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28/09/2007 11:00

Alcides Silva: Língua portuguesa, inculta e bela!

Alcides Silva

As palavras também têm histórias

Outro dia, um caminhão-baú trafegava à minha frente, com a vistosa inscrição “Indústria de Esquifes Mirassol”. Mais abaixo, entre parênteses, a explicação em tinta amarela: (‘urnas').
Fazia já bastante tempo que não lia a palavra “esquife”. Vencida pela dinâmica da língua, esse termo praticamente desapareceu de nosso falar cotidiano, sendo substituído primeiramente por “ataúde”, depois por “caixão de defunto” e, nos tempos de hoje, por “urna funerária”. Nascida do primitivo alemão schiff = ‘barco’, no italiano, de onde a recebemos, schifo passou a designar ‘arca de defunto’ em razão da analogia da forma desta com a de um barco.
A falta de uso está transformando o termo esquife num arcaísmo, um vocábulo que de desusado, praticamente ‘morreu’ (perdão ao jogo de palavras, não pude resistir ao esquife).
As palavras, todavia, não fenecem como os seres vivos; repousam nos dicionários, ficando delas o registro. Um dia poderão ressurgir com roupagem nova e significações semelhantes.
No antigo Portugal, havia uma moeda de cobre, de pequeno valor, chamada mealha: (“Querei vós, senhor, um conselho, e não vos custará nem mealha?”- Alexandre Herculano: “Lendas e Narrativas”, 13ª ed. vol. II, p. 17). A mealha deixou de ser cunhada, a palavra foi esquecida, até renascer em amealhar, juntar pouco a pouco, economizar, poupar.
Cunhada, particípio do verbo cunhar (amoedar, fazer moeda, imprimir cunho), nada tem a ver com a homófona e homógrafa, descendente do latim cognata que é a irmã de um dos cônjuges.
Cambito era o nome que se dava às pernas finas. E qual a razão? ‘Cambito’ vem de cambar (entortar as pernas ao andar, pender, inclinar). E só as entortam os que as têm finas. Quem assim anda, pode cair, pode inclinar, daí descambar.
Vindo do castelhano lumbre (luz, clarão, fulgor), já tivemos o desaparecido verbo lumbrar, com a significação de alumiar, clarear. Renasceu com deslumbrar (ofuscar pelo excesso de brilho, de luz), deslumbrado (maravilhado, assombrado, fascinado, embevecido) e deslumbramento (encantamento, maravilha, cegueira, obcecação).
A propósito, obcecação não é parente de obsessão e nem com ela tem afinidade. A primeira, significa ficar cego, perder o entendimento, a razão; a segunda, é impertinência, persistência.
Guarir é um verbo fora de moda, que já significou curar, sanar. Tem raiz germânica warjan (proteger). Dele a prole é grande: temos hoje guarida (asilo, refúgio, abrigo, proteção) e guarita (casinha destinada ao abrigo de guardas ou sentinelas), guarnição( prover do necessário).
Alvenel ou alvanel, ou, ainda, alvanéu são palavras que só encontramos nos bons dicionários. De origem árabe, significa mestre-de-obras, ou, simplificando, pedreiro. E quem era o pedreiro no passado? O operário que construía casas de alvenaria. Segundo o Houaiss, em 1611, alvenaria era um processo de utilização de pedras não lavradas no levantamento de paredes, muros, arcos, etc., com ou sem argamassa de ligação. Essas pedras eram tiradas da rocha com o auxílio de alvião (picareta). Hoje, alvenaria é o nome que se dá ao conjunto de elementos utilizados na construção de paredes, alicerces, muros, etc.: alvenaria de pedra, alvenaria de tijolo ou alvenaria mista.

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