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05/10/2012 08:01

Alcides Silva: Língua portuguesa, inculta e bela!

Alcides Silva

A língua que penso, a que falo e a que escrevo

Para que os seres humanos possam se comunicar entre si, é preciso que haja um código, isto é, uma língua. Para que eu entenda o que você está me dizendo, ou vice-versa, é necessário que nós dois “falemos a mesma língua”.
Conhecida a anedota do novato português que desejando parar num porto inglês desesperadamente pedia em bom vernáculo que se lhe jogassem as amarras para atracar sua embarcação. Alguém lhe avisou que o tarefeiro não entendia o que estava a lhe dizer o marinheiro lusitano. Lembrou-se, então, da clássica pergunta que seus colegas faziam ao chegarem a um porto estrangeiro e lascou: “speack englsh”? Diante da resposta positiva, foi pronto o nosso navegante: “Então, pá, joga-me cá a corda!”.
Na anedota, inexistiu o código comum, a “mesma língua”.
A língua que se fala nesta alta-araraquarense e no bolsão matogrossense não é igual à falada no Brás, em São Paulo, em Cuiabá, na Bahia, nas plagas gaúchas ou nas terras de além-mar, por exemplo. Há diferenças linguísticas em razão do ambiente sócio cultural em que vivemos. E até mesmo do clima. O nosso “amorr”, o nossa “porrta”, o nosso “mulherr” daqui das beiras e cercanias do Parnazão, não se confundem com o “amor”, ou com “porta” do carioca, ou com o “mulé”, do baiano.
Há uma linguagem rural, outra urbana; uma profissional, outra familiar; uma cuidada, outra cotidiana; uma escrita, outra falada. Aliás, dentro da mesma área ou núcleo cultural, a língua que falamos é diversa da que escrevemos. Nosso linguajar num barzinho, no campo de futebol ou num relacionamento íntimo é bem diverso do que usamos em nossas atividades profissionais. Quem vem assistindo o julgamento do “mensalão” pelo Supremo Tribunal Federal têm percebido isso. \\\"Adredemente\\\", \\\"cominações\\\", \\\"pálio\\\", \\\"transmutação\\\", \\\"liame subjetivo\\\", “mutatio libelli” são palavras que não fazem parte da linguagem cotidiana, mas são comuns na fala dos ministros durante o histórico julgamento.
Esses diversos níveis de linguagem fazem com que se modifiquem a pronúncia e até mesmo a sintaxe.
As crianças, nos primeiros anos de vida, sem o saber, normalmente conjugam o verbo fazer seguindo rigorosamente o paradigma dos da 2ª conjugação. Se no perfeito simples do indicativo, a primeira pessoa do singular é cresci, bebi, vendi, comi, a do verbo fazer é “fazi”. No particípio é “fazido”. O mesmo ocorre com o verbo dar na primeira pessoa do presente do indicativo. Para muitos é “eu di” e não “eu dei”. Aliás, na formação da língua portuguesa a aférese (supressão de um fonema no início da palavra) era muito comum. (ainda orologio > relógio). Hoje ocorre com frequência na linguagem oral (estou Na linguagem informal é comum ouvir-se da boca de muitos que determinada coisa foi “compra e paga”. Quem já não escutou dizerem “pomal”, ao invés de “pomar”?
No falar descompromissado, a informalidade prevalece sobre a norma culta.
Pois bem, o fazi das crianças, o pomal e o “compra e pago”, são analogias inconscientes com a fala correta, cuidada. Em razão da origem, é nível de linguagem aceitável em termos de comunicação.

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