Cassilândia, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

Últimas Notícias

05/05/2006 07:44

Alcides Silva explica quando escrever junto ou separado

Alcides Silva

Língua portuguesa, inculta e bela!
Alcides Silva

Juntos ou separados

São muito comuns as dúvidas que nos torturam quando, na escrita, encontramos palavras que tanto podem ser grafadas separada ou analiticamente, como por exemplo, portanto, por tanto; tampouco, tão pouco; conquanto, com quanto; contanto, com tanto; porquanto etc.
Não há uma regra. É que escrito numa palavra só, o termo pertence à categoria gramatical diversa dos que são grafados separadamente.
Portanto é uma conjunção (ou conectivo é a palavra que exprimindo circunstâncias, une duas orações ou dois termos) conclusiva, pois revela uma conclusão ou uma conseqüência: Paguei-lhe até o último tostão, portanto nada lhe devo.
Porquanto é uma conjunção causal (exprime uma causa): Não foi premiado porquanto a isso não merecia.
Por tanto e por quanto – em grafias analíticas – são empregados quando os advérbios ou adjetivos tanto ou quanto forem, respectivamente, identificadores de quantidade ou de modalidade: Por tanto dinheiro trabalhava até a noite. Por quanto se vende esta casa?
Tampouco é advérbio e só se emprega quando puder ser substituído por também não, ou nem sequer, ou, ainda, por sequer: Não apareceu tampouco se justificou.
Porisso é erro de grafia, palavra inexistente na língua portuguesa, assim como não há poristo ou poraquilo. Napoleão Mendes de Almeida solitariamente a defende; “Porisso compõem-se de por + isso. Vêm os dois elementos ligados quando conjunção conclusiva: (Vou sair, porisso tenha juízo). Caso contrário, os elementos por e isso vêm separados: Não foi por isso que o despedi. Nem por isso (= nem por esse motivo, nem por essa coisa) [Gramática Metódica da Língua Portuguesa, 8ª ed., Saraiva, São Paulo, 1956, p.292].
Em Dicionário de Erros, Correções e Ensinamentos de Língua Portuguesa (edição Saraiva de 1955, página 212), esse lingüista expõe com mais amplitude seu posicionamento: “Claro que não se deverá escrever porisso, numa só palavra se distinta forem as funções léxicas dos elementos em apreço, ou seja, quando por for preposição, e isso pronome demonstrativo neutro. Não foi por isso que o despedi. Se não der certo, não ficarei magoado por isso. Nem por isso”.
Prossegue o mestre, lembrando e rebatendo as opiniões contrárias, principalmente quanto à impossibilidade de se escrever poristo ou poraquilo: “A comparação não vem ao caso, diz ele, uma vez que nem poristo nem poraquilo existem com valor conjuncional. Ao contrário de condenar, a comparação demonstra o acerto da grafia analítica por isso quando a cada palavra couber valor léxico próprio; valesse ela para o caso de exercer a palavra função conclusiva, não poderíamos escrever portanto sinteticamente. Se escrevemos “Por tanto dinheiro não comprarei” e “Está chovendo, leve portanto a capa”, é porque no primeiro caso por (preposição) e tanto (adjetivo) guardam particular função léxica, o que no segundo exemplo não se dá, caso em que o composto perdeu o valor dos elementos para, numa só palavra funcionar como conjunção coordenadora conclusiva”.
E arremata Napoleão Mendes de Almeida: “Quando nitidamente porisso funcionar como conjunção, ou seja, quando equivalente a conseguintemente, pois, portanto, não vemos o que nos impeça escrevê-lo numa palavra só”.

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
Últimas notícias
Scroller Top
Sábado, 03 de Dezembro de 2016
06:50
Loterias
Sexta, 02 de Dezembro de 2016
10:00
Receita do Dia
Quinta, 01 de Dezembro de 2016
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)