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18/11/2015 15:07

Água e seu custo

Luiz Roberto Gravina Pladevall (*)

A crise hídrica enfrentada por alguns estados brasileiros colocou em pauta a nossa responsabilidade na preservação desse bem natural. Infelizmente, uma grande parte da população desconhece o trabalho realizado pelas companhias e empresas responsáveis pelo abastecimento de água. Ao abrir a torneira, muitos cidadãos não imaginam o desenvolvimento técnico e investimentos realizados durante décadas para garantir a tranquilidade do consumidor.

Desde a captação da água em diversos mananciais, um batalhão de engenheiros e técnicos trabalham diariamente para garantir todo o processo. Nas Estações de Tratamento de Água, também conhecidas de ETAs, as companhias fazem forte investimento em infraestrutura local, além de gastos com produtos químicos e energia. Coletas e análises são realizadas para garantir a qualidade desse precioso líquido, sem falar dos cuidados com a adição de flúor, responsável pela redução sensível de problemas dentários nas últimas décadas.

Todo esse trabalho tem um custo significativo. Mas com as dificuldades de captação de águas, principalmente nas localidades próximas às regiões metropolitanas, as companhias de saneamento têm a obrigação de buscar esse recurso em lugares cada vez mais distantes. E isso inclui um custo em adutoras e obras para transportar água desses mananciais para as residências das grandes cidades. Outros custos também vêm pressionando as companhias do setor. Entre eles, o aumento de mais de 70% na tarifa de energia elétrica nos últimos 12 meses (IPCA), é um dos fatores que atingem diretamente o bolso do consumidor e também das empresas que têm a energia como um dos principais insumos.

Apesar dos custos de tratamento cada vez mais caros, a água ainda chega ao consumidor brasileiro a preços módicos. No Estado de São Paulo, por exemplo, a companhia responsável pelo abastecimento de 1.000 litros (1 m3) de água para cada casa por apenas R$ 2,92 – valor do reajuste autorizado em dezembro de 2014. Enquanto isso, o consumidor encontra em padarias e restaurantes garrafas de água de 500 ml que chegam a custar R$ 4,00.

Infelizmente, mesmo diante da crise hídrica, o desperdício ainda impera nas cidades brasileiras. Provavelmente, isso ainda ocorre pela nossa cultura de abundância de recursos naturais, que fez parte do nosso dia a dia durante séculos. Mas, hoje, a realidade vem passando por profundas transformações. Não bastará apenas buscarmos alternativas para melhor aproveitar os recursos hídrico. A sobrevivência das companhias de abastecimento de água está intrinsicamente ligada à sua saúde financeira. Por isso, mais cedo ou mais tarde, elas precisarão cobrar tarifas de acordo com a sua realidade.

A garantia da continuidade em investimentos em tecnologia e infraestrutura dependerá pela cobrança de um valor justo pelo fornecimento da água que recebemos todos os dias na torneira das nossas casas. Sem esses recursos financeiros, as finanças dessas companhias estarão seriamente comprometidas, dificultando o nosso abastecimento no futuro.

(*) Luiz Roberto Gravina Pladevall é presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e membro da Diretoria da ABES-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).

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