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15/06/2012 09:43

Alcides Silva: Língua portuguesa, inculta e bela!

Alcides Silva

Fatal

Está se tornando comum a imprensa atual (falada ou escrita) empregar erradamente o adjetivo ‘fatal”. Nesta semana dois exemplos marcantes: uma revista de projeção nacional destacou em sua capa matéria sobre o caso Yoki – a história da “assassina confessa que esquartejou o marido enquanto a filha dormia”- dando-lhe o título de “Mulher fatal”; um prestigioso jornal de Rio Preto relatou que a jovem policial que morrera dias ante em hospital da cidade fora “a 9ª vítima fatal da gripe suína na região.”
Nessas duas situações o adjetivo fatal foi usado de forma irregular, como se “mulher” e “vítima” tivessem sido agentes das mortes anunciadas. Elize matou o marido Marcos Matsunaga com um tiro de pistola, este sim ‘tiro fatal’: Luana morrera de insuficiência respiratória, esta sim “doença fatal”.
“Fatal” (do latim fatale – do destino) é adjetivo, isto é, palavra que se junta ao nome para expressar qualidade, propriedade, condição ou estado do respectivo ser. Como adjetivo, fatal significa: Marcado pelo fato (= destino); determinado; Decisivo, inevitável, infalível, irrevogável; Improrrogável, final; Que traz, por determinação do destino, a infelicidade; Funesto, que causa desgraça, nefasto, nocivo, desastroso; Que causa a morte; mortal, mortífero, letal.
Assim não há vítima fatal, porque vítima (no latim victima originariamente era o animal, ou pessoa, oferecido em sacrifício aos deuses) será sempre o objeto da ação e não seu agente. Na frase acima, a vítima teria recebido a morte e não a produzido. O acidente pode ter sido fatal, como letal podem ter sido o tiro, a facada, a pancada, a tigelada etc... Nunca a vítima.
“Mulher fatal” seria então a mulher que produz a morte? Não. Mulher fatal é a mulher sensual, a sedutora, a irresistível, a de “fechar o comércio”, a capaz de produzir uma real “tragédia doméstica”
Para a Wikipédia, a enciclopédia livre da internet, mulher fatal (ou femme fatale, em francês) é um estereótipo feminino usado muito em literatura e cinema do gênero policial e no drama europeu. A chamada ‘mulher fatal’ geralmente seduz e engana o “amado” e também – não raro e concomitantemente – a outros homens para obter algo que eles não dariam livremente.
Júlio Dantas, escritor português do século passado - autor da famosa “A ceia dos cardeais”, dizia que “entre um homem moço e uma mulher bonita, a amizade pura, a amizade intelectual é impossível. O homem e a mulher são, fundamentalmente, irredutivelmente, inimigos. Só se aproximam para se amar - ou para se devorar” (Elize e Marcos).

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