeiramente, o governo é o vilão quando regula demais o mercado e, dizem, impedem seu crescimento. Mas quando estão mal, o governo é acionado para que regule o mercado e dê a estas empresas condições de sair do momento ruim. E porque o governo ajuda? Porque, por trás dos interesses das empresas está o emprego e a renda da população.
O que ocorre é o seguinte: a economia vive de produção e consumo, ou seja, empresas que transformam produtos manufaturados, a matéria-prima, dependem do bom momento do mercado para escoar a produção. Também o comércio precisa deste mesmo bom momento para vender tais produtos. E este momento citado duas vezes é justamente o poder de compra do trabalhador. Quando se tem uma população empregada, com renda, portanto, os produtos de que necessita são adquiridos regularmente, criando uma base de consumo ativa que gera impostos para o governo, fazendo a roda da economia girar. Se o consumo diminui, a produção também cai e o governo arrecada menos.
Portanto, no jogo capitalista há interesses de ambas as partes, e o trabalhador depende da confluência destes interesses para manter sua mínima qualidade de vida. E o que isso influi em cidades pequenas, como Cassilândia? Nos atinge diretamente. O FMP (Fundo de Participação dos Municípios) é a principal renda das cidades brasileiras, tão carentes de recursos. E este fundo é formado por uma porcentagem do IPI e pelo Imposto de Renda. Na base, caindo a produção das empresas, cai também a arrecadação com o IPI e caindo a renda das pessoas, cai também a arrecadação do Imposto de Renda.
A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) afirma que em março a arrecadação do FPM caiu 15% e a tendência é que caia mais, haja vista a prolongação da diminuição do IPI de carros novos, fogões e geladeiras.
Portanto, a administração pública municipal, hoje, é talvez um dos maiores desafios para os gestores. Como aplicar os parcos recursos de que dispõe sabendo que a arrecadação tende a cair nos próximos meses? Como esperar emendas de parlamentares se os governos estadual e federal também já anunciaram corte nos investimentos? Por tal razão, venho batendo na tecla da união dos poderes em Cassilândia. Informações e análises como essa devem ser levadas em consideração para que se repense, de forma urgente, as relações políticas e administrativas em Cassilândia. Se não se formar aqui uma coalizão de pacto e crescimento, podemos não experimentar as grandes vantagens de se desenvolver de forma sustentável com nossas próprias forças, apesar da crise.





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