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25/11/2004 15:12

Agressão emocional pode ser mais grave que a física

Malu Prado / Campo Grande News

“A agressão emocional, às vezes é tão ou mais prejudicial que a física”, diz a assistente social Ednalva Maria Borges Oliveira, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande.
Segundo ela, é uma agressão caracterizada por rejeição, humilhação ou desrespeito, que não deixam marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida.
A cabeleireira Tereza*, 44 anos, sabe muito bem o que é isso. Além de ser agredida fisicamente pelo marido, por 10 anos ela também sofreu punições exageradas.
Às vezes, conta, era impedida de atender homens em seu salão de cabeleireiro e sofria humilhações na frente de outras pessoas. O problema ocorria sempre que ele bebia. “Nunca dei motivos para o ciúme exagerado dele, acho que demorei muito para denunciar”.
O limite da tolerância dela foi esgotado quando ela, grávida do filho caçula, apanhou do marido. “Ele dava tapas, puxões de cabelo, jogava objetos em mim”, conta Tereza.
Vizinhos e parentes ficavam indignados com tanta agressão verbal e marcas deixadas no corpo. “Tinha pânico, principalmente nos fins de semana, quando ele ia para o bar”, lembra a mulher.
O pânico dura até hoje, quatro anos depois do divórcio. Na semana passada, ela denunciou o ex-marido porque ele pulou o muro da casa dela e a agrediu.
Tereza ainda não teve o sossego desejado. O juiz teve de obriga-lo a deixar a casa, quando ela pediu a separação. “Ele não aceitava”, diz a vítima.
Quando tomou coragem de denunciar, Tereza teve outra decepção. Após ter sido vítima por anos, a pena dele foi pagar um ‘sacolão’ de alimentos.
A determinação da Justiça era outro motivo para ele voltar a reincidir no crime. “Ele dizia que nunca seria preso”, diz Tereza. Por isso, algumas vezes ela pensou em retirar a queixa.
Conforme a delegada da Deam (Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher), Elizabeth Gomes da Silva, a maioria dos casos de arquivamento dos processos parte de uma intervenção da própria agredida, que chega a mudar seu depoimento, quando o caso já está correndo na Justiça.
A auxiliar de serviços gerais Ana Maria*, 36 anos, que passa pelo mesmo problema, também pensou em retirar a queixa. “Mas acho que a denúncia é uma maneira de terminar com tanta violência”, destaca.
Como resultado, as duas vítimas terão de passar por sessões de psicoterapia para se livrarem do medo do marido e do receio de começar outro relacionamento.
Hoje, Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres, elas pretendem lutar pelo fim da impunidade. “Queremos ter motivos para comemorar”, acreditam.

*Os nomes são fictícios

Nesta quinta-feira, 25 de Novembro, é Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres

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