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09/09/2010 14:46

Alcides Silva: Língua Portuguesa inculta e bela

Obesidade verbal

“Escrever é a arte de cortar palavras”, poetou Carlos Drummond de Andrade.
Todos os seres vivos, animal ou vegetal se comunicam através das mais variadas formas de linguagem seja sensitiva, oral, musical, corporal ou plástica. Nenhuma, porém, de forma tão completa como o ser humano
, através dos signos, das palavras, da linguagem.
Que o mundo está mudando, ninguém duvida. Aliás, está mudando desde o ‘fiat lux’ inaugural. A linguagem, então, essa parece estar de roupa nova todos os dias. Se não nova, de roupagem tingida, que muitas vezes se esvai às primeiras lavações.
No significado usual, muleta é um bastão comprido, geralmente duplo, com encosto superior adaptado à axila no qual se apóia aquele que tem dificuldade ou impossibilidade para andar. Não é bengala, também um bastão de apoio, normalmente simples, para o caminhar, para o deambular. E clichê é a placa com fotogravura destinada à impressão tipográfica de imagens ou textos.
Na fala – e até mesmo na escrita – muletas são as palavras de que se serve o operador da expressão verbal para preencher os claros, os brancos do pensamento ou da memória; clichês são os termos que se tornam lugares-comuns em razão de constante repetição, os pronto-socorros da ignorância ou da preguiça verbal.
Nosso presidente Lula é um reconhecido muleteiro: adora apoiar suas longas falações nos “veja bem”, “acompanhe meu raciocínio”, “inclusive”, “nunca na história desse país”, “estou convencido” e no “então”. Ele é o exemplo-destaque de agora: dilmático, fala muito dizendo pouco.
Já o clichê - frase ou palavra que se banaliza por ser muito repetida – é freguês de caderneta no manejo da língua. São os modismo. Faz pouco tempo, tudo estava inserido no contexto ou a nível de e enquanto pessoa; nos dias de hoje, é um tal de resgate da cidadania, de inclusão social, de exclusão civil, de agregar valores, de buscar governabilidade etc.
O tão alardeado programa “Fome zero”, passe de mágica que parece não ter a propalada dimensão, já não é o arroz, feijão, farinha, carne ou proteínas e nem mesmo a sustancia: é resgate da cidadania, como se essa locução verborrágica equivalesse às três refeições diárias anunciadas ‘urbi et orbi’ no discurso presidencial de posse.
Antes clamava-se contra a desigualdade na distribuição dos bens de consumo: poucos com muito e muitos com quase nada. Agora é a exclusão social, como se o pernosticismo de palavra ocas pudessem substituir os programas voltados ao equilíbrio da disparidade sócio-econômica reinante.
O ‘agregar valores’ não passa de balas de festim de recepção política. Se o artesão produz um tapete de barbante, está ‘agregando valor’ a sua mão-de-obra; se um pecuarista industrializa o leite ou faz embutidos de carne, por exemplo, está ‘adicionando renda’ ao seu produto. Tudo baboseira, tudo obesidade verbal. Palavras de circunstâncias, expressões do momento.
O ‘buscar governabilidade’ está sendo o biombo com o qual se procura esconder a inapetência administrativa ou a ociosidade congênita...
Já a língua que flui normal, sem os penduricalhos do pretenso saber, a língua crua, o português gostoso a que se referia o poeta Manoel Bandeira, essa resta desfigurada nas muletas, bengalas, bastões, estereótipos, clichês & cia., geralmente importados.
Está na hora (politicamente correta, para se usar mais um dos bordões da atualidade) de se repensar a língua do Brasil.
Afinal, é através da linguagem que a humanidade se eterniza

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