Cassilândia, Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

Últimas Notícias

04/03/2005 16:25

Aldeias são campos de concentração diz Delcídio

Assessoria

Os senadores Delcídio do Amaral (PT/MS) e Juvêncio César da Fonseca (PDT/MS) cobraram do Governo federal, na audiência pública que discutiu a morte de crianças indígenas, realizada na manhã de ontem no Senado Federal, ação articulada e urgente da Funai e da Funasa, uma nova política indigenista para o Brasil, maior estrutura e orçamento para a Funai (Fundação Nacional do Índio) e a criação de uma comissão interministerial que possa buscar soluções práticas e efetivas para a fome nas aldeias do Estado. Delcídio do Amaral afirmou que a situação dos índios em Mato Grosso do Sul se compara a um campo de concentração. “Não é confinamento. Onde eles vivem é um campo de concentração”, afirmou, comparando a situação com o genocídio contra os judeus.

A falta de estrutura da Funai também é apontada como outro fator que tem contribuído para o agravamento das deficiências nutricionais entre crianças índias de zero a cinco anos. O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDHLP), senador Juvêncio César da Fonseca, que organizou a audiência pública, enfatizou que “falta coordenação. Os trabalhos da Funai e da Funasa estão dispersos. Não há um comando que você possa identificar e você fica sem saber quais são os responsáveis”, disse o parlamentar, completando que um órgão culpa o outro pelas mazelas.

Opinião semelhante apresentou o senador Delcídio do Amaral, que defendeu a reformulação da política voltada para atender os índios. “Temos de corrigir a política indigenista do Brasil. Este jogo de empurra acontece exatamente porque não há uma política indigenista clara. A Funai não tem orçamento, não tem estrutura. Além disso, não foi ainda definido se a missão de cuidar da saúde nas aldeias está a cargo dos ministérios afins ou fica com a Funai”, enfatizou Amaral. Juvêncio da Fonseca também destacou: “Pelo que se vê e percebe não há uma política, a meu ver, que seja responsável pela questão indígena, o que faz com que o índice de mortalidade nas aldeias seja três ou quatro vezes maior do que nas crianças brancas. Em Dourados, o índice de mortalidade infantil nas aldeias é de 60 para cada grupo de mil nascidos até um ano de vida. No Brasil, a média é de 24 mortes em cada mil.

“Estão muito claras as dificuldades que a Funai enfrenta. Infelizmente a ausência da Funai nos impede de saber os pontos de vista do órgão”, disse Amaral comentando a falta do chefe do núcleo de Dourados da Funai, Israel Bernardo da Silva, convidado para a audiência pública organizada pela CDHLP, e mesmo após confirmar presença não compareceu.

Delcídio do Amaral afirmou que a Funai deveria ter um quadro de pessoal e estrutura próprios, ter plano de cargos e carreiras também, completando que o órgão precisa de um orçamento que lhe dê condições de realizar suas atividades, ressaltando que “ninguém deve se surpreender se outras mortes vierem a ocorrer”. Enquanto o parlamentar fazia esta afirmação, chegava a notícia, em Brasília, de que mais uma criança índia havia falecido em Mato Grosso do Sul.

O parlamentar cobrou uma ação “urgente e articulada” do Ministério da Saúde, do Governo do Estado e das instituições diretamente envolvidas com o assunto, entre elas a Funai e a Funasa, para reverter a situação. Delcídio lembrou que “não só a criança indígena, mas a criança como um todo é a nossa maior referência porque é a construção do futuro do País”, referindo-se à sugestão do senador Cristovam Buarque (PT-DF), de se criar uma agência de proteção da criança e do adolescente, no âmbito da Presidência da República.

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Sexta, 18 de Agosto de 2017
Quinta, 17 de Agosto de 2017
21:14
Loteria
10:00
Receita do dia
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)