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02/12/2010 15:49

Alcides Silva: Língua portuguesa, inculta e bela!

Alcides Silva

Namorar
O verbo namorar é transitivo direto, e disso ninguém duvida: quem namora, namora algo, alguém. Se assim o é, esse verbo não pode ter seu complemento ligado por preposição. O padrão culto da língua – o gramaticalmente correto -, condena a construção “namorar com ela”, “namorar com ele”. Pois, o certo seria “namorá-la/namorá-lo”. Mas na língua que se fala no Brasil de hoje, “namorar com” é o comum, o habitual, porque coloquial.
Lembrando novamente Bandeira e sua “Evocação do Recife”, a vida é a que nos vem “da boca do povo na língua errada do povo / Língua certa do povo / Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil /Ao passo que nós / O que fazemos / É macaquear / A sintaxe lusíada”.
A gramática natural surge na mente do falante quando ele ainda é uma criança de mais ou menos três/quatro anos. Essa gramática internalizada é a verdadeira gramática da língua e é dela que se origina as gramáticas dos livros (Celso Pedro Luft Língua e Liberdade, Editora Ática, 8ª ed., s/d).
Por definição, ultracorreção é a correção excessiva; erro proveniente da preocupação de não errar, de falar bem quando se considera errada uma forma correta da língua e acaba trocando-a por outra que ele considera culta (o “namorar com”, por exemplo).
Caso típico e por demais comum é o uso de “esposo”, ao invés de marido, e de “esposa”, em lugar de mulher.
“Esposo”, do latim “sponsu” tem o sentido original de promessa, de vontade (no latim “sponte”).
Embora na atualidade o casamento esteja perdendo seu simbolismo, foi ele sempre um solene ritual religioso. Vale recordar:
Na antiguidade, cada família possuía seus deuses particulares, que eram os antepassados masculinos. O morto era sepultado nos jardins ou nos arredores da vivenda e, a partir daí, cultuado, através do fogo que jamais se apagava, porque ele representava espírito protetor que velava pela casa onde havia morado. Por isso eram chamados de deuses lares. O culto a esses deuses era uma obrigação diária.
Para se casar -sponsare-, a moça renunciava aos deuses e aos ritos em que fora criada e assumia os da casa de seu noivo. Isso significava uma ruptura com todo o seu passado. Vai daí, como que simulando um rapto, o noivo a arrebatava e ela esboçava reação para significar a dor que sentia por estar abandonando seus deuses. Ao depois, era conduzida à casa do futuro marido. Nesse andar, ia coberta de véus brancos e com uma coroa à cabeça. Ao seu redor, cantava-se o himeneu, uma espécie de marcha nupcial. A palavra himeneu é derivada de hymên, a membrana virginal da noiva, “preciosa moeda em tempos antigos, com a qual os pais podiam arranjar um bom casamento” (Deonísio da Silva: A vida íntima das palavras, Editora Aex, São Paulo, 2002, p. 241).
Ao ultrapassar o umbral da casa onde iria morar, a moça era tomada nos braços pelo noivo –sponsu-, que a levava ao colo, para que seus pés não tocassem a soleira da casa que, então, estava besuntada de mel.
A cerimônia do casamento –sponsalia- consistia na apresentação do fogo sagrado à noiva -sponsa-, levando-a o noivo ao lar onde o fogo ardia, o qual, daí para frente, deveria cultuar. Após as libações sacrificais (ritual que se realizava com a aspersão de óleo, vinho ou mel e a água lustral, nos noivos e no fogo sagrado), comiam os dois um bolo (panis farreus [far, farris = trigo), que depois era distribuído aos demais presentes. Em seguida, ambos recitavam algumas orações e a partir daí a mulher ficava associada ao novo culto. Não mais eram ‘esposos’, mas, marido e mulher.

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